Ceará tem 4º maior salário inicial de professores do Nordeste, aponta estudo

 



Professores da rede estadual do Ceará estão entre os mais bem remunerados no início da carreira no Nordeste. Levantamento divulgado pelo Movimento Profissão Docente mostra que o Estado ocupa a quarta posição regional quando consideradas as remunerações iniciais com gratificações.

De acordo com o estudo, o salário-base para uma jornada de 40 horas semanais é de R$ 4.961,73, valor ligeiramente acima do piso nacional do magistério, fixado em R$ 4.867,77. Quando incluídos os adicionais pagos aos docentes, o rendimento inicial chega a R$ 6.839,11, o que coloca o Ceará também entre os dez maiores salários iniciais do país.

A Secretaria da Educação do Ceará (Seduc) explica que o valor pago aos professores é composto por três elementos obrigatórios: vencimento-base, Gratificação de Regência e Parcela Variável de Redistribuição (PVR). Segundo a pasta, esses componentes são permanentes, integram o cálculo da aposentadoria e são recebidos por todos os docentes da rede.

Atualmente, o sistema estadual de ensino conta com cerca de 13 mil professores efetivos em atividade. A remuneração média varia conforme a formação acadêmica: profissionais apenas licenciados recebem cerca de R$ 7,1 mil; especialistas têm média de R$ 11,4 mil; e mestres ou doutores alcançam aproximadamente R$ 14,8 mil.

O levantamento também destaca que os salários pagos aos docentes da rede estadual equivalem a cerca de 96% do rendimento médio de outras profissões com ensino superior, aproximando-se da meta estabelecida no Plano Nacional de Educação, que prevê equiparação salarial entre professores e outros profissionais com a mesma escolaridade.

Outro ponto considerado positivo é a progressão na carreira. No Ceará, o magistério estadual possui 20 níveis e permite avanço anual com base em critérios como desempenho, resultados educacionais e formação continuada. Segundo a Seduc, a remuneração pode aumentar em média até 89% nos primeiros 15 anos de carreira, chegando a mais de R$ 21 mil no topo.

A pesquisa também aponta que a organização da jornada de trabalho segue a legislação nacional, que determina que pelo menos um terço do tempo do professor seja dedicado a atividades fora da sala de aula, como planejamento e formação. No Ceará, esse período é realizado dentro da própria escola, estimulando a troca de experiências entre profissionais.

Apesar dos avanços, especialistas avaliam que um dos desafios é fortalecer mecanismos que relacionem a progressão na carreira com melhorias efetivas nas práticas de ensino e no aprendizado dos estudantes.

O Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) afirmou, em nota, que os dados divulgados pelo estudo podem não refletir reajustes e mudanças implementadas em algumas redes ao longo de 2025 e início de 2026. A entidade também ressaltou que a valorização docente envolve outros fatores além da remuneração.

Segundo o Movimento Profissão Docente, a pesquisa foi realizada com informações enviadas às secretarias estaduais de educação para validação. Vinte das 27 redes, incluindo a do Ceará, confirmaram ou ajustaram os dados utilizados no levantamento.

(Portal folha do vale)

(Foto: Reprodução)

 

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