Golpe da PF: Interpol desmantela grupo que enganava brasileiros

 



Uma ação coordenada pela Interpol em escala global resultou na desarticulação de uma vasta rede de crimes cibernéticos e fraudes financeiras que utilizavam a imagem da Polícia Federal do Brasil para lesar vítimas.

A fase operacional da chamada Operação First Light, realizada entre 15 de janeiro e 30 de abril de 2026, culminou na prisão de 5.811 indivíduos em 97 países e territórios.

No total, as autoridades conseguiram interceptar aproximadamente US$ 293 milhões, cerca de R$ 1,5 bilhão, em ativos ilícitos e bloquearam mais de 31 mil contas bancárias vinculadas aos esquemas de lavagem de dinheiro e engenharia social.

Como era o esquema da falsa delegacia em Essuatíni?

Um dos pontos centrais da investigação foi localizado em Essuatíni, antiga Suazilândia, no sul da África, onde a polícia local, com suporte da Interpol, prendeu 82 pessoas. No local, foi descoberta uma estrutura sofisticada que reproduzia fielmente o ambiente de uma delegacia da Polícia Federal brasileira.

Os criminosos utilizavam uniformes falsos, insígnias, placas e equipamentos que imitavam os símbolos oficiais da corporação brasileira para realizar videochamadas com as vítimas.

Durante os contatos, os golpistas alegavam que as vítimas estavam sob investigação ou que seus dados haviam sido comprometidos em crimes.

Sob forte pressão psicológica e senso de urgência, as vítimas eram induzidas a transferir valores para supostas contas de "guarda" ou "custódia segura" da polícia, sob a promessa de que o dinheiro seria devolvido após a conclusão das apurações.

Nesta frente de trabalho, foram apreendidos 240 dispositivos eletrônicos e grandes quantias em moeda estrangeira, revelando uma organização profissional dedicada exclusivamente à exploração da confiança e do desconhecimento dos procedimentos policiais reais por parte dos cidadãos.

Centros de fraude e tráfico humano no Sudeste Asiático

A operação também revelou conexões profundas entre fraudes digitais e regimes de trabalho escravo.

Relatos de sobreviventes indicam que quadrilhas operando no Camboja e em outras regiões do Sudeste Asiático utilizam mão de obra de pessoas traficadas, incluindo brasileiros, para aplicar golpes no Brasil.

O esquema funcionava em etapas coordenadas, divididas em "linhas" de atendimento:

  • Linha 1 - Falsa Polícia Civil: Os golpistas entravam em contato informando que uma pessoa havia sido presa com um cartão de crédito em nome da vítima.
  • Linha 2 - Falsa Polícia Federal: Caso a vítima não pudesse comparecer pessoalmente a uma delegacia distante, a ligação era transferida para um suposto agente federal, que pressionava a pessoa a revelar saldos bancários sob ameaça de congelamento de bens e prisão.
  • Linha 3 - Transferência de Valores: Na fase final, a vítima era convencida a transferir o dinheiro para uma "conta de proteção" da Polícia Federal, que, na verdade, pertencia aos criminosos.

Os operadores desses centros eram mantidos sob vigilância constante e ameaça de tortura com armas de choque, sendo obrigados a seguir roteiros decorados que exploravam falhas de segurança digital comuns, como o uso de redes Wi-Fi públicas.

(O Povo - Online)

(Foto: Divulgação / Interpol)

 

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