UFC vai lançar primeiro nanossatélite cearense no espaço em 2027
A Universidade Federal do Ceará (UFC) está produzindo o primeiro
nanossatélite cearense. A previsão é de que ele deverá entrar na
órbita da Terra em 2027.
O
equipamento desenvolvido por pesquisadores do Departamento de Engenharia de
Teleinformática da UFC conta com investimento de R$ 1,5 milhão e deve operar
a uma altitude de 550 quilômetros.
O veículo
espacial está em fase final de montagem e o projeto foi
aprovado recentemente pela Agência Espacial Brasileira (AEB).
Segundo a UFC, o objetivo do projeto é o desenvolvimento de um sistema computadorizado com proteção
contra a radiação e tolerante a falhas, possibilitando que nanossatélites
possam ter maior segurança e durabilidade no espaço.
Entenda como funciona um
nanossatélite
Menor que um satélite comum, o nanossatélite é de pequeno porte e contém
massa entre 1 e 10 quilogramas. Projetado no padrão CubeSat, o Nascerr
é um modelo geralmente utilizado devido ao seu baixo custo, custando cerca de
80 mil dólares
por unidade e construção simplificada comparada com outros tipos.
O
lançamento do projeto cearense possui um custo estimado de 150 mil dólares para
seu lançamento, já que é composto de dois cubos: um para os serviços de
potência, bateria, transmissão etc. e o payload, experimentos que
integram a missão principal do veículo.
A vida útil de um satélite costuma durar de 15 a 20 anos, entretanto, a
do nanossatélite possui uma média de 2 a 3 anos.
O principal motivo para essa baixa durabilidade se dá por conta da
radiação ionizante, danificando seus materiais e gerando alterações nos dados
dos sistemas computadorizados, induzindo a falhas críticas.
É o
que explica Jarbas Silveira, professor do Departamento de Engenharia de
Teleinformática (DETI-UFC), “Os sistemas de computador de satélites são
sistemas críticos, ou seja, se eles sofrerem alterações, isso pode causar perda
total da missão”.
Jarbas é coordenador do projeto, que está sendo idealizado no Laboratório
de Engenharia de Sistemas de Computação (LESC), do DETI.
Desta forma, a equipe coordenada por ele desenvolveu uma tecnologia
denominada de Robust Onboard Computer (Roboc), trata-se de um
computador de bordo que será usado em nanossatélites de padrão CubeSat.
O computador possui algoritmo de controle dinâmico, que garante recuperar o
sistema após falhas acarretadas pela radiação.
Missão
espacial deve começar em dezembro
De acordo com a UFC, atualmente, estão sendo realizados testes do
dispositivo de comunicação sem fio, de telemetria, o que permite à equipe
acompanhar as informações e o estado do satélite da Terra, enquanto ele está no
espaço. E de telecomando, que permite enviar comandos da Terra para o satélite.
Após a fase de testes, o modelo deve se preparar para a missão
espacial.
Segundo Silveira, a equipe de laboratório está realizando o Preliminar
Design Review (PDR), que mostra tudo relacionado a dados do projeto, como
missão, especificação, documentação técnica, desenhos, valores e testes que já
foram realizados. A avaliação da PDR
O Nascerr apresenta recursos totais de R$ 2 milhões, através de
financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq), além da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Fundação
Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap).
Do valor total, R$ 1,5 milhão foi destinado para a construção da versão
de voo do nanossatélite e R$ 500 mil para o desenvolvimento de subprodutos.
(O Povo - Online)
(Foto:
VICTOR BRAGA/UFC)
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