Após 15
anos de espera, a população do município de Mombaça, no Sertão Central do
Ceará, viu novamente a sangria do açude Serafim Dias na
tarde da última quarta-feira (13), segundo monitoramento da Companhia de Gestão
dos Recursos Hídricos (Cogerh).
A
Companhia informou que o vertimento iniciou por volta das 14h, e já registra
uma lâmina de sangria (altura após superar a capacidade máxima) de 19
centímetros. A última sangria do reservatório havia ocorrido entre maio e julho
de 2011.
Construído
em 1995 como barragem do Rio Banabuiú, bacia
da qual faz parte, o açude tem capacidade total de armazenamento de cerca de
40,94 hm³.
As águas
da sangria seguem em direção ao próprio Banabuiú, o terceiro maior reservatório
do Ceará, atualmente com 32% do armazenamento. O Serafim Dias é o único dessa
bacia sangrando.
"O
açude atingiu seu volume máximo em decorrência do bom acumulado de chuvas
registrado durante o atual período chuvoso, favorecendo a recuperação gradual
de seu espelho d’água ao longo dos últimos meses", explica a Cogerh.
Apesar da
alegria do vertimento, um adolescente que havia desaparecido após cair de um jet-ski dentro do açude
foi encontrado morto no reservatório, na manhã de segunda-feira (11). A informação
foi confirmada pelo Corpo de Bombeiros Militar do Ceará.
Açude
secou por oito anos
Segundo o
Portal Hidrológico do Ceará, essa é a quarta vez que
o Serafim Dias sangra desde sua construção.
A
primeira vez foi em 2008, logo seguida por 2009. A terceira foi em 2011, ano em
que a quadra chuvosa teve bom resultado.
Porém,
diante do longo período de estiagem vivido pelo Ceará entre 2012 e 2018, o
cenário mudou e o açude chegou a secar totalmente entre 2015 e o início de
2022.
Com o
período chuvoso de 2023, o reservatório ganhou um bom aporte e atingiu quase
80% da capacidade total. Os níveis voltaram a oscilar e ele iniciou janeiro de
2026 com 52%.
As boas
chuvas na região desde fevereiro culminaram na sangria do dia 13 de maio.
Água para a população
Segundo a
Cogerh, o Serafim Dias é fundamental para a segurança hídrica da cidade,
garantindo o abastecimento humano da sede de Mombaça e
de outros distritos da região, além de contribuir para
atividades produtivas e para a economia local.
A sangria
vem sendo acompanhada de perto por moradores, produtores rurais e gestores de
recursos hídricos, uma vez que o comportamento do açude tem influência direta
sobre o abastecimento, a irrigação e as atividades agrícolas do município.
"O
evento também reacende a memória dos anos de estiagem prolongada, período em
que o reservatório enfrentou níveis críticos e significativa redução de sua
capacidade operacional", reforça a Cogerh.
Sangria
de açudes
Ao todo,
o Ceará tem atualmente 40 açudes sangrando, principalmente nas regiões Norte e
Sul. Outros 15 reservatórios têm mais de 90% da capacidade acumulada.
Os 144
açudes estratégicos monitorados pela Cogerh atingiram, até o momento, 52,41%
do total armazenado.
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