Ex-jogadores do Santos reverenciam Pelé em velório: "É insuperável"
Começou o velório de Pelé
na Vila Belmiro nesta segunda-feira, 2. Grandes amigos do Rei do Futebol
compareceram ao estádio do Peixe para se despedir do craque. Na chegada à casa alvinegra, alguns nomes históricos do
Alvinegro Praiano falaram com a imprensa e relembraram momentos marcantes com
Edson Arantes do Nascimento, que morreu na última quinta-feira.
Parceiro de Pelé no Santos
e na Seleção Brasileira, Lima exaltou a qualidade do ídolo santista e destacou
o quanto ele era venerado até mesmo por rivais.
"Eu fiquei 11 anos,
durante todas as viagens da Seleção Brasileira e do Santos, dividindo o quarto
com ele. E nós trocávamos muita ideia, porque era absurdo a forma que veneravam
ele. Não que ele não merecesse, merecia até mais pelo que ele fazia, mas nos
pegou de surpresa, e pegou ele também", disse o ex-jogador de 80 anos.
"O que chamava
atenção era o poder de decisão que ele tinha. Ele podia até estar marcado por
dois ou três adversários. A gente brincava, se tem dois ou três marcando ele,
tem dois ou três sobrando. Alguns pegavam ele, principalmente os uruguaios e
argentinos. Mas o mais bacana é que mais tarde, os uruguaios e argentinos, que
foram os que mais sofreram com ele, foram se render. Igual a ele não vai ter,
eu duvido que apareça. Mesmo você treinando todos os dias, fazendo as mesmas
coisas. Ele é ele e acabou", ampliou.
O ex-volante Clodoaldo,
por sua vez, tentou explicar o tamanho de Pelé para as pessoas que não
conseguiram o acompanhar nos gramados mundo a fora.
"Nós que acompanhamos
futebol, sabemos que existe um dúvida em relação aos mais jovens que não
puderam ver o Pelé jogar. Sempre tem alguém que pergunta: 'O Pelé era tudo isso
mesmo?' Se você juntar um pedacinho de todos os grandes craques que existem no
futebol mundial hoje, talvez eles consigam chegar no nível do Pelé. Só assim
para explicar para os mais jovens que tenham alguma dúvida da capacidade
técnica e e física dele. É insuperável", contou.
"É difícil descrever
todos os momentos que a gente estava junto. Nós estávamos sempre juntos. Depois
do futebol, nossa relação como amigos continuou, não parou. Depois que largou o
futebol ele veio ser diretor aqui no Santos, nos ajudou muito, sem nenhum
interesse em lucro. Esse era o Pelé. Um cara que vai deixar muita saudades",
acrescentou.
Multicampeão com o Santos,
Clodoaldo ainda revelou que esteve com o ex-camisa 10 recentemente em um
restaurante.
"Eu estive com o Pelé
num restaurante recentemente. Ele ainda estava conseguindo andar, com
dificuldades, mas estava. Estive com ele no Museu Pelé também. Ele estava muito
bem, e tivemos aquele papo de sempre, relembrando os bons tempos. A gente
guarda muitas lembranças", finalizou.
Grande amigo de Pelé,
Manoel Maria também compareceu à Vila Belmiro e salientou a eternidade do tricampeão
mundial.
"Ele não vai morrer
dentro de mim. O Pelé é eterno, mas o Edson vai ficar sempre aqui comigo. É uma
questão de gratidão. Fico até emocionado e me fogem até as palavras. Eu estou
muito abalado com tudo isso. Não tendo dormido direito", disse.
(O Povo- Online)
(Foto: Nelson Almeida/AFP)
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