Tempo de permanência de jovens nas escolas cresce no Ceará

 



O número médio de anos de estudo de pessoas com 15 anos de idade ou mais teve um crescimento histórico no Ceará, indo de 8,1 em 2016 para 9,3, em 2025. O percentual mostra aumento da permanência escolar, contudo, no comparativo nacional o índice estadual recente ainda figura entre os dez menores.

As informações constam na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua: Educação 2025, divulgada no dia 19 de junho passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e considera a somatória entre o tempo de estudo e os anos letivos que foram concluídos com aprovação.

Considerando a faixa etária dos 15 anos ou mais, os índices apresentados na série histórica foram os seguintes: 2016 (8,1), 2017 (8,4), 2018 (8,7), 2019 (8,8), 2022 (9), 2023 (9,1), 2024 (9,2) e 2025 (9,3).

Os dados são das últimas oito edições da pesquisa e não apresentam informações sobre os anos de 2020 e 2021. No recorte do número médio de anos de estudo de pessoas com idade entre 15 e 17 anos, a média cearense também apresenta aumento, indo de 8,9 em 2016 para 9,7 em 2025.

O mesmo ocorre quando se observa o tempo de permanência escolar da população de 18 a 29 anos de idade, cuja média dispara de 10,26 para 11,7 dentro do mesmo comparativo de período.

No entanto, apesar de apresentar avanço, o índice de permanência dos jovens nas escolas no Ceará ainda figura em posições inferiores no ranking nacional. Considerando a idade de 15 anos ou mais, o Estado fica entre os dez do País que apresentaram os menores índices no ano de 2025.

Dez estados com menores médias de anos de estudo de pessoas com 15 anos ou mais no Brasil:

  • Paraíba: 9
  • Piauí: 9,1
  • Alagoas: 9
  • Bahia: 9,2
  • Maranhão: 9,3
  • Ceará: 9,3
  • Sergipe: 9,3
  • Rondonia: 9,5
  • Acre: 9,6
  • Pernambuco: 9,6

Fonte: IBGE/Pnad-C Módulo Educação (2025)

Com a média de 9,3 anos de estudo, o Estado aparece em sexta colocação nessa lista, ao lado de estados, em sua maioria, da região Nordeste. De acordo com Wagner Bandeira Andriola, professor do Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Federal do Ceará (UFC), o desempenho regional tem por trás fatores sociais como a pobreza, que afeta os níveis de escolaridade.

"Nós estamos falando de valores médios. Em média, um [cearense] (com 15 anos ou mais) passa nove anos na escola. Em Pernambuco, passa um pouquinho mais, quase dez anos. Então, são dados que refletem os problemas estruturais da nossa região, onde a pobreza e a baixa escolarização não permitem que nos desenvolvamos de forma mais célere", destaca o docente, em relação ao ranking nacional.

Sobre o avanço da média cearense desde 2016 até 2025, Wagner considera que houve um aumento positivo. "Os índices são bons, indicam que a educação pública cearense está em um bom caminho e demonstram que os nossos jovens permanecem e têm êxito escolar durante mais tempo", pontua.

Contudo, ele destaca que números ainda revelam evasão escolar e devem ser melhorados.

"Se uma criança entra na idade certa na escola, ela entra aos sete anos, com nove anos de escolarização ela terminaria o ensino fundamental, portanto, o que essa média nos revela é que a população cearense, com 16 anos ou mais, em tese, terminou o ensino fundamental. Isso é bom ou é ruim? É bom e é ruim. Isso significa que nós estamos comemorando que em média os nossos cidadãos terminam o ensino fundamental. Convenhamos, isso é muito pouco, é uma vitória muito pequena. Nós queremos mais. Para aonde vão esses jovens? Continuam na escola? Estão no ensino médio? Chegam às universidades ou inserem-se no mercado de trabalho para exercer funções subqualificadas?", questiona.

"Estamos em uma curva ascendente. É algo a se comemorar. Embora nós tenhamos que ter parcimônia, muita consciência de que esses dados podem e devem melhorar e muito", pondera.

Conclusão do ensino médio e o desafio do desinteresse

No recorte do ensino médio, os dados da Pnad mostram um cenário positivo para o Ceará em relação aos demais estados brasileiros. Um levantamento feito pela Organização Não Governamental (ONG) Todos pela Educação, cruzando dados disponibilizados pela pesquisa recente do IBGE, mostram que a taxa de conclusão dessa faixa de ensino entre jovens cearenses de 19 anos está em 76%.

O índice fica acima da média nacional, de 74,3%, e figura em quinta colocação no ranking nacional, ficando atrás de Roraima (85,9%), Goiás (84,5%), São Paulo (84%) e Distrito Federal (78,4%).

Dez maiores taxas de conclusão do ensino médio no Brasil em 2025:

  • Roraima (85,9%)
  • Goiás (84,5%)
  • São Paulo (84%)
  • Distrito Federal (78,4%)
  • Ceará (76%)
  • Rio de Janeiro (76,4%)
  • Amazonas (76,1%)
  • Paraná (75,3%)
  • Pernambuco (75,2%)
  • Minas Gerais (74,2%)

Daniela Mendes, coordenadora de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, destaca que esses resultados são geralmente provocados por diversas variáveis, frisando que o Ceará tem mostrado maturidade nas políticas de educação, o que acaba contribuindo para um cenário positivo.

"É um estado que vem priorizando educação já tem algum tempo e as políticas acabam que vão alimentando e trazendo esse impacto que a gente observa quando faz esse recorte", pontua, citando como fatores aplicados um maior engajamento dos alunos no ensino integral e na educação profissional técnica.

No entanto, ela pondera que mesmo o índice positivo mostra que há desafios no Estado, uma vez que o esperado é que todos os jovens concluam o ensino médio.

De maneira geral, Daniela destaca que uma das maiores barreiras para o avanço dessa taxa nos estados brasileiros tem sido o desinteresse da parte dos jovens em relação aos estudos.

Os índices da Pnad mostram que 92,1% das pessoas com idade entre 15 e 17 anos no Brasil estavam frequentando a escola em 2025. A falta de interesse foi indicada por 3,7% dos entrevistados como principal motivo para a ausência na escola e a necessidade de trabalhar por 1,7% desse grupo.

"Chama atenção que mesmo entre os mais pobres a necessidade de trabalhar chega inclusive a ser menor que a falta de interesse. Isso mostra pra gente a necessidade de articular a educação com outras políticas públicas. Pra gente garantir que esse jovem enxergue a escola como uma parte importante. A escola precisa ter sentido pra o estudante e a gente tem o desafio hoje ainda de garantir não só que o aluno esteja na escola como que ele esteja aprendendo e vendo sentido", destaca a coordenadora. 

Em nota enviada a Secretaria da Educação do Ceará (Seduc) disse desenvolver um conjunto de políticas e estratégias voltadas à permanência e ao sucesso escolar dos estudantes da rede pública estadual, ações que têm contribuído para a "redução contínua do abandono escolar no ensino médio".

"De acordo com o Censo Escolar 2025, a taxa de abandono no Ceará foi de 1,5%, significativamente inferior à média nacional, de 2,6%. Em 2012, esse índice era de 11%, evidenciando os avanços alcançados ao longo dos últimos anos", destaca a pasta.

O órgão cita que entre principais estratégias adotadas estadualmente está "o acompanhamento sistemático da frequência e do rendimento dos estudantes", que permite identificar precocemente "situações de risco" e adotar intervenções para garantir que estudantes permaneçam nas escolas.

"Outra ação de destaque é o projeto Professor Diretor de Turma, por meio do qual um professor acompanha de forma mais próxima uma turma ao longo da trajetória escolar, fortalecendo o vínculo com os estudantes e suas famílias, monitorando a frequência, o desempenho acadêmico e outros fatores que possam comprometer a continuidade dos estudos. A iniciativa contribui para intervenções pedagógicas e socioemocionais em tempo oportuno, favorecendo a permanência e a conclusão da educação básica", diz.

"Além disso, os estudantes da rede estadual elegíveis são contemplados pelo Programa Pé-de-Meia, iniciativa do Governo Federal que concede incentivo financeiro vinculado à matrícula, à frequência escolar e à conclusão do ensino médio. O programa representa um importante estímulo para a permanência dos jovens na escola e para a redução do abandono escolar", completa pasta.

Taxa de analfabetismo tem queda no Brasil e no Ceará

A Pnad Contínua também aponta que no ano passado o Brasil tinha 8,4 milhões de pessoas analfabetas, o que correspondia a um índice de 4,9%. Essa é a primeira vez que a métrica ficou abaixo de 5% desde 2016, no entanto, índices mostram que o País ainda não erradicou o analfabetismo, meta que havia sido prevista pelo Plano Nacional de Educação (PNE) para ser atingida até 2024.

No recorte dos estados brasileiros, o Ceará tinha em 2025 um total de 823 mil pessoas de 15 anos ou mais que não sabiam ler e escrever, ficando atrás somente da Bahia, que tinha 1.145 milhões.

Estados com os cinco maiores números de pessoas analfabetas em 2025:

  • Bahia (1.145 milhões);
  • Ceará (823 mil);
  • Pernambuco (763 mil);
  • São Paulo (700 mil);
  • Minas Gerais (652 mil).

Fonte: IBGE/Pnad-C Módulo Educação (2025)

No recorte de cor, de todas as pessoas analfabetas no Ceará no ano passado, 162 mil eram brancas e 654 mil consideradas pretas ou pardas. No geral, mais da metade (455 mil) tinha 60 anos ou mais de idade.

Já em relação à taxa de analfabetismo, o estado cearense apresentou índice de 11,1% em 2025. No comparativo dos oito anos da série histórica observada, esse percentual mostra queda e se apresenta como o menor de todos os anos. A taxa ao longo do período analisado é de: 2016 (14,4%), 2017 (13,5%), 2018 (12,5%), 2019 (12,8%), 2022 (12,1%), 2023 (11,5%), 2024 (11,8%) e 2025 (11,1%).

 (O Povo - Online)

(Foto: DANIEL GALBER/ESPECIAL PARA O POVO)

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