Polícia captura oitavo envolvido na morte de turista em Jericoacoara

 



A Polícia Civil prendeu nesta terça-feira (28), no Bairro José de Alencar, em Fortaleza, o oitavo envolvido no homicídio de Henrique Marques de Jesus, de 16 anos, turista de São Paulo morto na Vila de Jericoacoara, no litoral do Ceará.

O crime aconteceu em 2024. Câmeras de segurança flagraram o momento em que o adolescente foi rendido por um grupo na madrugada de 17 de dezembro daquele ano. O corpo dele só foi encontrado no dia seguinte, boiando em uma lagoa.

Investigações da polícia apontaram que o turista foi assassinado "com extrema violência e tortura" pelo "tribunal do crime", após ser confundido como integrante de uma facção rival. Ao todo, oito pessoas foram denunciadas à Justiça pelo Ministério Público.

Conforme a Polícia Civil, a captura mais recente foi de um homem de 20 anos, que não teve a identidade informada, alvo de um mandado de prisão temporária.

Além da morte do turista, o indivíduo também é investigado por participação em outro crime de homicídio, ocorrido na última sexta-feira (24), no Bairro José de Alencar (AIS 19), na capital cearense.

"O suspeito já possui antecedentes criminais por homicídio, corrupção de menores, integrar organização criminosa e falsa identidade", disse a Polícia Civil.

Após a prisão, realizada por equipes da 7ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, o homem foi conduzido à sede do DHPP. Ele agora está à disposição da Justiça.

Relembre o caso

Em 16 de dezembro de 2024, por volta de 23h, Henrique Marques, natural de São Paulo, foi abordado por usar uma camiseta com símbolos interpretados como referência a uma facção criminosa rival a dos agressores. A abordagem ocorreu na Praia da Malhada, em Jijoca de Jericoacoara.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, Henrique teria se recusado a retirar a peça de roupa, e teve o celular confiscado:

"No aparelho foram encontradas imagens e mensagens que reforçaram a suspeita de vínculo com organização criminosa rival. A vítima foi agredida com extrema violência – socos, chutes, golpes com paus e pedras, disparos de arma de fogo na cabeça e mutilação da orelha – e não teve chance de defesa. Henrique passou por um ''Tribunal do Crime'", explicou o MP.

️ Entenda: A prática criminosa conhecida como "tribunal do crime" ocorre quando membros de uma facção sequestram, torturam e interrogam indivíduos, que eles, muitas vezes, suspeitam serem membros de um grupo rival. Em vários casos, as vítimas são condenadas à morte por chefes das facções.

A autorização para execução de Henrique partiu de um detento do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, por celular. Após o homicídio, o corpo foi transportado em um quadriciclo e ocultado na Lagoa do Paraíso.

Imagens da vítima foram compartilhadas com visualização única em um grupo de WhatsApp denominado “Transfer Jeri Fortaleza”, utilizado pelo grupo para articular crimes. O grupo responsável pela morte do turista se intitulava “Tropa do Pezão”.

Denunciados pelo MP

Em agosto de 2025, o Ministério Público ofereceu denúncia contra quatro adolescentes e os adultos Anderson Silva Veras (“Gota”), Antônio Carlos Paulino de Almeida (“Pantanal” ou “CL”), Francisco Erlânio Freitas dos Santos (“Dasarea”) e Alex Gomes da Costa (“Pezão”), que deu a ordem para a execução.

Ainda de acordo com o MP, eles responderão por homicídio qualificado, com as qualificadoras de: motivo torpe, meio cruel, tortura e impossibilidade de defesa da vítima, ocultação de cadáver e organização criminosa. Há também um agravante por envolvimento de menores de 18 anos.

Os adolescentes foram representados por atos infracionais análogos aos crimes de homicídio, com as mesmas qualificadoras: ocultação de cadáver e organização criminosa.

A denúncia foi aceita pela Justiça no mesmo mês e o grupo se tornou réu pelo crime contra o turista.

 (G1)

(Foto: Reprodução)

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