Russas deve ganhar distrito de exportação agrícola com foco em alto valor
O
município de Russas, no Vale do Jaguaribe, pode se tornar um novo polo
estratégico para exportação de frutas, legumes e verduras já a partir de 2026.
A proposta, articulada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do
Ceará (Faec), prevê a criação de um distrito voltado à produção agrícola com
alto valor agregado e foco no mercado internacional.
De
acordo com o presidente da entidade, Amílcar Silveira, o projeto busca
reunir empresas já aptas a exportar, especialmente para a Europa, onde
há forte demanda por produtos como melão e mamão cultivados no Ceará. A
ideia é garantir que todas as empresas instaladas no futuro distrito atendam a
padrões rigorosos de certificação.
A
proposta prioriza culturas mais rentáveis, com retorno mínimo estimado em R$
100 mil por hectare. Para efeito de comparação, o milho gera cerca de R$ 8
mil por hectare, enquanto o melão pode alcançar R$ 80 mil. A expectativa é que,
com até três safras anuais, o faturamento total do distrito ultrapasse R$
1 bilhão.
Apesar
do foco em exportação, o espaço não terá estrutura alfandegária própria
e não será classificado como uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE). O
objetivo é direcionar a produção para atender demandas externas específicas,
com cultivo planejado conforme pedidos internacionais.
A
área prevista para o projeto está inserida no Perímetro Irrigado Tabuleiros
de Russas, administrado pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas
(Dnocs). Atualmente, o perímetro soma mais de 18,6 mil hectares, dos quais
10,7 mil são irrigáveis. Em 2024, cerca de 3,6 mil hectares estavam
efetivamente cultivados.
Mesmo
com resultados financeiros positivos, como o Valor Bruto de Produção de R$
96,7 milhões em 2023, a produção total vem apresentando queda nos últimos
anos, o que reforça a aposta em culturas de maior valor agregado como
estratégia de recuperação.
A
ampliação do perímetro em cerca de 3,2 mil hectares está em negociação
com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do
Ceará (SDE). A iniciativa também prevê geração de aproximadamente 3 mil
empregos diretos ligados à exportação.
Outro
ponto central será a adoção de certificações internacionais e controle
fitossanitário rigoroso, incluindo áreas livres de pragas, para garantir
competitividade no exterior. A produção deverá seguir um modelo sob demanda,
com foco principal no mercado europeu.
Para
avançar, o projeto ainda depende da cessão da área pelo Dnocs. Segundo a Faec,
a expectativa é que essa etapa seja concluída até o fim do ano, permitindo o
início das operações dentro do cronograma previsto.
O
perímetro irrigado, que abrange ainda Limoeiro do Norte e Morada Nova,
já desempenha papel importante na economia regional, com destaque para a
produção de frutas como banana, laranja e mamão, este último com grande parte destinada
à exportação. A região do Baixo Jaguaribe, onde está inserido, é
atualmente o segundo maior polo agrícola do Ceará em valor de produção.
(Portal folha do
vale)
(Foto: Reprodução)
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