Mulher é presa com celular de motociclista de aplicativo morto em Caucaia
A investigação sobre o sequestro e assassinato do
motorista de aplicativo Antônio Josué do Nascimento Oliveira, de 24
anos, teve um novo desdobramento nesta semana. Uma mulher foi presa no município
de Caucaia,
na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), após ser flagrada com o aparelho
celular da vítima.
De acordo com o Auto de Prisão em Flagrante (APF), a Polícia Civil chegou
até Maria Lúcia de Oliveira Souza na tarde do dia 26 de março de 2026, no
Condomínio Lino 7, no bairro Araturi. A localização foi possível após a quebra
de sigilo de dados do aparelho da vítima, um Samsung Galaxy A16,
autorizada pela Justiça.
Relatórios das operadoras de telefonia anexados ao processo apontam que o
aparelho continuou operando após o desaparecimento do motorista. O documento
detalha que Francisco Wanderson Santos Pereira, companheiro de Maria Lúcia e
apontado como suspeito, inseriu um chip próprio no celular no dia 19 de março.
A própria autuada passou a utilizar o telefone com uma linha em seu nome.
Durante a abordagem policial no condomínio, Francisco Wanderson conseguiu
fugir pulando o muro e se escondendo em um matagal. Maria
Lúcia, no entanto, foi detida na posse do telefone roubado. No depoimento, a
suspeita alegou ter comprado o aparelho por R$ 400 de um desconhecido no
Facebook.
Sobre
a reação agressiva no momento da prisão, ela declarou à polícia que "não
tinha conhecimento da procedência do referido celular, motivo pelo qual ficou
nervosa com a chegada da Polícia Civil, por isso ficou gritando e partindo para
cima dos policiais civis".
Relembre o caso do
desaparecimento da vítima, pedido de resgate e prisão de suspeitos
No dia 14 de março, Antônio, morador do bairro Bom Jardim (área com
atuação do Comando Vermelho), desaparece à noite após aceitar uma corrida para
o Araturi (área com atuação do Primeiro Comando da Capital). A motivação
do crime seria territorial.
Após o arrebatamento, a família recebe um vídeo da vítima rendida e uma
exigência de R$ 500 via Pix. O valor é pago, mas o motorista não é libertado.
Entre
os dias 17 e 18 de março, a 1ª Delegacia Seccional de Caucaia rastreia o
dinheiro e prende três pessoas. João Pedro Cardoso de Paula, de 23 anos, confessa
que o valor iria para a facção. A titular da conta bancária, Raquel Dárphine, é
solta em audiência de custódia por ser mãe de crianças neurodivergentes.
O corpo de Antônio é encontrado com sinais de violência em um terreno
baldio próximo a um riacho, a cerca de 300 metros de onde teria ocorrido o
sequestro.
Justiça concedeu prisão
domiciliar
A audiência de custódia de Maria Lúcia foi realizada no dia 28 de março,
quando ela foi autuada pelos crimes de receptação, resistência e organização
criminosa. O juiz plantonista Luiz Augusto de Vasconcelos homologou o flagrante
e o converteu em prisão preventiva.
Na
decisão obtida pelo O POVO, o magistrado destacou a gravidade
do caso, mencionando a "vinculação do objeto apreendido a crime violento
que culminou na morte da vítima". O documento também ressalta os
"indícios de inserção da investigada em ambiente criminógeno",
referindo-se ao relacionamento dela com o suspeito foragido.
A prisão preventiva foi substituída por prisão domiciliar, por Maria
Lúcia ser ré primária e mãe de uma criança de 6 anos. O juiz justificou a
medida afirmando haver a "necessidade de conciliar a tutela da ordem
pública com a proteção integral das crianças".
A suspeita deverá cumprir medidas cautelares, como a proibição de sair de
casa sem autorização judicial e de manter contato com outros investigados. O
caso segue sob investigação do Departamento de Homicídios e Proteção à
Pessoa (DHPP).
(O Povo- Online)
(Foto: Samuel Setubal)
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