Quase 80% do CE têm alto descarte inadequado de lixo
Quase 80%
dos municípios cearenses possuem alto descarte irregular de resíduos sólidos,
conforme painel divulgado pelo Fundo
das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em parceria com a Vital
Strategies, nessa quinta-feira, 23.
Intitulada "Painel
Criança e Meio-Ambiente", a plataforma aponta que pelo menos 146
cidades do Estado devem adotar medidas imediatas para solucionar o problema de
descarte irregular de lixo.
Para obter esse dado, o Unicef realizou a proporção entre a
quantidade de lixo descartada inadequadamente nos municípios cearenses e suas
populações totais, e comparou os resultados de cada local com os de outras
cidades similares em tamanho e número de habitantes.
Veja a situação de cada município para destinação adequada de lixo
Essa comparação originou uma média para cada faixa
populacional, com os municípios muito acima dela sendo considerados de alta
prioridade e os que ficaram abaixo, baixa prioridade.
A
engenheira ambiental e sanitarista Karina Albuquerque aponta que boa parte
desse lixo que é mal destinado no Ceará vai parar em lixões, ao invés de ser
reciclado ou devidamente descartado em aterros sanitários.
"Existe coleta adequada em vários municípios no Estado
mas ainda existem cerca de 200 lixões ativos no Ceará. O Ceará avançou muito
com a criação de consórcios, implantação de aterros sanitários regionais,
centrais de reciclagem, mas infelizmente a realidade ainda é desigual quando
vemos todos os municípios", conta a mestra em saneamento ambiental.
Sem qualquer planejamento ou estrutura que permita a
separação adequada entre o lixo e o ambiente ao seu redor, esses lixões
comprometem a qualidade do solo e até da água, em locais que dispõem de lençóis
freáticos.
Essa contaminação pode ser extremamente prejudicial
para os moradores das regiões onde esses equipamentos ainda estão ativos, com
resquícios de lixo presentes na comida plantada e água consumida naquele local,
além de atrair animais nocivos ao ser humano.
"A gente sabe que historicamente no Brasil as áreas de
lixão a céu aberto não são isoladas. Tem gente que mora relativamente perto ou
o lixo está perto de fontes de água. Existe uma lista de doenças transmitidas
vetores, pela própria água, risco de contaminação por químicos...", pontua
o especialista em mudanças climáticas do Unicef, Danilo Moura.
Destinação
adequada exige cooperação entre governos
Um dos pontos destacados pela Painel é o avanço desigual
da Política Nacional de Gestão de Resíduos, lançada pelo Governo Federal em
2010 e que estabelecia caminhos para melhor destinar o lixo das cidades.
Ao todo, 65% dos municípios da região Norte do Brasil
estão em alta prioridade para a destinação de resíduos. O Nordeste vem logo em
seguida, com 42% das cidades no nível mais avançado da pesquisa.
A região Sul, por sua vez, surge como a de menor erro na
destinação do lixo, com apenas 3% dos resíduos terminando em lixões.
No dia a
dia, os recursos financeiros não são o único empecilho para se dar um destino
adequado ao lixo no Ceará.
Segundo Albuquerque, os municípios ainda sofrem com falta
de capital humano capacitado para elaborar e aplicar esses projetos, além de
enfrentarem uma falta de educação em parte da população.
"Os municípios têm dificuldade técnica, falta de corpo
técnico para executar e elaborar os projetos, baixa estrutura administrativa
nos municípios menores... a coleta seletiva em muitos municípios ainda não é
implementada... Outro ponto importante é a educação ambiental da população, a
necessidade de fortalecer os catadores... Nós já avançamos muito, mas ainda
precisamos focar nesses pontos", destaca Karina.
Sem recursos financeiros suficientes para adotar essas
medidas, muitos municípios dependem de apoio dos governos estaduais e federal
para avançar na temática.
Um dos caminhos para esse avanço seria a criação dos planos
municipais de gestão de resíduos, ferramentas que dependem diretamente da
injeção de verbas específicas para o cuidado com resíduos sólidos nas cidades.
"Estamos falando de investimento. As regiões do país
que têm os melhores resultados de gestão de resíduos são as regiões mais ricas.
Isso não é coincidência. Existe uma relação direta entre investimento de
governos e a capacidade de ter uma política de gestão de resíduos",
explica Danilo.
(O Povo- Online)
(Foto: FCO FONTENELE)
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