Governo do Ceará promove desmonte do Sine/IDT, reforça organização gestora do órgão


A Organização por Local de Trabalho (OLT do IDT), entidade representativa dos trabalhadores do Sine/IDT, pede espaço neste Blog. Isso, depois que aqui replicamos Editorial do O POVO (Sine/IDT: em nome da coerência) sobre a situação do órgão e resposta do Governo do Estado.

Em respeito à verdade, diz a OLTdo IDT, apresentamos os seguintes comentários acerca da resposta oficial, também em contrapontos:

1º) O que o estado chama de “processo um redimensionamento do equipamento para facilitar a vida do usuário”, que está em curso, é um embuste. Na verdade, trata-se da continuidade do desmonte do Sine/IDT.

2º) As evidências disso são incontestáveis: o órgão está sendo esvaziado desde 2015. Em 2017 suspendeu a Pesquisa Mensal de Emprego e Desemprego, na RMF, interrompendo série histórica de produção de indicadores do mercado de trabalho metropolitano de mais de três décadas, essencial para a compreensão da dinâmica desse mercado, que concentra 2/3 dos empregos, das empresas e do PIB do estado.

3º) Depois veio o cancelamento de projetos e ações estratégicas executadas na área de qualificação profissional, atividade fundamental para o bom funcionamento de um Sistema Público de Emprego, quando integrada à intermediação de mão de obra, ao seguro-desemprego e às ações de fomento à geração de emprego, trabalho e renda.

4º) O estado afronta a opinião pública quando sustenta que esse desmonte facilitará a vida do usuário dos serviços do SINE/IDT. É impossível reduzir a rede de atendimento em quase cinquenta por cento (fechamento de 14 Agências), demitir um terço do quadro técnico-administrativo do órgão, alguns com mais de quinze anos de serviços prestados, e obter ganhos para as clientelas atendidas.

5º) Todavia, o governo fala a verdade quando diz que o Sine/IDT é uma instituição de direito privado, mas esconde que ele e todas as Organizações Sociais parceiras na execução de políticas públicas do estado são tratados como entes públicos. Na definição dos seus cargos de direção, por exemplo, prevalecem indicações políticas, muitas vezes sem critérios técnicos e alheias aos interesses dessas instituições, impedindo inclusive que seus técnicos de carreira ascendam a esses cargos, por competência e mérito.

6º) Com relação ao uso de aplicativos, há tempos foi disponibilizado pelo governo federal o SINE Fácil, cuja utilização é precondição para o cofinanciamento das ações desse Sistema com os entes federados. Sua utilização ainda é baixa. Estudo do BIRD divulgado em 2018 atestou maior efetividade do atendimento presencial para segmentos da força de trabalho que historicamente têm maiores dificuldades de inserção laboral.

7º) Em tempos de desemprego agudo é um equívoco reduzir a oferta dos serviços do SINE, debilitando as políticas do trabalho e seu principal instrumento de execução – o SINE/IDT, em vez de priorizá-las e expandi-las para mitigar os efeitos negativos da desocupação.

8º) Por fim, é inexplicável que um o governo que se proclama aberto ao diálogo, até hoje não tenha recebido a representação dos trabalhadores, que sempre lutou em defesa da instituição para um debate aberto e franco sobre o seu futuro.

*A Diretoria da OLT do IDT

Fortaleza, 13 de maio de 2019.
(Foto – Divulgação)
(Blog do Eliomar)
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