Quase metade dos idosos faltaram à aplicação da dose de reforço contra a Covid-19 em Fortaleza.
Ao todo, 16.246 pessoas desse
público não compareceram às unidades de saúde da Capital.
Em seis
ocasiões de agendamento para aplicação da dose de reforço da vacina contra a
Covid-19 em Fortaleza, 16.246 idosos não compareceram às unidades de saúde - o que
corresponde a 46,5% dos agendamentos. Queda na imunidade e
fragilidade de pessoas com idade avançada ao coronavírus evidencia a relevância
de completar a imunização.
A
aplicação da dose de reforço dos imunizantes começou a ser feita na Capital no
dia 25 de setembro para a população geral acima de 70 anos e com período de, no
mínimo, seis meses de diferença da aplicação da segunda dose. Ao todo, foram
feitos 34.942 agendamentos até o dia 1º de outubro - com comparecimento de
18.696 (53,5%) pessoas.
Os dados são da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) tabulados pelo Diário do
Nordeste a partir do quantitativo de agendamentos e do número de idosos
presentes na aplicação da dose de reforço divulgado no Vacinômetro do
Município.
Estudos
internacionais mostram que a 3ª dose da vacina se torna relevante porque a
imunidade contra a Covid-19 se reduz em cerca de seis meses da última dose da
vacina em idosos e imunossuprimidos. “As pessoas que não estão recebendo essa
vacina ficam mais desprotegidas para se contaminar e ter uma doença mais grave
do que as pessoas que recebem esse reforço”, explica o médico infectologista,
Keny Colares.
O médico
alerta sobre a pandemia se comportar como ondas e alerta para a possibilidade
de aumento dos casos da doença com parcela da população desprotegida. “Com a
redução dos casos e da sensação de perigo, as pessoas buscam menos informação e
já consideram que o problema está resolvido. Parte não recebeu a informação
sobre o reforço e outros acham que não precisam porque acham que a pandemia foi
embora”, analisa.
A
gente está nesse momento de aparente calmaria, redução do número de casos e as
pessoas que receberam a vacina se sentem protegidas, mas essa proteção vai
reduzindo com o passar do tempo
Keny Colares
Médico Infectologista
O
Ministério da Saúde reduziu a idade mínima para o recebimento da dose de
reforço, de 70 para 60 anos em anúncio feito no dia 28 de setembro. Além do
público, profissionais da saúde e imunossuprimidos - como pacientes em
quimioterapia ou hemodiálise - também são atendidos para a nova aplicação. Para
o reforço da imunização, são priorizadas as vacinas da Pfizer, Janssen e Astrazeneca.
Nesta
quarta-feira, 1.600 pessoas estão agendadas para receber a 3ª dose do
imunizante. Amanhã (7), mais 2.992 idosos poderão garantir o reforço na
vacinação. As pessoas com imunossupressão devem atualizar o cadastro no site Saúde Digital com condição
clínica para entradas nas listas.
ATENÇÃO AOS IDOSOS
As listas
com agendamentos se tornaram notificações constantes na casa do economista
Fernando Antônio, de 53 anos, onde mora a mãe, de 79 anos, e os tios, de 82 e
83 anos. Os três idosos receberam o reforço na imunização no mesmo dia. “Foi
motivo de alívio e satisfação, porque a gente não estava esperando - pensávamos
que as duas doses iam ser suficientes. Quando surgiram os estudos para a
terceira dose eu fiquei muito animado”, lembra.
Os
cuidados com uso de máscaras e álcool em gel permanecem como rotina para os
idosos e a aplicação da dose de reforço traz mais segurança para a família.
“Minha mãe e minha tia se mantêm em casa, meu tio é mais de sair para ir ao
mercado e resolver as coisas, mas sempre com os cuidados, como desde o começo”,
detalha Fernando Antônio.
A
Secretaria da Saúde de Fortaleza foi procurada para detalhar as ações voltadas
a evitar as ausências nas doses de reforço e de alerta à população sobre a
relevância de comparecer às unidades de saúde. Até a publicação desta
reportagem, não foi encaminhada resposta, mas a SMS articula entrevista com
representante da Pasta para o repasse das informações.
(Diário do Nordeste)
(Foto: Fabiane de Paula)
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