Previsão indica boas chuvas, mas recarga dos açudes segue incerta no Ceará
O
primeiro cenário climático divulgado para 2026 aponta uma chance majoritária de
chuvas dentro ou acima do padrão histórico no Ceará durante o período
mais importante da quadra chuvosa, entre fevereiro e abril. Ainda assim,
especialistas alertam que bons volumes de precipitação não significam,
necessariamente, recuperação dos reservatórios que abastecem o Estado.
A
Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) chama atenção
para a diferença entre chover e garantir que essa água chegue aos açudes.
De acordo com a avaliação técnica do órgão, mesmo em anos considerados normais
do ponto de vista climático, o sistema hídrico pode registrar entradas
inferiores ao esperado, o que mantém o cenário de alerta para o abastecimento.
Um
dos principais fatores de preocupação é a condição atual do solo. Após meses
com pouca chuva, a terra permanece seca e tende a absorver grande parte da água
das primeiras precipitações. Sem umidade suficiente, o escoamento para rios e
reservatórios demora a ocorrer, reduzindo a recarga dos açudes no início da
estação.
Dados
recentes reforçam esse quadro desfavorável. O volume de chuvas registrado em
dezembro e janeiro ficou bem abaixo da média histórica, comprometendo a
chamada pré-estação chuvosa, etapa considerada fundamental para preparar o solo
e favorecer o acúmulo de água nos mananciais.
No
monitoramento feito pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), os
143 açudes estratégicos do Ceará operam atualmente com pouco menos de
40% da capacidade total. A situação, porém, varia bastante entre as
regiões. O Sertão dos Crateús enfrenta o quadro mais crítico, enquanto
áreas como Alto Jaguaribe, Acaraú e Litoral apresentam níveis
mais confortáveis. Nenhum reservatório está sangrando, e dezenas seguem abaixo
do patamar de 30%.
Apesar
das dificuldades, o Governo do Estado avalia que o volume total armazenado
ainda permite um certo grau de segurança, especialmente na Região
Metropolitana de Fortaleza, onde o abastecimento é considerado estável. A
distribuição desigual das reservas, no entanto, exige vigilância permanente e
planejamento para evitar crises localizadas.
Em
regiões historicamente mais vulneráveis, como Crateús, a solução de
longo prazo depende de novas obras hídricas. Caso as chuvas não tragam
recuperação significativa, medidas emergenciais, como transferências de água
entre açudes, poderão voltar a ser adotadas. Já no Cariri, a integração
com o Cinturão das Águas e o Projeto São Francisco traz uma perspectiva mais
positiva para os próximos meses.
As
autoridades reforçam que, em situações de escassez, a legislação estabelece
prioridade absoluta para o consumo humano, seguido do uso animal e industrial.
A recomendação geral é de uso consciente da água, lembrando que o Ceará está
inserido em uma região semiárida, onde a regularidade das chuvas nem sempre se
traduz em segurança hídrica.
(Portal folha do vale)
(Foto: Reprodução)
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