Movimento animal denuncia mais de 400 cães em situação de abandono em aterro de Baturité

 




Um cenário de abandono e risco sanitário envolvendo centenas de cães vem sendo denunciado por um movimento de proteção ambiental na região do aterro sanitário de Baturité, a cerca de 85 quilômetros de Fortaleza. Segundo o grupo Salvem Guaramiranga, mais de 400 animais vivem em condições precárias no local.

De acordo com Monara Uchoa, representante do movimento, a situação crítica foi identificada recentemente, após uma visita à área. No entanto, ela ressalta que o problema é reflexo de uma ausência prolongada de políticas públicas voltadas ao bem-estar animal na região.

O quadro teria se agravado após o fechamento do antigo lixão municipal, quando uma colônia de cães sem raça definida (SRD) migrou para o aterro sanitário, ampliando os riscos tanto para os animais quanto para os trabalhadores.

 “Estamos diante de uma situação chocante e inaceitável. Cães comunitários são forçados a sobreviver em meio ao lixo, expostos a ferimentos, infecções e até mesmo à morte cruel por urubus, esmagados por caminhões ou vítimas de fome e frio”, relata Monara.

Ofícios e cobranças ao poder público

De acordo com os relatos, a busca por soluções junto ao poder público tem enfrentado obstáculos. A Central de Manejo e Tratamento de Resíduos Sólidos (CMTR), responsável pelo aterro, e voluntários afirmam ter enviado ofícios às secretarias municipais de Baturité, incluindo a de Meio Ambiente e a Vigilância Sanitária e Controle de Zoonoses, vinculada à Secretaria da Saúde.

Documentos obtidos pelo O POVO apontam que os animais vivem em condições insalubres, “com alto índice de fêmeas e ninhadas espalhadas pela unidade”, além de representar “exposição dos colaboradores a zoonoses e riscos de ataques”.

Além dos riscos à vida e à saúde, a presença dos animais causa danos financeiros e logísticos. Conforme a empresa, os cães têm roído e destruído cabos elétricos e de dados da balança rodoviária, equipamento vital para a pesagem e controle da operação de resíduos.

 “É um cenário de horror, de descaso e de total abandono. Apesar dos ofícios enviados à Prefeitura e das solicitações de ajuda, a resposta é o silêncio e a omissão. É um crime contra a vida e a dignidade desses animais”, afirma Monara.

Medidas propostas e temor de extermínio

A CMTR informou que busca soluções junto ao poder público municipal desde dezembro de 2025. Um pedido formal também foi encaminhado à Secretaria da Proteção Animal do Ceará (Sepa), com base na Lei Federal nº 13.426/2017, que prevê ações de controle populacional em casos críticos.

Entre as principais preocupações dos voluntários do movimento de proteção animal está a possibilidade de o município utilizar a localização do aterro, situado em uma Área de Proteção Ambiental (APA), como justificativa para o extermínio dos animais.

“Nosso medo é que o município alegue que esses animais estão comprometendo a fauna ou apresentam doenças”, diz a representante, destacando que a eutanásia não é considerada uma solução aceitável.

Entre as medidas defendidas pelo grupo estão a realização de mutirões de castração, vacinação antirrábica, vermifugação, tratamento de doenças e parcerias para resgate, abrigamento e feiras de adoção.

Empresa e voluntários adotam medidas para reduzir impactos

Apesar de se tratar de um equipamento privado, a empresa afirma que tem adotado medidas paliativas para evitar o agravamento da situação, mesmo sem ter responsabilidade direta sobre os animais.

O movimento Salvem Guaramiranga também adotou uma medida emergencial ao organizar uma campanha de arrecadação coletiva, que viabilizou a compra de sacas de ração. A iniciativa busca amenizar a situação de fome extrema enfrentada pelos animais, que até então sobreviviam do consumo de resíduos.

“A gente está dando ração, colocando água, mas é uma situação precária. Nós não temos condições de manter esses animais”, afirmou Valdir Coutinho, sócio da Central de Manejo e Tratamento de Resíduos Sólidos (CMTR).

O sócio reforça que, diante do cenário, a empresa destaca que a exposição do problema busca solução, e não responsabilização indevida.

Autarquia afirma não ter recebido ofícios e planeja inspeção

Em resposta à reportagem, o superintendente da Autarquia Municipal de Meio Ambiente de Baturité (Amab), Artur Emílio, afirmou que não tinha conhecimento prévio sobre a atual dimensão da presença de animais no aterro sanitário.

O gestor informou que pretende encaminhar uma equipe técnica ao local para avaliar o cenário. “Sendo constatada essa superpopulação de animais, podemos articular com o setor de endemias ações para tentar sanar essa situação”, declarou.

O POVO entrou em contato com a Secretaria da Proteção Animal do Ceará (Sepa) e com os órgãos citados para posicionamento sobre o caso e aguarda retorno. A matéria será atualizada assim que houver resposta.

(O Povo - Online)

(Foto: Cedidas ao O POVO / Monara Uchoa)

 

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