Quadra chuvosa no Ceará aumenta risco de pulgas e carrapatos em pets
A quadra chuvosa no Ceará, que se inicia em fevereiro e
se estende até maio, traz consigo um alerta importante para os tutores de pets.
Além das chuvas isoladas, esse período de quatro meses favorece
o aumento da infestação de pulgas e carrapatos em cães e gatos.
Devido
à alta umidade característica da estação, que cria um ambiente ideal para a reprodução
desses parasitas, a médica-veterinária Victoria Castelo alerta que a atenção
com a saúde dos animais deve ser redobrada.
Vale lembrar que esses ectoparasitas também podem ser transportados
para dentro de casa pelos próprios humanos e, inclusive, picar pessoas,
transmitindo doenças graves como a febre maculosa e a erliquiose.
Entenda o porquê de isso acontecer e saiba como proteger seu pet das
doenças transmitidas por carrapatos e pulgas.
Carrapatos
se reproduzem mais rápido em períodos chuvosos
Parasitas como carrapatos e pulgas se proliferam com maior facilidade
durante a quadra chuvosa ao encontrarem o equilíbrio entre o calor e a umidade.
Em períodos mais frios, eles procuram locais quentes e abafados para se
reproduzir.
Entretanto, a capacidade reprodutora de carrapatos é considerada superior
à das pulgas. “O carrapato mais comum em cães no Brasil é o Rhipicephalus
sanguineus, que depende muito de umidade e temperatura para sobreviver fora do
animal, ou seja, dentro de nossas casas”, alerta Victoria, especializada
em clínica médica e cirúrgica de felinos.
Um detalhe crucial é que os carrapatos passam 95% do tempo no ambiente e
apenas 5% no hospedeiro. Portanto, os parasitas encontrados nos pets são uma
pequena parcela; a grande maioria está escondida no entorno.
Um
fator facilitador da reprodução durante esse período é a umidade do solo,
que impede que o ressecamento dos ovos. Além disso, o acúmulo de entulhos e a
vegetação densa servem de abrigo para o desenvolvimento das próximas fases
do ciclo de vida do carrapato.
“Diferente do clima seco e quente, quando muitos não conseguem chegar na
fase adulta e acabam morrendo antes”, complementa a especialista.
O Rhipicephalus sanguineus, o carrapato marrom, é o principal transmissor
da Doença do Carrapato, que engloba as infecções bacterianas erliquiose e
anaplasmose e a infecção por protozoário babeiose transmitidas.
Esses
parasitas invadem a corrente sanguínea e atacam os glóbulos brancos, os quais
são as células de defesa do animal, e os glóbulos vermelhos, impedindo a
produção de novas hemácias. Esse quadro de anemia severa pode levar cães e
gatos ao óbito.
Carrapatos também transmitem zoonoses que podem ser passadas de animais
para humanos, como a doença de Lyme, que provoca lesões na pele, e a febre Maculosa.
Como proteger seu animal de
estimação dos carrapatos
A doença do carrapato é mais comum em cães, já que gatos realizam
autolimpeza diariamente, acabando por remover parasitas antes mesmo
que ocorra uma infecção. Entretanto, a checagem frequente nos felinos também é
indispensável.
Confira abaixo alguns métodos de proteção:
- Comprimidos
mastigáveis:
medicamento em comprimido que protege por 30 a 90 dias
- Coleiras
Antiparasitárias: de
uso prolongado, liberam princípios ativos repelentes e eliminadores de
parasitas
- Pipetas: líquido aplicado na nuca que
protege por cerca de 30 dias
A médica-veterinária Victória ressalta que todos os métodos são
eficazes, desde que o prazo de cada um e a adaptação de cada animal sejam
respeitados. O ambiente também deve ser levado em conta, pois locais com alta
infestação podem exigir a combinação de mais de um tipo de prevenção.
A principal recomendação da especialista é nunca
negligenciar a limpeza do ambiente com carrapaticidas. Como carrapatos
e pulgas gostam de ambientes escuros, úmidos e protegidos do sol, eles se
escondem em frestas, rodapés, sofá e cama.
“Podemos usar carrapaticidas ambientais como os a base de deltametrina,
amitraz, permetrina. Porém, todos precisam de cuidados para a utilização, como
deixar o local arejado e ventilador ao passar e retirar os pets por ter cheiro
forte”, alerta Victoria.
Além dos carrapatos e pulgas,
outros cuidados durante a quadra chuvosa
Durante a quadra chuvosa, o Ceará apresenta alta umidade, expondo cães e
gatos a doenças parasitárias transmitidas por pulgas e carrapatos, porém, esses
não são os únicos parasitas. O fungo da esporotricose,
que causa nódulos e úlceras na pele dos animais, também se prolifera em
ambientes úmidos e de vegetação.
A reprodução de mosquitos vetores de doenças também é
facilitada em períodos chuvosos.
A leishmaniose, que ocorre a partir da picada de um mosquito infectado
pelo protozoário do gênero Leishmania, traz o temido calazar e
doenças de pele. Já a dirofilariose é causada pela Dirofilaria immitis,
uma lombriga conhecida como verme do coração.
Além das doenças causadas por parasitas existem as infecciosas e
dermatológicas, como a leptospirose, causada pela
bactéria Leptospira presente na urina de ratos. Portanto, as visitas
preventivas ao veterinário e a atenção à saúde dos cuidadores são essenciais
durante períodos chuvosos.
(O
Povo - Online)
(Foto: Reprodução / Freepik / |@user18526052)
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