Brasileiros apostaram quase R$1 bilhão em bets durante Copa do Mundo
Os
brasileiros gastaram R$992,1 milhões com apostas esportivas durante
a Copa do Mundo de Futebol 2026, segundo o indicador Placar das Bets, desenvolvido pela
empresa Klavi. O valor acumulado corresponde a uma média de
aproximadamente R$ 25,4 milhões apostados em cada um dos 39 dias da competição.
O
monitoramento avaliou uma amostra de 1,2 milhão de pessoas, de diferentes
faixas de renda, sexo e regiões do Brasil, e leva em conta apenas casas de
apostas legalizadas no País, não considerando apostas realizadas em meios
clandestinos.
Embora
tenha uma das menores proporções de apostadores do país, ocupando o último
lugar entre as 27 Unidades da Federação, o Ceará acumulou 35% da população da
amostra apostando no período.
Os dados
da Klavi também mostram que as apostas alcançam diferentes perfis sociais.
Entre os apostadores identificados pela pesquisa, 64% são homens e 36% são
mulheres.
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Quando
analisadas as faixas de renda, a maior proporção de apostadores aparece
na classe A (53%). No entanto, como a maior parte da população
brasileira está concentrada nas classes C e D/E, os números absolutos de
apostadores nesses grupos também são relevantes (29%).
A
presença crescente das plataformas de apostas online tem ampliado o debate
sobre seus impactos econômicos e sociais. Atualmente, empresas do setor estão
presentes em transmissões esportivas, redes sociais e patrocínios de clubes de
futebol, ampliando a exposição do público a esse tipo de serviço.
Como as plataformas estimulam o
engajamento dos usuários
Para
compreender os mecanismos utilizados pelas casas de apostas para atrair e
manter usuários nas plataformas, o Diário do Nordeste ouviu o publicitário e
professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Chico Neto, e a psiquiatra e
pesquisadora da UFC, Luíza Weber Bisol.
Segundo
Chico Neto, as plataformas utilizam estratégias de comunicação que associam
a experiência das apostas a sensações positivas, diversão e
entretenimento.
“As bets
se vestem de um contexto da semiótica da alegria, de que tudo é bom, de que
tudo está certo, para nos envolver e trazer as pessoas para os jogos de azar”,
explica o publicitário.
A
psiquiatra Luísa Weber Bisol ressalta que, muitas vezes, os apostadores não
conseguem parar de jogar porque o vício e a vontade avassaladora de continuar
têm uma ligação direta com o cérebro. Conhecido como “sistema de recompensa”,
ele funciona de maneira bem parecida com a dependência de substâncias
químicas.
“Ele (o
ato de jogar) provoca alterações nesse circuito cerebral que
vai envolver algumas estruturas específicas que estão relacionadas a essa
gratificação que, num primeiro momento, o jogo traz”, conta.
Dentro
desse sistema de recompensa, há um neurotransmissor que tem grandes liberações
instantâneas: a dopamina. Quando o cérebro recebe grandes liberações de
dopamina, vem uma sensação de prazer instantânea que torna mais difícil sair
das plataformas.
“A gente,
talvez, tenha que buscar comportamentos que nos deem essas descargas de
dopamina e que não sejam tão destrutivos para nós”, indica Luísa.
Para além do cérebro
Para além
de questões cerebrais, o publicitário Chico Neto afirma que as bets são
projetadas tecnicamente para atrair e aprisionar os usuários até no
design. Ele cita como exemplo botões de entrar e sair e a quantidade de perdas.
“Você
não têm clareza do quanto você está perdendo lá dentro e de quanto tempo você
está dentro da plataforma. E o botão de entrar é muito mais notável do que o
botão de sair”, exemplifica.
Esses
padrões, chamados de “Dark Patterns”, são criados para que o usuário não
consiga sair do jogo. O design, porém, não é o único mecanismo: as plataformas
também investem em “chutes na trave”, quase acertos que são bem
articulados.
“Você
consegue perder em uma rodada, mas bater na trave e ir para a rodada seguinte,
de uma forma muito célere, que responde a essa ansiedade gerada pelo próprio mecanismo
da plataforma”, explica.
Saiba como e onde encontrar ajuda
especializada
Em
Fortaleza e no restante do Brasil, existem plataformas e grupos de apoio que
ajudam pessoas com vício em jogos. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza
um questionário
confidencial no qual o usuário pode descobrir se tem predisposição à
ludopatia.
Na
capital cearense, também é possível participar de encontros presenciais com
pessoas que enfrentam o mesmo problema por meio do Jogadores Anônimos. Os
encontros abertos são aos sábados, às 10h.
Os
encontros em Fortaleza ocorrem em dois locais:
- Grupo Fortaleza reúne-se às
segundas e quartas-feiras, das 19h30 às 21h30, no Centro (Rua São Paulo,
32, Sala 316).
- Grupo Iracema realiza reuniões às
quintas-feiras, das 19h30 às 21h30, e aos sábados, das 10h às 12h, na
Praia de Iracema (Av. Almirante Barroso, 949).
As
informações e inscrições podem ser obtidas pelo telefone (85) 98929-5529.
(Diário do Nordeste)
(Foto: Vlad Vasnetsov/Pexels)
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