Pesquisadores da UFC descobrem substância produzida por bactéria que pode ajudar no combate ao câncer
Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará
(UFC) e da Universidade de São Paulo (USP) descobriram um produto que pode
ajudar no combate ao câncer de próstata e de ovário.
O
estudo, publicado na revista internacional Chemistry and Biodiversity, revelou que a substância é
produzida por bactérias que vivem sobre animais invertebrados,
encontrados nas praias da Taíba e Paracuru,
no litoral do Ceará.
A substância, conhecida como piericidina A, apresentou atividade
anticâncer superior à de agentes quimioterápicos convencionais,
podendo indicar um possível novo fármaco, de acordo com os estudiosos.
O produto é sintetizado de forma natural por bactérias do gênero Streptomyces,
encontradas nos animais marinhos coletados durante o estudo, identificados como
zoantídeos do gênero Palythoa, parentes próximos dos corais e
anêmonas.
Os resultados promissores da pesquisa demonstraram que a
piericidina A1 causou a morte de células de câncer de próstata e ovário, além
de algumas linhagens de câncer de intestino e tumores cerebrais.
O resultado foi obtido mesmo quando o produto foi aplicado em
concentrações extremamente baixas, indicando alta potência.
Em entrevista à Agência UFC, a pesquisadora de pós-doutorado
Katharine Florêncio, do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos
(NPDM), do Departamento De Fisiologia e Farmacologia, afirmou que o maior
desafio foi “acreditar que aquelas concentrações eram verdadeiras”.
A
pesquisadora Bianca Sahm, do programa de pós-doutorado do Departamento de
Farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, desenvolveu
parte da pesquisa recém-publicada durante o mestrado na UFC, assim como
Katharine.
Ela afirma que o grupo desconfiou que os valores de concentração
observados estavam incorretos e poderiam ser uma interferência da piericidina
no método de análise utilizado. Por isso, os pesquisadores optaram por
utilizar uma segunda metodologia, que confirmou os resultados iniciais.
Próximos passos para a pesquisa
A pesquisa ressalta que os resultados encontrados são
preliminares e exigem novos estudos ao longo do complexo processo
de desenvolvimento de um possível novo fármaco.
Os
pesquisadores destacam ainda que a grande potência do composto pode aumentar o
risco de dano às células saudáveis e a toxicidade do produto, por isso
serão necessárias novas pesquisas.
Atualmente, os cientistas têm como principal objetivo entender melhor os
potenciais da substância em estudos e a forma pela qual a piericidina age sobre
as células tumorais.
Pesquisas futuras devem avaliar se a substância poderá ser utilizada como
um adjuvante no tratamento de câncer, capaz de enfraquecer as células
tumorais e aumentar a eficácia de outros medicamentos.
A substância deve também passar por testes para assegurar sua
eficácia contra as células doentes sem que cause danos graves às células
saudáveis.
(O Povo- Online)
(Foto: Divulgação)
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