Brasil pode registrar até 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028

 



O Brasil caminha para um cenário de forte impacto do câncer na saúde pública. Projeções divulgadas pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que o país poderá registrar, nos próximos anos, uma média de 781 mil novos casos da doença anualmente até 2028. Os dados fazem parte do estudo Estimativas 2026-2028, apresentado nesta quarta-feira, 4 de janeiro, durante evento em alusão ao Dia Mundial do Câncer.

Entre os diagnósticos mais frequentes, o câncer de mama segue como o mais comum entre as mulheres, enquanto o de próstata lidera entre os homens. Somados, esses dois tipos representam cerca de um terço de todos os casos estimados. Na sequência aparecem os tumores de cólon e reto e os de pulmão, que também figuram entre os mais incidentes no país.

Quando os casos de câncer de pele não melanoma, caracterizados por alta ocorrência e baixa letalidade, são retirados da conta, a previsão cai para aproximadamente 518 mil novos diagnósticos por ano. Ainda assim, os números reforçam o avanço da doença como uma das principais causas de adoecimento e morte no Brasil, cada vez mais próxima das enfermidades cardiovasculares, que ainda ocupam o primeiro lugar no ranking.

Segundo o Inca, o crescimento da incidência torna o planejamento em saúde ainda mais estratégico. Para o chefe da Divisão de Vigilância e Análise de Situação do instituto, Luís Felipe Martins, as estimativas são fundamentais para orientar políticas públicas e estruturar a rede de atendimento. Ele avalia que, mantida a tendência atual, o câncer pode se tornar a principal causa de morte no país nos próximos anos.

O levantamento também detalha os tipos de câncer mais comuns. Entre as mulheres, o câncer de mama deve concentrar cerca de 178 mil novos casos anuais, seguido por cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide. Já entre os homens, a estimativa aponta aproximadamente 77 mil novos diagnósticos de câncer de próstata por ano, além de altas ocorrências de tumores colorretais, de pulmão, estômago e cavidade oral.

As taxas de incidência não são homogêneas no território nacional. Regiões como Sul, Sudeste e Centro-Oeste apresentam os maiores índices ajustados, em geral associados a maior desenvolvimento socioeconômico. No Norte, o cenário difere em alguns aspectos: o câncer de estômago aparece como o segundo mais frequente entre os homens, e o de fígado figura entre os cinco principais, o que não se repete no panorama nacional.

Entre as mulheres, o câncer de mama lidera em todas as regiões, variando apenas a posição ocupada pelos cânceres de cólon e reto e de colo do útero, conforme a localidade. Para a coordenadora de Prevenção e Vigilância do Câncer do Inca, Márcia Sarpa, o avanço do câncer colorretal é um dos maiores desafios atuais, e já motivou a elaboração de novas diretrizes de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce.

Durante o evento de lançamento do estudo, autoridades nacionais e representantes de organismos internacionais destacaram que o enfrentamento da doença exige uma resposta integrada. Para a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), combater o câncer passa por fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e garantir equidade no acesso à prevenção e ao tratamento.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou que os dados divulgados ampliam a urgência de ações voltadas à prevenção e à detecção precoce. Segundo ele, a mobilização de gestores, profissionais de saúde e da sociedade será decisiva para reduzir o impacto da doença e salvar vidas nos próximos anos.

(Portal folha do vale)

(Foto: Reprodução)

Notícia mais recente
Próxima notícia

Deixe seu comentário

Postar um comentário

Ads

Ads 2

Ads Tengah Artikel 2