Temporada de ventos no Ceará começa em agosto
Com
o fim da quadra chuvosa no Ceará, o Estado se prepara para o início da temporada
de ventos. Entre os meses de junho e julho, as chuvas e a nebulosidade
reduzem e a velocidade dos ventos começa a aumentar, atingindo maiores
intensidades nos meses de agosto e setembro.
A
gerente de meteorologia da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos
Hídricos (Funceme), Meiry Sakamoto explica que o fenômeno é provocado pelo
afastamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) para o norte e
pela aproximação de sistemas de alta pressão vindos do oceano.
“Os
pescadores até reclamam, não é só a velocidade que aumenta, mas a própria
direção predominante do vento começa a mudar”, ressalta Meiry, detalhando que
os ventos passam a vir das direções sul e sudeste, em vez do nordeste.
Por
não possuir obstáculos naturais, a faixa litorânea do Estado tende a ser
mais afetada pela intensidade do fenômeno. No interior, a continentalidade
e a presença de serras, por exemplo, atuam como barreiras, tornando a
velocidade menos expressiva que na costa.
“Em
Fortaleza, se a gente usar os dados do Instituto Nacional de
Meteorologia, por exemplo, em julho, a gente chega a 11,5 km/h e em agosto
chega a 14 km/h na média. Claro, são dados de uma série temporal de 30 anos de
dados. E em setembro chega a 16,4 km/h”, detalha.
E
compara: “Tauá, em julho 11 km/h, em agosto 12,1 km/h. Em setembro,
chega perto de 13 km/h. Lá para o Cariri, em Barbalha, em julho, 9 km/h;
agosto, setembro, não muda muito. Fica na casa dos 9 km/h. Em Guaramiranga,
na serra, também tem ventos fortes, mas também não aumenta tanto, é em torno de
8,5 km/h agora em julho e chega a 9 km/h em agosto e setembro.”
Para este ano, a gerente de meteorologia explica que, com a influência do El Niño, as previsões indicam
que a intensidade dos ventos deve se manter
na média ou até maior, devido à chamada interação oceano-atmosfera.
“Atmosfera mais aquecida, de cara você vai pensar: ‘Cadê
as minhas nuvens?’. Provavelmente vai ter menos nebulosidade nesse segundo
semestre. Já tem mesmo. Muita radiação solar disponível, já tem mesmo. Então,
há uma tendência que talvez essas, que a gente tem chamado de ondas de calor,
se tornem mais frequentes. E aí, junto com isso, nesse combinado aí de
condições meteorológicas, é possível que a velocidade dos ventos também se
torne esses números médios”, especifica.
Prefeitura realiza ações
preventivas durante a temporada de ventos
Na tarde
da quarta-feira, 22, um galho de oitizeiro (Licania
tomentosa) caiu em cima de um carro na rua Jornalista Daniel Carneiro Jop,
no bairro José Bonifácio. Para evitar acidentes relacionados ao aumento da
velocidade dos ventos, a Prefeitura de Fortaleza intensifica uma série de ações preventivas durante esta época do
ano, a principal delas é a poda de
árvores.
A
Autarquia de Urbanismo e Paisagismo de Fortaleza (UrbFor) informou, em nota,
que realiza ações permanentes de visitas técnicas e manejo da arborização
urbana durante todo o ano.
Em
2026, até o dia 17 de julho, a UrbFor realizou 9.401 podas preventivas.
Em relação ao recolhimento de árvores caídas, a pasta contabilizou 537
recolhimentos até o dia 14 de junho.
Segundo
a autarquia,
as ações preventivas incluem a realização de podas para redução do peso das
copas, além da supressão de árvores que apresentam risco. A gerente do
setor de poda e recolhimento de árvore da UrbFor, Sara Cardoso, reforça que a
ação só é realizada após a avaliação técnica da situação.
A
definição das árvores que recebem poda é feita por meio de análise
fitossanitária em campo, considerando aspectos como presença de galhos secos
ou hemiparasitas, estado das raízes, inclinação do tronco, sinais de brocas,
volume da copa e possíveis conflitos com o mobiliário urbano.
Questionada
sobre as denúncias de podas irregulares, a autarquia informou que esse tipo de
situação costuma acontecer com podas particulares. Em regra, a gerente do setor
explica que é retirada no máximo 30% da copa, preservando a saúde e a
capacidade de recuperação da árvore.
“A
gente observa a saúde da árvore, se ela tem algum galho seco, presença de algum
parasita e geralmente é indicado uma poda de limpeza para retirada desses
galhos afetados. No caso do corte, é quando a árvore tem um risco iminente de
queda, ou então um dano severo na raiz, no caule ou então uma árvore muito
inclinada. São basicamente esses critérios que os agrônomos seguem na hora de
emitir um laudo”, detalha a especialista, destacando que o resultado costuma
ficar pronto em até 30 dias.
Em
situações onde existe o risco iminente de queda, geralmente provocado
por dano severo na raiz, no caule ou inclinação excessiva, a profissional
informa que a intervenção exige obrigatoriamente um laudo técnico
assinado por engenheiros agrônomos.
Conforme
a UrbFor, os serviços de poda são executados em todas as regionais ao longo
do ano. Em julho, os mutirões ocorreram nas avenidas Mozart Pinheiro de
Lucena, no bairro Vila Velha, e Barão de Studart, na Aldeota. “As próximas
frentes de trabalho estão sendo definidas conforme a operação Capital Limpa e
Ordenada”, reforça a nota.
A
equipe alerta para a importância da realização de podas regulares, já
que intervenções muito drásticas, com o objetivo de deixar a árvore por mais
tempo sem poda, podem causar sua morte.
Além
disso, é preciso ficar atento quanto à responsabilidade pelos resíduos gerados
durante as podas. Em caso de árvores localizadas em áreas particulares, o
proprietário deve apresentar um plano
de gerenciamento de resíduos sólidos, evitando o descarte irregular e a criação
de pontos de lixo, considerando um problema "crônico" após esse
tipo de serviço.
A gestão municipal afirma realizar outras ações preventivas
durante a temporada de ventos. No bairro Cais do Porto, foram iniciadas medidas de contenção com
o plantio de salsa-da-praia para reduzir o avanço da areia e minimizar o
soterramento dos equipamentos do calçadão.
Diariamente, são executadas a varrição de areia acumulada sobre as vias e ciscagem da
faixa de areia nas orlas do Pirambu,
Barra do Ceará, Praia do Futuro, Cais do Porto e Sabiaguaba, pela
Coordenadoria Especial de Apoio à Governança das Regionais (Cegor).
Moradores
avaliam a importância das podas para a segurança e o bem-estar da comunidade
Sentado na calçada, o comerciário aposentado Gleidson
Marcos Barreto Girão, 65, acompanhava atento a poda de limpeza de uma mangueira
(Mangifera indica) e uma
jasmim (Plumeria rubra), na
manhã da quarta-feira, 22. Ambas foram plantadas por ele logo após se mudar
para a região, em 1989.
As mudas foram trazidas da casa de sua irmã, do bairro
Messejana. Inicialmente, a ideia era plantar castanholas (Terminalia catappa), mas o
comércio conta que preferiu a mangueira por considerá-la mais segura e menos propensa à
queda.
Ao observar as árvores sendo cortadas, ele admite que sente
"pena", mas reconhece os benefícios do serviço. "Por um lado é bom,
porque fica claro, mas pelo outro tem um sol mais tarde que vai entrar aqui na
minha casa", pondera aos risos.
O aposentado conta que já havia solicitado o serviço à
Prefeitura anteriormente por conta de alguns galhos grandes, que acabavam empurrando os postes de energia e
causando pequenos curtos-circuitos.
"Aí fica aquele negócio, a Prefeitura não faz a parte
elétrica, só faz a parte que não tem eletricidade. Mas hoje, graças a Deus,
eles cortaram ali e ficou tudo bem clarinho", relata.
Na avenida I, no bairro Prefeito José Walter, as equipes
realizavam a supressão de uma árvore
durante o mutirão. Moradora da região desde criança, a aposentada Rosalba
Bernadete Guimarães, 87, aguardava sua oração, sentada à sombra de uma outra
árvore.
Por lá, ela avalia a importância do serviço de poda
como fundamental para deixar a área mais livre, facilitando a passagem de
carros e pedestres, assim como a visibilidade
das placas de sinalização da região.
A solicitação de vistorias em árvores com risco de
queda pode ser feita por meio da Central
156, pelo e-mail protocolo@urbfor.fortaleza.ce.gov.br
ou presencialmente nas Centrais de
Acolhimento das Secretarias Regionais.
Em caso
de queda de árvores, deve-se
encaminhar fotos da ocorrência e o endereço completo para o WhatsApp da UrbFor (85) 98682-2269. O atendimento ocorre de segunda a sábado, das 7h às 16h. Fora
desse horário, a orientação é acionar o Corpo
de Bombeiros, por meio do telefone 193.
(O
Povo - Online)
(Foto:
Aurélio Alves)
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