Falta de certificação desafia apicultores do Vale do Jaguaribe e do Ceará

 



A dificuldade para obter certificações sanitárias tem sido um dos principais obstáculos para o crescimento da apicultura cearense, restringindo a comercialização do mel no mercado nacional e, principalmente, no exterior. O tema foi debatido durante a PEC Brasil 2026, realizada em Fortaleza, reunindo produtores e representantes do setor.

Embora o Ceará esteja entre os maiores produtores de mel do País, apenas cinco casas de mel possuem o Serviço de Inspeção Federal (SIF), das quais somente três estão em funcionamento, segundo a Federação Cearense de Apicultores (Fecap). O selo é indispensável para a exportação do produto.

Em Limoeiro do Norte, a engenheira agrônoma Melca Macêdo, fundadora e CEO da Melka, afirma que a ausência da certificação impede a expansão dos negócios. Desde 2021, a empresa atua no beneficiamento de mel e processa cerca de 150 quilos do produto por mês.

Segundo Melca, além de dificultar o acesso a novos mercados, a falta do selo obriga a empresa a enviar o mel para envase em Monsenhor Tabosa, a mais de 300 quilômetros de distância, elevando os custos da produção. Ela também destaca o potencial da cadeia produtiva para agregar valor ao mel e aos seus derivados.

De acordo com o presidente da Fecap, Joventino Neto, o Ceará possui cerca de 70 mil apicultores, em sua maioria pequenos produtores. Apesar dos investimentos superiores a R$ 21 milhões na construção de aproximadamente 60 casas de mel pelo Projeto São José, muitas unidades ainda não possuem certificação para comercializar a produção em outros estados ou no exterior.

Para fortalecer o setor, a Fecap trabalha na criação da Centercop, uma central de cooperativas que será instalada em Maracanaú. O objetivo é ampliar a capacidade de beneficiamento e permitir que o mel cearense seja exportado diretamente pelo Estado, reduzindo custos e aumentando a competitividade dos produtores.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a produção de mel no Ceará cresceu 7,2% entre 2023 e 2024, alcançando 6,05 milhões de toneladas, reforçando o potencial do Estado para ampliar sua participação no mercado nacional e internacional.

(Portal folha do vale)

(Foto: Reprodução)

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