Açaí avança no Ceará e mantém Limoeiro do Norte entre os maiores produtores

 



O cultivo de açaí vem conquistando espaço na agricultura do Vale do Jaguaribe e já coloca municípios da região entre os principais produtores do Ceará. Limoeiro do Norte alcançou 178 toneladas em 2025 e ficou na terceira posição estadual, enquanto Russas também aparece entre os dez municípios cearenses com produção registrada. Os dados são da Produção Agrícola Municipal (PAM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A produção cearense chegou a 746 toneladas no ano passado, resultado 22,5% superior às 609 toneladas registradas em 2024. Apesar de representar uma parcela pequena do mercado nacional, o avanço mostra a expansão de uma cultura que passou a ser contabilizada oficialmente no Estado em 2022.

Naquele primeiro ano, seis municípios produziam açaí e o volume estadual foi de 475 toneladas. Em 2023, o cultivo já alcançava sete municípios e a produção subiu para 671 toneladas. O crescimento ocorreu paralelamente à ampliação da área cultivada e à entrada de novas cidades na atividade.

Limoeiro entre os maiores produtores

Limoeiro do Norte ocupa posição de destaque nesse cenário. Com 178 toneladas em 2025, o município ficou atrás apenas de Paracuru, com 222 toneladas, e Tianguá, que alcançou 180 toneladas.

O desempenho de Limoeiro do Norte ganha relevância dentro da agricultura regional, marcada pela presença de áreas irrigadas e pela produção de frutas. O município também apresentou o maior valor de produção entre os municípios cearenses destacados na atividade, alcançando R$ 1,428 milhão em 2025, conforme os dados do IBGE.

Russas também integra a lista dos dez municípios produtores do Ceará. Em 2025, o município registrou 24 toneladas e valor de produção de R$ 204 mil, reforçando a presença do Vale do Jaguaribe na expansão da cultura.

Tianguá amplia produção

Na liderança estadual está Paracuru, que produziu 222 toneladas em 2025. O município, entretanto, apresentou redução em relação às 300 toneladas colhidas em 2023, quando alcançou o maior volume registrado até então no Ceará.

Tianguá assumiu a segunda colocação estadual após mais que dobrar sua produção. O município passou de 77 toneladas em 2024 para 180 toneladas em 2025.

Além de Paracuru, Tianguá e Limoeiro do Norte, o cultivo está presente em Ibiapina, Ubajara, Russas, Viçosa do Ceará, Uruburetama, Cascavel e Horizonte. Ao todo, são dez municípios responsáveis pela produção estadual registrada na PAM.

Demanda estimula novos cultivos

O aumento do consumo de açaí e a valorização de seus derivados, como polpa e pó, estão entre os fatores que ajudam a explicar a expansão da cultura. A atividade também passou a ser considerada por produtores que buscam alternativas agrícolas com maior retorno econômico.

Segundo análise do setor agropecuário, o Ceará reúne condições favoráveis para o cultivo irrigado. Municípios que já possuem experiência com fruticultura, incluindo áreas do Baixo Curu e do Vale do Jaguaribe, vêm incorporando o açaí ao conjunto de culturas comerciais.

Ceará ocupa a nona posição nacional

Mesmo com o crescimento, a participação cearense ainda é pequena diante da produção brasileira. Em 2025, o Ceará respondeu por cerca de 0,03% do total nacional e ficou na nona posição entre os estados produtores.

Ao todo, 15 estados brasileiros registraram produção de açaí. O Pará permanece isolado na liderança, com mais de 1,87 milhão de toneladas em 2025, equivalente a 92,88% da produção nacional, que alcançou aproximadamente 2,01 milhões de toneladas.

A Região Norte concentra praticamente toda a produção brasileira. Os sete estados da região produziram cerca de 2 milhões de toneladas em 2025, representando aproximadamente 99% do volume nacional.

No Ceará, os números mostram uma trajetória diferente, mas de crescimento contínuo desde 2022. A participação de Limoeiro do Norte e Russas nesse processo evidencia que o Vale do Jaguaribe também começa a ampliar sua presença em uma cadeia produtiva que tradicionalmente tem forte concentração na Amazônia.

(Portal folha do vale)

(Foto: Reprodução)

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