Ceará lidera redução de evasão escolar com programa Pé-de-Meia
A cada quatro jovens que iriam evadir na ausência do programa Pé-de-Meia, um deixa de abandonar o ensino médio
em função da bolsa de estudo oferecida e o Ceará é líder na redução do abandono
escolar. A pesquisa foi publicada nesta sexta-feira, 13, com a obra “Bolsas de
estudo e evasão: avaliação de impacto ex-ante”.
A
estimativa prevê que o acesso de jovens de famílias em situação de
vulnerabilidade ao Pé-de-Meia reduza em 6,3 pontos percentuais a taxa de evasão
desse grupo. O incentivo financeiro-educacional é descrito pelo Ministério da
Educação (MEC) como uma “poupança para promover a permanência e a conclusão
escolar” durante o ensino médio público.
No Ceará, o impacto do programa sobre a taxa de evasão composta de
estudantes em famílias vulneráveis foi “substancialmente mais elevado”,
alcançando 10 pontos percentuais.
A redução mínima necessária na taxa de evasão para que o Pé-de-Meia tenha
uma relação custo-benefício favorável é de 2,5 pontos percentuais. O estudo
concluiu que essa relação é atingida em “todas as unidades da Federação”.
Elaborada pelo Centro de Evidências da Educação Integral (CEEI), uma
parceria entre o Insper, Instituto Sonho Grande e o Instituto Natura, a
publicação é de autoria de Ricardo Paes de Barros, Laura Muller Machado, Samuel
Franco e Laura Almeida R. de Abreu.
O
livro utiliza a abordagem de avaliação de impacto ex-ante, responsável por
estimar o impacto esperado de políticas públicas antes ou durante sua
implementação.
Concentração dos
pagamentos no 3ª ano do ensino médio tende a elevar a eficácia do programa
As estimativas apresentadas consideram que, quanto mais concentrados
estiverem os benefícios no último ano, maior a eficácia esperada do programa.
Em
relação específica ao Pé-de-Meia, a concentração do repasse no 3º ano do ensino
médio, dos atuais 56% para 75%, impactaria a taxa de evasão dos jovens em
situação de vulnerabilidade. A redução passaria de 6,8 para 7,6 pontos
percentuais.
“Ao avaliarmos o Pé-de-Meia, encontramos que a bolsa de estudo aumenta a
permanência escolar e reduz a evasão. Seu sucesso será ainda maior em uma
escola que acolha os sonhos dos jovens e ofereça um ensino de qualidade que
faça sentido para seus projetos de vida. O livro une rigor científico à
urgência de enfrentar as desigualdades educacionais no Brasil”, diz em nota uma
das autoras, Laura Muller Machado.
De acordo com o informe, o desenvolvimento da obra partiu de um diálogo
contínuo com o setor público entre 2022 e 2025. O processo abrangeu “a
capacitação técnica de gestores de 21 secretarias estaduais de educação e
representantes do MEC, além de outros momentos in loco com estados dispostos a
aprimorar seus incentivos financeiros-educacionais”.
O
grau de complementaridade entre o Programa Pé-de-Meia e os programas estaduais
de bolsas de estudo já existentes também foi avaliado pelo estudo.
Segundo a análise aponta, em média, o impacto adicional sobre a taxa de
evasão, com a adoção do Pé-de-Meia em um estado que já possui um programa
próprio, é, em geral, muito similar ao que ocorreria caso o estado não contasse
com esse programa.
Em outras situações, como no Piauí, a operação conjunta (o programa
Poupança Jovem, que está inativo atualmente, aliado ao Pé-de-Meia) culminaria
em uma redução na taxa de evasão três pontos percentuais superior à soma dos
impactos dos programas, se operados de forma isolada — “Essa redução adicional
representa cerca de 30% do impacto total gerado pela atuação conjunta dos dois
programas”, reflete o levantamento.
(O Povo- Online)
(Foto: FCO FONTENELE)
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