Oito mulheres são mortas em uma semana no Ceará
Oito mulheres foram mortas no período de 31 de dezembro de
2023 à madrugada de 5 de janeiro. Os casos foram registrados em Fortaleza,
Ubajara, Amontada, Caucaia e Maracanaú, os dois últimos municípios localizados na
Região Metropolitana de Fortaleza. Na Capital, os crimes ocorreram nos bairros
Planalto Ayrton Senna, Vila Peri e Jacarecanga.
Em Maracanaú, na comunidade Jagatá, uma mulher teria
sído atraída para o território da facção e colocada dentro de uma residência
para ser executada. Ela tentou fugir, no entanto foi atingida por disparos de
arma de fogo. O caso foi registrado na quarta-feira, 3.
Em Caucaia, ainda na quarta-feira, 3, a vítima
usava tornozeleira eletrônica e foi alvo de uma execução.
No mesmo dia, no município de Ubajara, a 326
quilômetros de Fortaleza, uma mulher de 46 anos foi morta no Mercado Público.
Seis pessoas foram presas suspeitas da ação criminosa.
Em Amontada, a 174 quilômetros de Fortaleza, na
Praia dos Caetanos, uma mulher foi morta a tiros. Ela morreu no local do crime.
A identificação da vítima não foi informada. Caso também registrado na
quarta-feira, 3.
Em Fortaleza, Eliane Damasceno da Silva, de 65 anos, foi
morta a tiros, no bairro Vila Peri. Ela chegou a
ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. Os levantamentos iniciais
apontaram que Eliane, conhecida como dona Vanda, foi executada a mando de
uma facção criminosa em represália à filha dela, que é considerada chefe
de uma facção rival no bairro Vila Peri.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa
Social (SSPDS) confirmou a morte da mulher, que foi encaminhada a uma unidade
de saúde, onde não resistiu aos ferimentos. O caso é investigado
pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Na quinta-feira, 4, houve uma ação no bairro Planalto Ayrton
Senna, durante a madrugada desta sexta-feira, 5, que vitimou uma
mulher.
Ainda em Fortaleza, uma travesti, de 23 anos de idade, foi morta no
bairro Jacarecanga. A SSPDS informou que a vítima foi
encontrada sem vida, com sinais de violência, em via pública. A 4ª Delegacia do
DHPP investiga o caso.
A última morte, em 2023, de vítima do sexo feminino ocorreu no
dia 31 de dezembro. A mulher foi morta na calçada de uma residência
enquanto aguardava a virada, em Maracanaú. Maria Claudiana Uchoa tinha 46 anos
de idade. Além dela, o cunhado também foi atingido e morreu. As mortes foram
confirmadas pela SSPDS. O caso é investigado pela Polícia Civil.
Sobre os outros casos, a reportagem aguarda resposta da pasta da
Segurança.
"Se havia algum respeito por
idosos e mulheres e algum limite que delimitava o perfil da vítima, hoje não há
mais"
Dentro do contexto de casos de mulheres mortas, que estão relacionados
com organizações criminosas, o pesquisador do Laboratório de Estudos da
Violência da Universidade Federal do Ceará e colunista do O POVO,
Ricardo
Moura explica que há duas linhas que podem explicar esses fênomenos, sendo
uma a mudança de perfil das vítimas. "Se havia algum respeito por idosos e
mulheres e algum limite que delimitava o perfil da vítima, hoje não há
mais", ressalta.
Ainda
é observado pelo especialista que, nos últimos anos, há um incremento de
mulheres na população total de vítimas. O percentual de mulheres vítimas de
assassinato tem aumentado.
Há uma outra linha citada por Ricardo Moura que é a de que muitas
mulheres mantém as atividades das organizações criminosas quando os
companheiros são presos. "Não sabemos se inicia com o marido solto ou
preso, mas a participação feminina tem aumentado. Quando a gente pega caso de
prisões de mulheres, o tráfico de drogas é um fator determinante", explica.
O pesquisador exemplifica que no caso específico da mulher de 65 anos,
que foi morta, são dois fatores que se somam: um deles é a vítima que é uma
pessoa idosa, que não há mais restrição nas organizações criminosas para que
ela seja morta. E o outro fator é o envolvimento da filha nessa atividade
criminosa.
Aumento
de mulheres presas por integrar organização criminosa
Em 2021, o número de mulheres presas por integrar organização criminosa,
pessoalmente ou por interposta pessoa, aumentou 65,1% em relação ao ano de
2020. A estatística é da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança
Pública da SSPDS.
O dado é referente aos meses de janeiro a outubro de 2020, quando foram
registradas 43 prisões; e de 2021, que contabilizou 71 casos. Enquanto isso, na
mesma época, o número de prisões de homens com base na Lei das Organizações
teve uma diminuição de 4,3%, sendo 442 prisões em 2020 e 423 em 2021.
(O Povo- Online)
(Foto: MAURI MELO/O POVO)
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