A
investigação da Polícia Federal (PF) sobre uma empresa suspeita de ligação com
o saque de R$ 400 mil em espécie, em município da Região Sul do Ceará, no
último dia 30 de dezembro, chegou a uma lista de prefeituras e outros órgãos
públicos que mais repassaram verbas à empresa. O montante dos 20 maiores repasses
à empresa do ramo alimentício chega a R$ 61,5 milhões, segundo a
investigação da PF.
Dois
suspeitos foram presos em flagrante pela PF, após o saque, por
suspeita de levagem de dinheiro. A investigação da PF apontou que o saque foi
feito a mando do empresário Diego Marcondes Cartaxo Tavares, proprietário da
DLA Comercial de Alimentos EIRELI.
A
apuração da PF que resultou na prisão dos dois homens ainda está na fase de
inquérito sigiloso. Por esse motivo, não é possível afirmar que os
órgãos citados como tendo repassados verbas para a DLA Comercial são
investigados ou que supostamente cometeram crimes.
Conforme
a investigação, a DLA Comercial de Alimentos movimentou
mais de R$ 19 milhões nos últimos anos e é suspeita de desviar
recursos públicos federais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
(FNDE), repassados ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
O suposto
grupo criminoso realizava saques com cheques e se utilizava de
'laranjas', para realizar a lavagem de dinheiro proveniente dos
desvios, segundo um relatório da PF.
Os
investigadores concluíram, no relatório, que "a empresa DLA Comercial de
Alimentos EIRELI possuía intenso fluxo de saques em espécie, indicando-se ainda
que os envolvidos realizavam alternância entre quem provisionava os valores e
quem efetivamente sacava".
O
objetivo do grupo seria, "não somente a lavagem do dinheiro relacionado,
mas também para que não houvesse a identificação e prisão dos envolvidos com
altos valores em espécie".
A
defesa de Diego Marcondes Cartaxo Tavares e da empresa DLA Comercial de
Alimentos, representada pelos advogados Artur Feitosa Arrais Martins e Iolanda
Medeiros, emitiu nota em que garantiu que os clientes não têm relação
com o saque de R$ 400 mil.
A
DLA trata-se de empresa idônea, atuante em diversos estados brasileiros, com
mais de 70 colaboradores e múltiplas unidades empresariais, cumpridora de suas
obrigações legais, fiscais e contratuais, inexistindo sanção civil,
administrativa ou criminal que macule sua atuação."
Segundo
a defesa, "eventuais questionamentos sobre movimentações bancárias serão
devidamente esclarecidos no curso da investigação, com a apresentação dos
documentos e justificativas pertinentes".
Confira
a nota da defesa do empresário e da empresa na íntegra:
"A
defesa técnica esclarece que o Auto de Prisão em Flagrante lavrado em
30/12/2025 não teve como autuados o Sr. Diego Marcondes Cartaxo Tavares
nem a empresa DLA Comercial de Alimentos EIRELI. Os autuados foram Wallis
Bernardo do Carmo e Antônio Oliveira Filho, em ocorrência relacionada a saque
da em presa Comercial A WB LTDA.
Conforme
registrado no próprio procedimento, o comprovante do saque foi apresentado em
nome de empresa diversa (Comercial A WB LTDA), cujo sócio administrador é o Sr.
Wallis, evidenciando tratar-se de pessoas e empresas distintas e independentes,
sem relação entre s i. Qualquer associação automática entre tais agentes e a
DLA, portanto, é indevida e induz a pré-julgamento, o que deve ser evitado em
respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência.
A DLA
trata-se de empresa idônea, atuante em diversos estados brasileiros, com mais
de 70 colaboradores e múltiplas unidades empresariais, cumpridora de suas
obrigações legais, fiscais e contratuais, inexistindo sanção civil,
administrativa ou criminal que macule sua atuação. Eventuais questionamentos
sobre movimentações bancárias serão devidamente esclarecidos no curso da
investigação, com a apresentação dos documentos e justificativas pertinentes.
Por
fim, informa-se que a defesa técnica já requereu o devido acesso aos autos e
permanece inteiramente à disposição da Autoridade Policial, com o objetivo de
colaborar e esclarecer os fatos, com a segurança de que, ao final, equívocos
interpretativos serão esclarecidos e a inocência será confirmada."
Repasses sob investigação
O Núcleo
de Análise e Informação da Delegacia de Polícia Federal em Juazeiro do Norte
elencou os 20 maiores remetentes de verbas para a empresa DLA Comercial de
Alimentos, sediada em Iguatu, no Interior do Ceará, nos últimos anos.
Entre
eles, estão 14 prefeituras; outros três órgãos municipais; um órgão do Governo
do Ceará; um microempreendedor; e outra conta da DLA.
Segundo o
relatório, "as contas da referida empresa foram ancoradouro de
recursos oriundos de diversos entes públicos, inclusive recursos
oriundos da de Secretarias de Educação, possivelmente envolvimento de recursos
federais".
Os
investigadores destacaram "as remessas expressivas de recursos para as
contas bancárias da empresa DLA Comercial, realizadas pelos município de
Petrolina, cidade localizada no estado de Pernambuco, além do município do
Crato e diversos outros municípios do interior do Ceará, em especial os
municípios do Iguatu e Brejo Santo".
Confira o ranking e a manifestação dos órgãos
públicos:
1. Petrolina (PE) - R$ 9,4 milhões
A Polícia
Federal recebeu informações que a Secretaria Municipal de Educação de
Petrolina, em Pernambuco, fez o maior repasse à empresa DLA Comercial de
Alimentos: mais de R$ 8 milhões.
Já a
Prefeitura Municipal de Petrolina repassou mais R$ 1,4 milhão. Ao total, o
Município teria pago mais de R$ 9,4 milhões à empresa.
O
relatório da PF não dá detalhes sobre o objeto ou o contrato
relacionados às transações financeira entre os órgãos públicos e a
empresa do ramo alimentício.
A
Prefeitura de Petrolina e a Secretaria Municipal de Educação foram questionadas
pela reportagem, por e-mail, sobre a investigação e o repasse de verbas, na
última quarta-feira (7), mas não emitiram respostas até a publicação desta
matéria.
2. Iguatu - R$ 9,1 milhões
Conforme
o relatório da PF, a Fundação de Saúde Pública de Iguatu, no Interior do Ceará,
enviou mais de R$ 6,8 milhões à empresa do ramo alimentício.
Enquanto
a Prefeitura Municipal de Iguatu enviou mais R$ 2,3 milhões. Somados os
valores, a conta supera R$ 9,1 milhões.
Questionada
sobre os repasses, a Prefeitura de Iguatu destacou que a atual gestão "não
foi alvo de quaisquer medidas judiciais, fiscalização ou ação de autoridade que
relacione o ente municipal com irregularidades na aplicação de recursos
públicos".
O
compromisso desta gestão é com a transparência, legalidade e a cooperação. Por
fim, reafirmamos que permanecemos à disposição de todas as autoridades para
prestar os esclarecimentos necessários, colaborar com as investigações em curso
e assegurar o uso correto e responsável de recursos públicos, em conformidade
com a legislação vigente."
Confira
a nota da Prefeitura na íntegra:
"A
Prefeitura Municipal de Iguatu vem a público, após contato do Jornal Diário do
Nordeste, manifestar-se acerca de reportagem publicada sobre operação da
Polícia Federal que menciona movimentação de recursos e investigação envolvendo
empresa sediada neste município.
Inicialmente,
importa dizer que a Prefeitura de Iguatu na atual gestão não foi alvo de
quaisquer medidas judiciais, fiscalização ou ação de autoridade que relacione o
ente municipal com irregularidades na aplicação de recursos públicos.
Conforme
consta na própria reportagem, os valores citados, que teriam sido movimentados
pela empresa em análise, referem-se a operações registradas até 20 de janeiro
de 2025. Ou seja, período anterior a atual gestão.
O
compromisso desta gestão é com a transparência, legalidade e a cooperação.
Por
fim, reafirmamos que permanecemos à disposição de todas as autoridades para
prestar os esclarecimentos necessários, colaborar com as investigações em curso
e assegurar o uso correto e responsável de recursos públicos, em conformidade
com a legislação vigente."
3. Crato - R$ 7,1 milhões
A
Prefeitura Municipal do Crato, na Região do Cariri, também no Interior do
Ceará, teria repassado mais de R$ 7,1 milhões à DLA Comercial de Alimentos.
Em
resposta, a Prefeitura do Crato informou que "não foi notificada quanto à
referida investigação. Caso seja oficialmente demandada, a Gestão Municipal
coloca-se à disposição para quaisquer esclarecimentos".
Reforçamos
o compromisso permanente com a clareza das informações, boas práticas de gestão
e respeito ao cidadão. Comunicamos que todas os contratos da Prefeitura
Municipal do Crato seguem o já declarado compromisso inconteste com os
princípios de Legalidade, Transparência e Publicidade que marcam a
Administração Pública."
Confira
a nota da Prefeitura na íntegra:
"A
Prefeitura do Crato informa que não foi notificada quanto à referida
investigação. Caso seja oficialmente demandada, a Gestão Municipal coloca-se à
disposição para quaisquer esclarecimentos. Reforçamos o compromisso permanente
com a clareza das informações, boas práticas de gestão e respeito ao cidadão.
Comunicamos que todas os contratos da Prefeitura Municipal do Crato seguem o já
declarado compromisso inconteste com os princípios de Legalidade, Transparência
e Publicidade que marcam a Administração Pública."
4. Brejo Santo - R$ 6,8 milhões
A
Prefeitura Municipal de Brejo Santo teria enviado quase R$ 3,8 milhões à
empresa. Já o Fundo Municipal de Educação de Brejo Santo teria enviado mais de
R$ 3 milhões ao mesmo destinatário. O repasse total do Município é superior a
R$ 6,8 milhões.
Questionada
pela reportagem, a Prefeitura de Brejo Santo confirmou que "houve contrato
administrativo com a empresa DLA até o ano passado, regularmente formalizado e
executado nos termos da legislação vigente".
Porém,
segundo a Prefeitura, "não foi constatada qualquer irregularidade na
execução do objeto contratado, tampouco no cumprimento das obrigações legais e
contratuais assumidas pela empresa".
Confira
a nota da Prefeitura na íntegra:
"O
Município de Brejo Santo informa que houve contrato administrativo com a
empresa DLA até o ano passado, regularmente formalizado e executado nos termos
da legislação vigente.
Ressalta-se
que o Município tomou conhecimento das investigações envolvendo a empresa
exclusivamente por meio de reportagens veiculadas nos veículos de comunicação,
não tendo sido, até o presente momento, oficialmente notificado ou demandado
por qualquer autoridade investigante para prestar esclarecimentos ou encaminhar
informações relativas aos contratos firmados.
Durante
todo o período de vigência contratual, não foi constatada qualquer
irregularidade na execução do objeto contratado, tampouco no cumprimento das
obrigações legais e contratuais assumidas pela empresa.
O
Município de Brejo Santo reafirma que todos os seus atos administrativos são
pautados pelos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência, observando rigorosamente a legislação aplicável às
contratações públicas, bem como os mecanismos de controle interno e externo.
Por
fim, o Município permanece à disposição dos órgãos de controle e autoridades
competentes para prestar quaisquer esclarecimentos que venham a ser formalmente
solicitados, reafirmando seu compromisso com a transparência, a
responsabilidade administrativa e a correta aplicação dos recursos
públicos."
5. Estado do Ceará - R$ 4,4 milhões
A
Controladoria e Ouvidoria Geral do Ceará (CGE) aparece como um dos principais
remetente de verbas para a empresa DLA Comercial de Alimentos, com o envio de
mais de R$ 4,4 milhões, segundo o relatório da PF.
Entretanto,
a Controladoria nega que tenha feito qualquer negociação com a empresa
e alega que houve uma "interpretação equivocada de dados e sobre o papel
do órgão de controle realizado, no caso, em especial, por meio do Sistema
e-Parcerias, plataforma destinada ao registro, acompanhamento e gestão
informatizada de parcerias, promovendo rastreamento e transparência de todas as
informações".
"O
Sistema e-Parcerias reúne informações sobre a execução de convênios e
instrumentos congêneres firmados entre entidades públicas e seus convenentes,
como prefeituras e organizações da sociedade civil. A CGE não contrata ou
repassa recursos referentes a esses instrumentos", justificou a CGE.
Confira
a nota da Controladoria na íntegra:
"A
Controladoria e Ouvidoria Geral do Estado do Ceará (CGE) informa que não mantém
e nunca manteve contrato, convênio ou qualquer instrumento congênere, e nunca
efetuou nenhum pagamento para a empresa DLA Comercial de Alimentos EIRELI (CNPJ
nº 24.334.945/0001-08).
A
citação indevida do nome da CGE em notícias ou manifestações relacionadas ao
caso decorre de interpretação equivocada de dados e sobre o papel do órgão de
controle realizado, no caso, em especial, por meio do Sistema e-Parcerias,
plataforma destinada ao registro, acompanhamento e gestão informatizada de
parcerias, promovendo rastreamento e transparência de todas as
informações.
O
Sistema e-Parcerias reúne informações sobre a execução de convênios e
instrumentos congêneres firmados entre entidades públicas e seus convenentes,
como prefeituras e organizações da sociedade civil. A CGE não contrata ou
repassa recursos referentes a esses instrumentos.
A
Controladoria atua na governança, gestão e evolução da plataforma tecnológica,
garantindo seu funcionamento e a integridade das informações registradas.
Os
pagamentos efetuados no Sistema e-Parcerias são realizados por meio da emissão
de Ordem Bancárias de Transferências (OBTs), de responsabilidade exclusiva das
instituições beneficiárias dos convênios, como as prefeituras e organizações da
sociedade civil sem fins lucrativos.
Por
fim, a CGE reafirma seu compromisso com a transparência, a integridade, a boa
governança e o fortalecimento dos mecanismos de controle na Administração
Pública."
6.
Campina Grande (PB) - R$ 3,1 milhões
A
Prefeitura Municipal de Campina Grande, na Paraíba, teria enviado mais de R$
3,1 milhões à empresa do ramo alimentício, segundo a Polícia Federal.
Questionada
por e-mail, a Prefeitura de Campina Grande também não se manifestou até o
fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para futuras manifestações.
7. Mombaça - R$ 2,9 milhões
A Polícia
Federal também identificou um repasse de R$ 2,9 milhões da Prefeitura Municipal
de Mombaça, no Interior do Ceará, para a empresa DLA Comercial de Alimentos.
Em
consulta ao Portal da Transparência de Mombaça, a reportagem ainda verificou
um contrato entre a Prefeitura e a empresa, num valor superior a R$ 9,8 milhões,
feito em 2025 e ainda vigente, para "aquisição de gêneros alimentícios
destinados ao Programa de Alimentação Escolar do Município de Mombaça".
Questionada,
a Prefeitura de Mombaça respondeu que "o valor de R$ 9.846.893,00
identificado no Portal da Transparência refere-se à Ata de Registro de Preços
nº 20250185, cujo montante possui natureza meramente estimativa, correspondente
ao limite máximo que poderia ser utilizado ao longo do prazo de vigência da
ata, de até 2 anos, não se tratando de repasse automático ou integral de
recursos".
"Conforme
levantamento da Secretaria Municipal de Educação, no exercício financeiro de
2025, no âmbito do Pregão Eletrônico nº 001/2025-SME-PE, foram efetivamente
pagos à empresa vencedora o montante de R$ 2.206.728,11, exclusivamente em
razão de fornecimentos regularmente contratados e comprovadamente executados,
nos termos da legislação de licitações e contratos administrativos", acrescentou
a Prefeitura.
Confira
a nota na íntegra:
"A
Procuradoria-Geral do Município de Mombaça esclarece que o valor de R$
9.846.893,00 identificado no Portal da Transparência refere-se à Ata de
Registro de Preços nº 20250185, cujo montante possui natureza meramente
estimativa, correspondente ao limite máximo que poderia ser utilizado ao longo
do prazo de vigência da ata, de até 2 anos, não se tratando de repasse
automático ou integral de recursos.
Conforme
levantamento da Secretaria Municipal de Educação, no exercício financeiro de
2025, no âmbito do Pregão Eletrônico nº 001/2025-SME-PE, foram efetivamente
pagos à empresa vencedora o montante de R$ 2.206.728,11, exclusivamente em
razão de fornecimentos regularmente contratados e comprovadamente executados,
nos termos da legislação de licitações e contratos administrativos.
Ressalta-se
que não se trata de 'repasse de valores', mas de pagamentos decorrentes de
serviços efetivamente prestados, precedidos de regular procedimento
licitatório, liquidação da despesa e atesto da execução.
O
Município de Mombaça não integra a investigação mencionada, tampouco esta
Procuradoria-Geral foi formalmente demandada pela Polícia Federal ou por
qualquer outro órgão de controle para prestar esclarecimentos sobre o tema até
o presente momento.
A
Procuradoria-Geral do Município permanece à disposição para quaisquer
esclarecimentos adicionais."
8. Jucás - R$ 2,8 milhões
O repasse
da Prefeitura Municipal de Jucás, também no Interior do Ceeará, para a empresa
DLA Comercial de Alimentos, teria sido de mais de R$ 2,8 milhões, segundo a
investigação policial.
A
Prefeitura de Jucás foi contactada, via assessoria de comunicação, mas não se
manifestou sobre a investigação, até a publicação desta matéria. O espaço segue
aberto para futuras manifestações.
9. Lavras da Mangabeira - R$ 2,4 milhões
Já a
Prefeitura Municipal de Lavras da Mangabeira teria enviado um valor superior a
R$ 2,4 milhões para a empresa do ramo alimentício, conforme a Polícia Federal.
A
Prefeitura de Lavras da Mangabeira foi contactada, via assessoria de
comunicação, mas não se manifestou sobre a investigação, até a publicação desta
matéria. O espaço segue aberto para futuras manifestações.
10. Acopiara - R$ 2,2 milhões
Em
seguida, vem o repasse de mais uma prefeitura cearense: Acopiara, com mais de
R$ 2,2 milhões enviados para a empresa DLA, segundo o relatório da PF.
Questionada,
a Prefeitura Municipal de Acopiara respondeu, em nota, que "os pagamentos
realizados à empresa DLA Comercial de Alimentos EIRELI referem-se a
contratos e processos licitatórios firmados em exercício anterior, com
execução e pagamentos concentrados no ano de 2024, período correspondente a
outra gestão municipal".
A
atual gestão, iniciada em 2025, não participou da licitação, não ordenou os
pagamentos realizados em 2024 e não responde por atos administrativos
praticados pela administração anterior, sobretudo aqueles que hoje são objeto
de apuração por órgãos de investigação."
Confira
a nota da Prefeitura na íntegra:
"A
Prefeitura de Acopiara esclarece que os pagamentos realizados à empresa DLA
Comercial de Alimentos EIRELI referem-se a contratos e processos licitatórios
firmados em exercício anterior, com execução e pagamentos concentrados no ano
de 2024, período correspondente a outra gestão municipal.
Até o
encerramento daquele exercício, o montante pago à referida empresa foi de R$
2.717.087,71, dentro de contratos celebrados à época, com base em procedimentos
administrativos conduzidos pela gestão então responsável.
A
atual gestão, iniciada em 2025, não participou da licitação, não ordenou os
pagamentos realizados em 2024 e não responde por atos administrativos
praticados pela administração anterior, sobretudo aqueles que hoje são objeto
de apuração por órgãos de investigação.
A
Prefeitura de Acopiara informa ainda que tomou conhecimento do caso
exclusivamente por meio da imprensa, não tendo recebido, até o momento,
qualquer notificação oficial da Polícia Federal ou de outro órgão de
investigação, cabendo exclusivame e às autoridades competentes a apuração de
eventuais irregularidades relacionadas à empresa investigada.
A
atual administração reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência
e o correto uso dos recursos públicos, mantendo-se à disposição para colaborar
com qua quer esclarecimento que venha a ser solicitado."
11. São Gonçalo do Amarante (RN) - R$ 1,9 milhões
O
documento da Polícia Federal cita uma cidade de São Gonçalo do Amarante - nome
de municípios no Ceará e no Rio Grande do Norte - como uma das principais
remetentes para a empresa alimentícia. Entretanto, o documento não detalha qual
o Estado da cidade.
Procurada
pela reportagem, a Prefeitura de São Gonçalo do Amarante, do Ceará, sustentou
que não foi feito nenhum pagamento para a empresa DLA Comercial de
Alimentos, na atual gestão (desde 2021). E, na gestão anterior, em
2019, foi celebrado um contrato de apenas R$ 20 mil.
Já
a Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte,
firmou um contrato com a empresa no valor de R$ 3,7 milhões, em 2023, para a
"aquisição de gêneros alimentícios destinados ao Programa de Alimentação
Escolar", segundo o Portal da Transparência do Município.
A
Prefeitura de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, foi questionada
pela reportagem, por e-mail, desde a manhã da última quarta-feira (6), mas não
enviou resposta até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para
futuras manifestações.
12. Juazeiro do Norte - R$ 1,9 milhão
Ainda
conforme a investigação, a Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte, também na
Região do Cariri, fez um repasse superior a R$ 1,9 milhão à DLA Comercial de
Alimentos.
Procurada
pela reportagem, a Prefeitura de Juazeiro do Norte confirmou que "manteve
contrato administrativo com a referida empresa, decorrente de processo
licitatório regular, realizado conforme a legislação vigente, com vigência
iniciada em setembro de 2025 e término previsto para março de 2026".
Quanto
à execução contratual, o Município informa que os contratos são acompanhados
por rotinas permanentes de fiscalização e controle, nos termos da legislação
aplicável, com monitoramento da entrega, conformidade dos produtos e
regularidade da execução."
Confira
a nota da Prefeitura na íntegra:
"A
Prefeitura de Juazeiro do Norte informa que tomou conhecimento, pela imprensa,
da investigação conduzida pela Polícia Federal envolvendo a empresa DLA
Comercial de Alimentos EIRELI, relacionada a supostos desvios de recursos
federais do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Esclarece
que o Município manteve contrato administrativo com a referida empresa,
decorrente de processo licitatório regular, realizado conforme a legislação
vigente, com vigência iniciada em setembro de 2025 e término previsto para
março de 2026.
Quanto
à execução contratual, o Município informa que os contratos são acompanhados
por rotinas permanentes de fiscalização e controle, nos termos da legislação
aplicável, com monitoramento da entrega, conformidade dos produtos e
regularidade da execução.
Até o
momento, a Prefeitura de Juazeiro do Norte não foi formalmente notificada pela
Polícia Federal nem por outros órgãos de controle acerca da investigação
mencionada, tampouco foi apontada qualquer irregularidade relacionada à
execução do contrato no âmbito municipal.
A
gestão municipal reforça que acompanha o andamento das apurações e mantém
postura de transparência e colaboração institucional, colocando-se à disposição
para prestar esclarecimentos caso seja oficialmente demandada."
13. Saboeiro - R$ 1,3 milhão
Já a
Prefeitura Municipal de Saboeiro, no Interior do Ceará, teria realizado uma
remessa de mais de R$ 1,3 milhão à empresa do ramo alimentício, conforme a
investigação.
A
assessoria de comunicação ou outro representante da Prefeitura de Saboeiro não
foram localizados pela reportagem para comentar a informação. O espaço segue
aberto para futuras manifestações.
14. Itapipoca - R$ 976 mil
A
Prefeitura Municipal de Itapipoca, na Região Norte do Ceará, fez o menor
repasse à DLA Comercial de Alimentos, entre as 20 principais fontes, segundo a
Polícia Federal: R$ 976 mil.
Em
resposta, a Prefeitura de Itapipoca informou que "a empresa citada
não é fornecedora do Município na atual gestão. Eventuais contratos
mencionados referem-se aos anos de 2019 e 2020, período anterior à gestão do
prefeito Felipe Pinheiro".
"A
atual administração mantém compromisso com a legalidade, a transparência e a
correta aplicação dos recursos públicos", concluiu a Prefeitura de
Itapipoca.
Confira
a nota da Prefeitura na íntegra:
"A
Prefeitura de Itapipoca informa que a empresa citada não é fornecedora do
Município na atual gestão. Eventuais contratos mencionados referem-se aos anos
de 2019 e 2020, período anterior à gestão do prefeito Felipe Pinheiro. A atual
administração mantém compromisso com a legalidade, a transparência e a correta
aplicação dos recursos públicos."
Os outros
repasses na lista da PF, que não envolvem órgãos públicos, foram remetidos pelo
microempreendedor D. S. Andrade (no valor de R$ 1,4 milhão) e por outra conta
da própria DLA Comercial de Alimentos EIRELI (R$ 1 milhão).
O
microempreendedor D. S. Andrade não foi localizado para comentar essa
transação. O espaço segue aberto para futuras manifestações.
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