Ceará lidera taxa de assassinatos no país e expõe avanço da violência em 2025

 



O Ceará encerrou 2025 no topo do ranking nacional de mortes violentas proporcionais à população. Com uma taxa de 32,6 assassinatos por 100 mil habitantes, o estado mais que dobrou a média brasileira, estimada em 15,97, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O resultado contrasta com a tendência nacional de queda, que registrou redução de 11% em relação a 2024.

Ao longo do ano, foram contabilizadas 3.022 mortes violentas no estado. Desse total, quase 97% correspondem a homicídios dolosos, quando há intenção de matar. Em todo o país, o número chegou a 34.086 ocorrências. Especialistas apontam que o cenário cearense é resultado da combinação de diferentes formas de violência, com destaque para os conflitos entre facções criminosas e o crescimento dos feminicídios.

Os assassinatos de mulheres tiveram aumento de 14,63% no estado, alcançando 47 casos, o maior número desde que o crime passou a ser contabilizado oficialmente, em 2018. Pesquisadores associam esse avanço a fatores estruturais, como o machismo e relações de poder dentro do ambiente doméstico, onde a maioria desses crimes ocorre. Em geral, os autores mantinham ou mantêm vínculos afetivos com as vítimas, o que reforça o caráter de violência de gênero.

Paralelamente, a disputa territorial entre organizações criminosas tem sido determinante para os índices elevados de homicídios. Grupos como Comando Vermelho (CV), Terceiro Comando Puro (TCP) e Massa ou Tudo Neutro (TDN) disputam áreas estratégicas para o tráfico e, mais recentemente, para atividades como extorsão de comerciantes e controle de serviços básicos. A dissolução da facção Guardiões do Estado (GDE) e a chegada de grupos de fora intensificaram os confrontos, especialmente na Região Metropolitana de Fortaleza.

A Grande Fortaleza concentrou 54% das mortes violentas registradas no Ceará em 2025. A capital lidera o ranking estadual, com 742 vítimas, seguida por Caucaia, Maracanaú, Sobral e Maranguape. Segundo especialistas, a expansão das facções para municípios do interior busca ampliar o domínio territorial e facilitar o acesso a armas e drogas.

O governo estadual reconhece a existência de disputas entre grupos criminosos, mas nega que haja controle efetivo de territórios por facções. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) afirma que houve redução de 7,7% nos Crimes Violentos Letais e Intencionais em comparação com 2024 e destaca ações como prisões interestaduais, combate financeiro às extorsões, ampliação de delegacias especializadas e investimentos em políticas de proteção às mulheres.

Para pesquisadores, o comportamento dos índices nos próximos anos dependerá da reorganização dessas facções. A eventual redução dos confrontos armados pode levar a uma queda nos homicídios, mas há o alerta de que isso não necessariamente reflete maior presença do Estado, e sim a imposição de hegemonia de um grupo criminoso sobre os demais.

Enquanto isso, o avanço da violência de gênero permanece como um dos pontos mais sensíveis do cenário cearense. Apesar do aumento nas prisões e das medidas protetivas, especialistas avaliam que as políticas públicas ainda enfrentam dificuldades para alcançar áreas marcadas pela atuação do crime organizado, onde o acesso das redes de proteção é limitado.

(Portal folha do vale)

(Foto: Reprodução)

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