Ceará teve pico de infecções por vírus da bronquiolite em abril
Em abril, o vírus sincicial respiratório (VSR) foi o
agente etiológico que mais causou síndromes respiratórias agudas graves (SRAG)
no Ceará.
O dado é de informe epidemiológico divulgado pela Secretaria da Saúde do Estado
(Sesa) em 9 de maio.
O patógeno é um dos causadores da bronquiolite, uma
inflamação das pequenas vias aéreas dos pulmões que acomete principalmente
crianças.
Ao
todo, de 6 de abril até 3 de maio (da semana epidemiológica 15 a 18), 1.056
casos de (SRAG) foram notificados no Ceará. Os municípios com maior número de
casos são Fortaleza (246) e Sobral (175).
O grupo etário mais acometido é o de crianças de até 4 anos,
concentrando 64% dos casos (678). Entre elas, 266 são bebês de até seis meses.
O pico das infecções por VSR em 2025 ocorreu entre os
dias 20 e 26 de abril, na semana epidemiológica 17. O Estado registrou 34,4% de
positividade para o vírus no período.
Uma redução no número de casos é notada a partir dos primeiros
dias de maio. “Houve realmente um aumento de casos de bronquiolite no
estado do Ceará, mas epidemiologicamente os dados estão mostrando que estamos
entrando no início de queda dos casos”, afirma a secretária da Saúde do Estado,
Tânia Mara Coelho.
Segundo ela, o Estado fez um redimensionamento e redistribuição de leitos
entre os hospitais, além de uma parceria com a Prefeitura de Fortaleza, local
com maior quantidade de casos.
“Fortaleza está abrindo os postos de saúde no final de semana para
contemplar esses pacientes. Porque muitas crianças não têm indicação de
hospital, e aí podem ser acompanhadas [nos postos]. É importante tratar
precocemente para não complicar”, explica.
Casos graves e internações mais
longas
Para a pediatra Kathiane Moreira, os casos graves de bronquiolite estão
mais numerosos em 2025. A profissional relata atender pacientes com necessidade
de internações mais longas e insuficiência respiratória, principalmente entre
bebês.
“Acredito que a gente está com mais vírus circulando ao mesmo tempo. Com
o surto do vírus sincicial, nós tivemos o surto também de Influenza A. Tem
crianças que acabam se contaminando com os dois”, explica.
Conforme o boletim epidemiológico da Sesa, um aumento da incidência do
Influenza A começou a ser registrado também em abril. Tânia Mara afirma que a
circulação começou a aumentar mais tarde do que de costume. “Geralmente é no
final de fevereiro e início de março.”
Além disso, Kathiane relembra que a vacina contra o VSR para gestantes
só foi incorporada ao Sistema Único de Saúde neste ano. De acordo com
o Ministério da Saúde, a previsão é que o imunizante seja disponibilizado no
segundo semestre.
Ainda não há vacinas contra o vírus sincicial disponíveis para crianças.
Apenas aquelas que nasceram prematuras ou com comorbidades graves podem receber
um medicamento com anticorpos que ajudam a inibir a infecção pelo agente
etiológico.
Apesar disso, a vacina da gripe já é uma grande aliada
contra as síndromes respiratórias agudas graves na infância. “É importante que
os responsáveis levem as crianças para se vacinar. A gente protege que a
criança tenha uma gripe e isso venha a complicar com uma infecção bacteriana,
que precisa de internamento em alguns casos”, diz a secretária da Saúde.
Sinais de alerta e cuidados com
infecções respiratórias em crianças
Kathiane alerta para que qualquer sintoma de desconforto
respiratório seja levado a sério e encaminhado a um pediatra. “Precisa
ser avaliado a frequência respiratória, padrão respiratório, saturação, estado
geral da criança”, afirma.
Além de sintomas comuns, como tosse e coriza, a médica indica verificar a
presença de sibilância (chiado no peito) e respiração
acelerada (mais de 60 vezes por minuto).
Também não é recomendada a visita para recém-nascidos ou bebês de até
seis meses caso a pessoa apresente algum sintoma gripal. Durante a aproximação
com os bebês, usar máscaras e lavar as mãos com sabão.
(O
Povo - Online)
(Foto:
Tony Winston/Agência Brasília)
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