Barraca de doces que viralizou na Expocrato é fiscalizada após denúncia de golpes
Uma barraca
de doces na Expocrato 2026 virou polêmica nas redes sociais e rendeu uma série
de denúncias por prática abusiva de preços. O estande, um
entre os autorizados a atuar no Parque de Exposições Pedro Felício
Cavalcante, no Crato, passou por fiscalização do Ministério Público do
Ceará na última quinta-feira (16) após o caso repercutir nas redes sociais.
Segundo
denúncias de consumidores, o estabelecimento teria cobrado valores
considerados exorbitantes por pequenas quantidades de produto,
mesmo sem expor quanto custaria cada grama vendida dos doces.
Vídeos
publicados nas redes sociais mostram que o espaço trabalha com uma espécie de
"self-service" de doces, cabendo ao cliente escolher o tamanho do
pedaço desejado. A questão, entretanto, seria o fato de que os valores estariam
ultrapassando os R$ 100, independentemente do tamanho da fatia vendida.
"Pedi
para cortar duas tiras de doce. Quando fui pagar, deu R$ 182. Meu marido estava
até sem jeito e ia levar, mas o atendente começou a xingar a gente.
Ficamos com ódio e fomos embora", relatou uma suposta consumidora em vídeo
sobre o caso no Tiktok.
Conforme
detalhes divulgados pelo Ministério Público, uma equipe da unidade
regional do Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon) de
Juazeiro do Norte, junto com a Coordenadoria do Decon do Crato, foi encaminhada
ao evento para averiguar a situação relatada.
O
órgão aponta que a fiscalização verificou a ausência de uma exibição clara
sobre o valor dos doces. Além disso, os produtos não possuíam
indicação de tamanho ou peso, enquanto "os clientes compravam as porções
dos doces sem saber quanto custaria".
Em nota
oficial sobre o caso, o MPCE explicou que há a obrigatoriedade
de que a quantidade e a qualidade do produto estejam expressas de modo visível
ao consumidor. "O adequado é a pessoa ver um produto e
saber o que corresponde a 100g para pedir um tamanho parecido a ser
pesado", aponta o promotor de Justiça Thiago Marques no material
decorrente da fiscalização.
O órgão
ainda ressaltou que o consumidor não deve ser coagido a finalizar a compra em
qualquer circunstância.
Após a
fiscalização, o Ministério Público recomendou uma série
de melhorias do estande, incluindo a disponibilização de
informações detalhadas sobre o que está sendo comercializado. "Caso o
estabelecimento não faça as adequações, poderá ser interditado", concluiu
o órgão.
Doceria se manifesta
Diante da
repercussão do caso, o estabelecimento, identificado como Doceria Deleites,
manifestou-se sobre as denúncias dos consumidores. Segundo o comunicado, nenhum
golpe foi aplicado durante as vendas na Expocrato 2026.
"A
gente nunca enfrentou nada parecido com o que está acontecendo aqui,
mas entendemos que muitas pessoas podem não entender o que falamos lá na hora
da venda", afirmou um representante da barraca.
Segundo ele, que se identificou como Fausto, cada 100g de doce custa
R$ 19,90, com o quilo sendo vendido a R$ 199. "A pessoa
tem a liberdade de escolher a fatia que ela quer levar para casa. Ela escolhe
porque a gente não tem como mensurar em uma barra de 25 kg uma fração de 100 g
exata, por exemplo", argumentou.
No vídeo,
ele ainda afirma que os vendedores explicam aos compradores que, após o corte
do doce, não é possível trabalhar com ele novamente. "A vigilância sanitária
nos instrui a isso", disse, citando que as informações serão repassadas
durante as vendas.
(Diário do Nordeste)
(Foto: Reprodução/TikTok)
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