Jaguaribe enfrenta avanço da desertificação em meio a calor extremo e seca prolongada
O município de Jaguaribe, no Vale do Jaguaribe,
enfrenta desafios ambientais associados às altas temperaturas, à redução das
chuvas e à perda de vegetação nativa. A combinação desses fatores aumenta a
vulnerabilidade do solo à degradação e ameaça atividades como a agricultura e a
criação de animais.
Em 31 de outubro de 2023, Jaguaribe registrou 41,9 °C,
a maior temperatura já observada no Ceará até então. O calor intenso, porém,
não é um fenômeno isolado na cidade, onde os termômetros frequentemente
alcançam marcas próximas de 40 °C, sobretudo no segundo semestre.
Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos
Hídricos (Funceme), características geográficas e condições climáticas
ajudam a explicar as temperaturas elevadas. Entre elas estão a pouca formação
de nuvens, a redução das chuvas e o ciclo conhecido como B-R-O-Bró, período
tradicionalmente mais quente no Ceará.
Com menor cobertura de nuvens e pouca umidade no solo, a
radiação solar aquece diretamente a superfície, elevando a temperatura do ar.
Fenômenos climáticos como o El Niño também podem contribuir para o
aumento do calor em determinados períodos.
A vegetação da Caatinga, adaptada às condições
semiáridas, perde parte das folhas durante a estação seca. Quando esse processo
se combina com a degradação da cobertura vegetal e a exposição do solo, aumenta
a vulnerabilidade ambiental da região.
Seca e degradação do solo
O problema ganha dimensão diante do avanço da seca no Ceará.
Dados divulgados pela Funceme em outubro indicaram que 89% do território
estadual apresentava condições de seca fraca ou moderada, ante 29% em junho
de 2026.
Jaguaribe integra o Núcleo do Médio Jaguaribe, uma
das áreas suscetíveis à desertificação no Ceará. Nesse cenário, períodos
prolongados sem chuva e ondas de calor aceleram a perda de umidade do solo e
dificultam a recuperação da vegetação.
A retirada da cobertura vegetal e o uso intensivo da terra
também podem agravar o processo. Com a degradação, o solo perde qualidade,
prejudicando a regeneração natural e reduzindo as condições necessárias para a
produção agrícola e a manutenção dos rebanhos.
(Portal folha do vale)
(Foto: Reprodução)
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