Anvisa restringe emagrecedores manipulados e do Paraguai em meio a pressão política
A
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) intensificou ações para
conter o avanço das chamadas “canetas emagrecedoras” irregulares no Brasil. As
medidas ocorrem em um cenário de crescimento expressivo do consumo, forte apelo
nas redes sociais e pressões políticas em torno do acesso a esses medicamentos,
muitas vezes utilizados para fins estéticos.
Nos
últimos dias, a agência passou a mirar produtos importados de forma irregular,
principalmente do Paraguai, além de medicamentos manipulados fora dos padrões
sanitários. Esse mercado paralelo envolve substâncias conhecidas por marcas
como Ozempic (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida), mas comercializadas sem
registro oficial no país.
De
acordo com a Anvisa, embora mais baratos, esses produtos apresentam riscos à
saúde. A agência relata casos de falsificação e baixa qualidade. “Sem registro,
não há garantia de segurança, qualidade e eficácia”, afirmou o presidente do
órgão, Leandro Safatle.
Entre
as novas medidas, está a proposta de endurecer a fiscalização sobre os insumos
farmacêuticos utilizados por farmácias de manipulação. A regra, que deve ser
votada até o fim de abril, exige que os ingredientes sejam provenientes de
laboratórios certificados com Boas Práticas de Fabricação (CBPF). Além disso, a
Anvisa pretende reforçar a obrigatoriedade de prescrição médica individual para
a manipulação, após identificar produção em larga escala para venda em
clínicas.
A
ofensiva também envolve investigações da Polícia Federal, que apura
irregularidades no setor. Em operações recentes, foram apreendidos
medicamentos, embalagens, veículos e até uma aeronave. Mandados foram cumpridos
em 12 estados.
Após
essas ações, entidades médicas solicitaram a proibição total da venda de
canetas emagrecedoras manipuladas, alegando riscos sanitários. A Anvisa, no
entanto, afirma que a legislação permite a manipulação, desde que respeitadas
as normas vigentes.
Outra
frente de atuação foi o veto à importação e comercialização de duas marcas
paraguaias — Gluconex e Tirzedral — proibidas no último dia 14. A decisão
impede inclusive a entrada dos produtos para uso pessoal.
O
uso dessas canetas, que atuam como agonistas do hormônio GLP-1, é indicado para
tratamento de diabetes e obesidade. No entanto, o uso indiscriminado,
especialmente sem acompanhamento médico, tem preocupado especialistas.
Dados
oficiais indicam a dimensão do mercado irregular. A Receita Federal apreendeu
32,8 mil unidades desses medicamentos em 2025, frente a 2.700 no ano anterior.
Somente no aeroporto de Viracopos (SP), cerca de 1 tonelada de insumos
irregulares foi identificada desde janeiro.
O
tema também gera repercussões políticas. Há pressão por inclusão desses
medicamentos no SUS e debates sobre quebra de patentes para ampliar o acesso.
Paralelamente, o governo federal acompanha com cautela o avanço das restrições,
diante do risco de judicialização e da reação de consumidores.
A
expectativa é que a ampliação do registro de novos medicamentos no Brasil
contribua para reduzir a demanda por produtos irregulares. Atualmente, a Anvisa
analisa 16 pedidos de registro de medicamentos à base de semaglutida, cujo
patenteamento recente foi encerrado.
(Sinal
News)
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