Alunas do IFCE criam dispositivo acessível contra violência à mulher
Com o Ceará
entre os estados brasileiros de maior crescimento percentual em feminicídios de
2021 a 2025*, um trio de estudantes do campus Limoeiro
do Norte do Instituto Federal do Ceará (IFCE) propôs uma contribuição para
alterar as estatísticas. A iniciativa é um dispositivo eletrônico que permite
às vítimas acionar ajuda de forma discreta em casos de
violência.
As
alunas responsáveis, Kauana Chaves, Sabrina Andrade e Ingrid Sobreira, têm 17
anos e fazem parte do 3º ano do curso técnico em Química da instituição de
ensino. O projeto, desenvolvido sob a orientação do professor Francisco
Holanda, apresenta dois segmentos: um centro de controle fixo e um aparelho
externo, semelhante a um chaveiro.
O dispositivo é capaz de enviar alertas aos contatos
cadastrados, além de compartilhar a localização e áudio. Já os dois aplicativos
em fase de teste variam — um pode ser acessado pelo celular, enquanto outro,
instalado em computador, deve eliminar a presença do aparelho móvel ao ser
acionado por um gesto da mão.
A
ideia inicial era usar uma tecnologia que “não fosse visível a olho nu”: o
infravermelho, usado em controles remotos de TV, foi considerado. Conforme o
projeto avançou, o grupo destaca que a utilização do infravermelho “seria
inviável”, já que precisaria de um foco muito específico.
“Agora estamos estudando a possibilidade de usar tecnologia de ondas de
rádio. A gente está trabalhando nessa premissa e pretende colocar um componente
chamado LoRa. Ele vai substituir o sistema atual, e o LoRa tem um alcance muito
grande. Alguns chegam a alcançar quilômetros de distância”, explica Kauana.
Outros
materiais também são usados na composição, como a protoboard, jumpers e o LED
de infravermelho. Todos são componentes de baixo custo, fator que se encaixa
com o objetivo das estudantes de oferecer um aparelho acessível.
"O projeto mostrou que elas conseguem usar conhecimentos de ciência
e tecnologia para resolver um problema social real e relevante, desenvolvendo
para tanto, um pensamento científico voltado para criar e aplicar ideias de
natureza tecnológico e científica como soluções para chagas sociais",
descreve o professor de Física e orientador, Francisco Holanda.
Os alunos de Mecatrônica da institituição e um ex-aluno do IFCE também auxiliaram
na produção da iniciativa.
Trio espera garantir apoio
governamental para a continuidade do projeto
As adolescentes apresentaram seu
projeto na Milset Brasil, uma feira internacional que acontece em Fortaleza. No
ano passado, também estiveram na Mostratec (feira de ciência e tecnologia),
alcançando o segundo lugar no evento.
“Eu tive uma experiência muito legal durante a Mostratec. Durante as
feiras, quando a gente apresenta o projeto para outras mulheres que já passaram
por alguma experiência de violência, muitas delas comentam que, por terem
vivido esse tipo de situação, dispositivos como esse seriam algo muito útil
naquele momento de desespero”, diz Ingrid.
Ao
relembrar o desenvolvimento da iniciativa, Sabrina Andrade também possui
memórias positivas, como os formulários de avaliação para a utilidade da ideia.
“A gente aplicou esses questionários em uma escola, perguntando se o projeto
seria útil, e a maioria respondeu que sim”, recorda.
Um apoio governamental é outro ponto ressaltado por Kauana. Ela explica
que, como estudantes, ainda precisam conciliar a pesquisa com a vida pessoal e
nem sempre conseguem “focar 100%” no projeto.
“Tem a questão do investimento e das exigências legais e éticas, porque
não podemos simplesmente chegar e tentar implementar algo assim”, aponta.
“Afinal, vamos estar lidando com vidas humanas, com pessoas que já estão em
situações de violência. Não podemos oferecer algo sem ter certeza de que vai
funcionar, sabe?”
(O Povo- Online)
(Foto: Diogenilson Aquino/IFCE)
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