Ceará está propenso a nova onda de calor em setembro
O
Ceará está propenso a ter uma nova onda de calor ao longo deste mês de
setembro. A última vez que o evento esteve sob o Estado foi em janeiro deste
ano, quando os termômetros atingiram máximas de 39,8°C, no município
de Penaforte.
De
acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme),
diversas cidades na região do Sertão Central e Inhamuns, em especial nos
arredores de Tauá, têm apresentado uma tendência de temperaturas de até 3°C
acima do normal durante este fim de semana.
Por
definição, a Funceme considera onda de calor uma sequência de pelo menos três
dias com temperaturas 3°C ou mais acima do comum.
A gerente de meteorologia da Fundação, Meiry Sakamoto,
ressalta que as atuais condições de El Niño, ativas desde junho deste ano,
aumentam a possibilidade de ondas de calor no Estado, devido à baixa umidade e
ao aumento de temperatura do ar.
"A temperatura do ar acaba subindo junto com
isso [El Niño]. No caso do Ceará, para esse segundo semestre, a configuração
dessas águas muito mais quentes que o normal no Pacífico podem sim afetar nossa
condição de temperatura do ar e provocar temperaturas mais altas e talvez uma
configuração de ondas de calor aqui no Estado", afirma Sakamoto.
Altas temperaturas
exigem cuidados com a saúde de crianças e idosos
Mais vulneráveis a mudanças drásticas de
temperatura que adolescentes e adultos saudáveis, os idosos e crianças precisam
ser observados com atenção especial durante uma eventual onda de calor.
No caso
da terceira idade, os cuidados devem ser de hidratação constante e atenção para sinais físicos como a
coloração da urina, produção de saliva e mucosa ocular.
"Ela
[urina] deve estar clarinha, quase translúcida. Se o idoso estiver urinando clarinho
é sinal de que está bem hidratado. A saliva precisa estar fluida e também
clarinha, e a mucosa do olho bem hidratada. Mas o mais fácil de perceber é a
cor da urina. Percebeu que está ficando amarelada, precisa ofertar
líquido", pontua a geriatra Lenora Barros.
A
médica também explica que o líquido precisa ser ofertado constantemente para o
idoso devido à baixa sensibilidade a sede que esse público possui. Por
demorarem mais a sentir vontade de beber água, eles estão mais propensos à
desidratação durante temperaturas elevadas.
Também
é possível prevenir situações de mal estar ou sensações de calor com o uso de
roupas adequadas e arejamento dos ambientes que o idoso irá frequentar.
"Roupa
levinha, de preferência tecidos não sintéticos. Algodão, linho... o que estiver
dentro da possibilidade do paciente. Manter o ambiente arejado. Janelas
abertas, se tiver ar-condicionado manter em uma temperatura agradável, se tiver
ventilador manter o ventilador ligado, evitar locais abafados ou com incidência
direta do sol, evitar banhos mornos ou quentes e hidratar", conclui a
profissional.
No
caso das crianças, os riscos são para desidratação, irritabilidade, hipotermia
e queimaduras na pele devido a longas exposições ao sol.
Segundo
especialistas, o comportamento das crianças é um sinal de possíveis problemas
devido ao calor. Jovens que costumam ser agitados e estejam muito quietos podem
estar sob grande estresse térmico.
"Fisicamente
também observar se a boca e a língua estão secos, se a criança está com muita
sede, se diminuiu a quantidade de urina e a coloração, ausência de lágrimas
quando chora... Crianças maiores também podem sentir náusea, tontura, dor de
cabeça, vômito e câimbra. Nos bebês deve ser observada a moleira se está funda
e se a criança começa a diminuir a mamada", pontua a pediatra Vanuza
Chagas.
Para
evitar esses e outros problemas com o calor, a médica orienta que os
responsáveis ofereçam água constantemente para as crianças, que durante
brincadeiras ou outras atividades podem esquecer de se hidratar.
As
demais orientações são similares a dos idosos, com roupas frescas, ambientes
arejados, consumo de outros líquidos além de água, como sucos e menor exposição
ao sol.
"Se for se
expor ao sol, mesmo cedinho, lembrar de usar foto protetor. Crianças a partir
dos seis meses de idade podem usar. Se proteger com chapéu e roupinhas que
tenham fotoproteção. Um alerta também é criança dentro de carro fechado. Mesmo
por poucos minutos, a criança pode desmaiar", conclui Chagas.
(O Povo- Online)
(Foto: Fábio Lima)
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