Novo exame no SUS reduz espera por diagnóstico de doenças raras em 93%

 



O Ministério da Saúde anunciou, nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, a oferta inédita no Sistema Único de Saúde (SUS) do Sequenciamento Completo do Exoma (WES), exame genético de alta tecnologia voltado à confirmação de doenças raras de origem genética. A medida promete reduzir de até sete anos para no máximo seis meses o tempo de espera pelo diagnóstico, uma queda de 93%.

O exame, que na rede privada pode custar até R$ 5 mil, será ofertado gratuitamente e deve atender cerca de 90% dos casos que necessitam de confirmação diagnóstica. A iniciativa foi anunciada na semana do Dia Mundial e Nacional das Doenças Raras, celebrado em 28 de fevereiro.

Atualmente, aproximadamente 13 milhões de brasileiros convivem com alguma das cerca de 7 mil doenças raras catalogadas, sendo mais de 70% de origem genética.

Quando o SUS passa a oferecer o sequenciamento genético completo, um exame que pode custar até R$ 5 mil, estamos rompendo uma barreira histórica de acesso. Isso vai reduzir o tempo de diagnóstico, que hoje pode levar até sete anos, para poucos meses, mudando completamente a qualidade de vida dessas crianças e de suas famílias”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Investimento e capacidade nacional

O governo federal destinará R$ 26 milhões por ano para ampliar a oferta do exame em todo o país. Dois laboratórios públicos no Rio de Janeiro serão responsáveis pela realização dos testes: um no Instituto Nacional de Cardiologia (INC), em operação piloto desde outubro de 2025, e outro na Fiocruz, com instalação prevista até o fim de maio.

A estrutura terá capacidade para atender 100% da demanda nacional estimada, equivalente a 20 mil diagnósticos por ano, alinhada ao programa Agora Tem Especialistas, que busca reduzir o tempo de espera no SUS.

No projeto-piloto, o laboratório do INC já recebe amostras de 13 serviços habilitados em dez estados, RJ, GO, PA, BA, DF, PE, PR, CE, SP e MT, e registra taxa de sucesso de 99% na coleta, com 175 laudos emitidos até o momento. Nos meses de março e abril, outros 23 serviços serão habilitados, incluindo ES, PB, PI, RS, SC e RN. A previsão é que, até o fim de 2026, os dois laboratórios estejam operando em plena capacidade.

Diagnóstico precoce e ampliação do cuidado

O Sequenciamento Completo do Exoma analisa regiões do DNA onde se concentra a maioria das mutações genéticas, a partir de amostras de sangue ou saliva. O exame contribui para confirmar diagnósticos de doenças também rastreadas no teste do pezinho, como fibrose cística, fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doença falciforme, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase.

Segundo o ministério, o diagnóstico precoce permite indicar tratamentos mais adequados e personalizados, reduz complicações e amplia a expectativa e a qualidade de vida dos pacientes.

Além da ampliação do diagnóstico, o ministro anunciou aumento de 120% na rede especializada do SUS voltada ao tratamento de doenças raras. Com investimento de R$ 44 milhões, serão habilitados 11 novos serviços em quatro regiões do país, elevando de 23, em 2022, para 51 o total de unidades especializadas em hospitais públicos e filantrópicos.

Com a ampliação para 51 serviços especializados, vamos mais que dobrar a rede existente e consolidar a maior rede pública de diagnóstico e cuidado de doenças raras do mundo. É o Estado brasileiro assumindo a responsabilidade de garantir acesso perto de onde as pessoas vivem”, declarou Padilha.

Terapias inovadoras e novos protocolos

O ministério também destacou a incorporação de terapias de alto custo na rede pública. Em maio de 2025, o SUS realizou as primeiras aplicações do Zolgensma, medicamento indicado para crianças com Atrofia Muscular Espinhal (AME) e primeira terapia gênica incorporada ao sistema público brasileiro. Onze crianças já participam do tratamento, com relatos de interrupção da progressão da doença.

O Brasil tornou-se o sexto país a ofertar o medicamento em sistemas públicos de saúde, ao lado de Espanha, Inglaterra, Argentina, França e Alemanha, em modelo de pagamento condicionado à eficácia.

Outra medida anunciada foi a atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Trombocitopenia Imune Primária (PTI), com a incorporação de novos medicamentos para adultos, crianças e adolescentes, ampliando as opções de tratamento e qualificando a assistência prestada na rede pública.

Com o conjunto de ações, o governo afirma que busca garantir diagnóstico mais rápido, acesso ampliado a tratamentos inovadores e fortalecimento da rede de cuidado às pessoas com doenças raras em todo o país.

(Portal folha do vale)

(Foto: Reprodução)

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