Estudo da Uece e Cogerh aponta mudança na nascente do rio Jaguaribe.
O estudo indica
que a nascente do maior e mais importante rio do Ceará não é em Tauá, mas em
Mombaça. A nova indicação modifica o que aprendemos nos livros didáticos.
Quem
estudou a geografia cearense aprendeu que a nascente do maior e mais importante
rio do Estado, o Jaguaribe, é na serra da Joaninha, em Tauá, na região
dos Inhamuns. A informação, que está nos livros didáticos, terá que
ser modificada.
Pesquisa
realizada pelo Laboratório de Cartografia Digital e Geotecnologia
(LCDG) da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e por técnicos da Companhia
de Gestão de Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh) aponta o morro
da Lagoa Seca, na Serra das Pipocas, como o local onde nasce o rio
Jaguaribe.
A
nascente do Jaguaribe fica entre os limites dos municípios de Tauá, Pedra
Branca e Independência. Dessa forma, a extensão real do rio é ainda
maior, 680 km. Nos livros e nos mapas estão assinalados 652km.
O estudo
técnico “Expedição científica ao alto curso do Rio Jaguaribe (Ceará):
identificação da nascente do possível maior rio temporário do mundo”
foi publicado na última edição do Caderno de Geografia, editado pela Pontifícia
Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais.
Os
técnicos utilizaram equipamentos modernos, GPS e drones para identificar a
verdadeira nascente do rio Jaguaribe. “Com essa nova expedição, identificamos
que a nascente fica no Riacho Carrapateiras, na Serra da Lagoa Seca,
município de Mombaça, aproximadamente no serrote do morro, em uma área
maior chamada de Serra das Pipocas”, explica o professor da Uece, membro do
LCDG e integrante da expedição, João Silvio Dantas de Morais.
Para o
pesquisador, Dantas de Morais, “o trabalho muda todo o histórico geográfico da
nascente do Jaguaribe”. O professor esclarece que “a nascente é o local
onde a água subterrânea atinge a superfície, dando origem a um rio, a um curso
de água” e reforça o ensinamento afirmando que “o que determina uma
nascente de um rio é justamente a nascente mais distante de sua foz, e no caso
do Jaguaribe é o Oceano Atlântico, na região do município de Fortim, litoral
Leste do Ceará”.
Definir a
nascente principal de um rio é importante por questão de precisão geográfica,
registro histórico e aspecto econômico. A bacia do Jaguaribe,
que é dividida em alta, médio e baixa, ocupa mais de 50% do território
cearense, abrangendo mais de 80 municípios. O curso de água do chamado ‘Rio das
Onças’ é barrado pelos dois maiores reservatórios do Ceará, o Castanhão e o
Orós.
A pesquisa se estende desde 2019 e os pesquisadores fizeram duas visitas à
cidade de Tauá, percorrendo trechos da Serra da Joaninha e o vale dos rios
Trici e Carrapateiras, afluentes do Jaguaribe.
Riachos e
fazendas foram também visitados, em busca de uma definição mais precisa da
origem do curso d’água, com auxílio de pesquisa documental, bibliográfica,
entrevistas informais com moradores da região, além de levantamento técnico
geodésico e topográfico com utilização de drones.
Marco
Em novembro
de 2017, o Diário do
Nordeste publicou com exclusividade matéria em que revela estudo feito pelo
escritório regional da Cogerh, em Iguatu, sobre a localização da
nascente do rio Jaguaribe, que poderia ser alterada.
Historicamente,
a Serra da Joaninha, em Tauá, seria a nascente do Jaguaribe, a partir do Rio
Trici. O Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece)
e a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene)
apresentam cartografia das décadas de 1970 e 1980, corroborando com a tradição
geográfica.
No
município de Tauá, no alto sertão cearense, há um marco zero,
instalado a cerca de 5Km da sede urbana, no encontro dos rios Trici e
Carrapateiras, como indicativo da nascente do Jaguaribe. “Acredito que a origem
é em outras regiões, mais elevadas, e não nesse ponto, que é mais um atrativo
turístico”, observou Anatarino Torres, chefe do escritório regional da Cogerh.
“Não queremos polemizar, mas contribuir para uma definição mais precisa da
nascente do Jaguaribe”.
(Diário do Nordeste)
(Foto: Divulgação)
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