IFCE premia aluna por mapear áreas de risco em sangria do açude Cedro

 



Aos 23 anos, Rayssa Morais Brito foi destaque em premiação do Instituto Federal do Ceará (IFCE) na última quinta-feira, 26. A estudante conquistou o 1º lugar na categoria Bacharelado ao apresentar uma modelagem técnico-científica de área que pode ser afetada em caso de sangria do Açude Cedro, no município de Quixadá.

Intitulado “Simulação da mancha de inundação resultante do vertimento do Açude Cedro, Quixadá-CE”, o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Engenharia Ambiental e Sanitária foi orientado pelo professor Delfábio Teixeira.

“O Açude Cedro tem grandes proporções e já sangrou (transbordou) seis vezes, mas a última sangria foi em 1989. Então, de 89 para cá, houve um crescimento significativo da população e urbanização, com a instalação de residências, comércios, restaurantes, a UFC, o IFCE, que ficam bem na linha do sangrador”, explica Rayssa.

O estudo previu a necessidade de simular o possível impacto de uma nova sangria na região — “Ninguém tinha registro nenhum sobre o comportamento das águas ali”, completa.

Para o professor Delfábio Teixeira, o desejo de realizar a simulação da mancha de inundação resultante da sangria do açude Cedro era antigo, mas dois elementos faltavam para o estudo: uma base de dados robusta e confiável e um orientando que reunisse as características necessárias para levar a cabo a pesquisa. 

"Em março de 2024 iniciei, efetivamente, a orientação da Rayssa e naquele semestre foram obtidos os resultados de estimativas de chuvas extremas. (...) Em junho de 2024, finalmente a equipe da Cogerh (Companhia de Gestão de Recursos Hídricos) desembarcou em Quixadá com os equipamentos necessários para o levantamento. Foi um momento de muita alegria, pois sabíamos que a qualidade dos dados agora disponíveis em nossas mãos resultaria em um produto muito satisfatório", explica. 

Aluna premiada por mapear áreas de risco em sangria do acude Cedro: conheça pesquisa

As simulações estimaram o avanço da água em cenários diversos de chuva para identificar as áreas mais vulneráveis, além de zonas seguras em situações de emergência.

Com o apoio do campus Quixadá, Rayssa contou com o auxílio da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (COGERH), por meio da Gerência Regional de Quixeramobim.

“Foi um aerolevantamento para a geração da nossa base topográfica, que foi um modelo digital de superfície com uma precisão magnífica, para que a gente conseguisse de fato simular o comportamento das águas nas condições do terreno de uma forma mais real”, detalha a estudante.

Sobre a premiação do IFCE, Rayssa relembra os incentivos de seu orientador, Delfábio Teixeira, para a inscrição do projeto. Foi graças ao professor que recebeu as boas notícias: o primeiro lugar em sua categoria.

Delfábio conta que, em setembro de 2025, quando descobriu o prêmio TCC IFCE, que premiaria os melhores trabalhos de toda a instituição no Estado do Ceará, não hesitou em encorajar a aluna a inscrever o trabalho, "por ter a percepção da relevância e qualidade da pesquisa". 

"Justamente em uma semana de notícias tão trágicas como os eventos extremos de Juiz de Fora-MG, vemos claramente que a capacidade de simular cenários futuros como os do presente trabalho oferecem oportunidades valiosas para o poder público quebrar o paradigma da reatividade impotente para o planejamento responsável. Estamos felizes em poder oferecer nossa pequena contribuição nesse sentido", completa o professor. 

(O Povo - Online)

(Foto: Rebeca Cavalcante)

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