'Golpe do Mounjaro': cliente de farmácia em Fortaleza denuncia roubo de dados para compra do remédio
A Polícia
Civil do Ceará (PCCE) investiga uma denúncia de estelionato e furto mediante
fraude relacionada à compra de canetas
emagrecedoras Mounjaro, usadas para promover a perda de peso,
em uma rede de farmácias com atuação em Fortaleza.
Nessa
segunda-feira (13), a vítima desse caso entrou em contato com o Diário
do Nordeste e forneceu mais informações sobre o ocorrido.
Segundo
ela, tudo aconteceu na unidade da farmácia Drogasil
localizada na Avenida Santos Dumont, no bairro Aldeota.
O autor
do relato - que não quis ser identificado - narrou que, no último domingo (12),
recebeu a confirmação da compra de um pacote com quatro
canetas aplicadoras Mounjaro de 15mg, no valor de R$ 3.498,82,
feita em seu nome.
A vítima,
porém, afirmou não ter comprado o produto em questão. Além disso, percebeu que
a transação utilizou
um cartão de crédito desconhecido para ela, mas que possuía
seu nome.
Preocupado,
o autor da denúncia se dirigiu até a unidade da Avenida Santos Dumont, onde foi
informado de que o produto estaria pronto para a entrega, apenas para descobrir
que outra pessoa efetuou a retirada no lugar dele.
"Cheguei
lá e me contaram que um rapaz de boné branco e óculos escuros fez a retirada do
pacote. Os funcionários entregaram para ele sem pedir nenhum
documento de identificação. Depois, ele entrou em um carro estacionado
na entrada da farmácia e foi embora", contou a vítima.
No relato
colhido pela reportagem, o homem informou que só soube o que tinha acontecido
quando exigiu explicações ao farmacêutico-chefe da unidade.
"Ele
me falou que o rapaz mandou uma receita no meu nome para autorizar a compra da
caneta. O contato dele era de uma empresa e tinha o DDD de São Paulo",
disse.
Desde
abril do ano passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tornou
obrigatória a retenção de receita na venda de produtos como Ozempic, Mounjaro,
Wegovy e outros. O sistema de prescrição médica deverá ser feito em duas vias,
e a comercialização só poderá ocorrer com a retenção de uma delas na farmácia
ou drogaria, assim como acontece com os antibióticos.
Ainda
segundo o homem, a receita informada foi autorizada por uma médica
atuante do município de Mauriti, no Cariri Cearense, e estava
assinada no nome dele. Ele ainda teve acesso às gravações do sistema
interno de segurança da loja e conseguiu descobrir as características do
suspeito.
O autor
não teve perdas financeiras, pois o cartão usado na compra não era
vinculado a nenhuma conta dele. Ainda assim, está com medo,
pois acredita ter tido os dados pessoais vazados.
Quem
quer que tenha feito isso utilizou meu cadastro no aplicativo da Drogasil e,
com isso, teve acesso ao meu nome, CPF, endereço. Fico impressionado com o grau
de sofisticação, porque ele teve que gerar uma receita, entrar na conta de
outra pessoa, gerar um cartão no meu nome, mas que não é meu, tudo para comprar
uma medicação, eu acho isso tudo muito estranho".
O que disse a Drogasil?
O Diário
do Nordeste entrou em contato com a RD Saúde, responsável
por administrar a Drogasil, solicitando um posicionamento
quanto à denúncia. Por meio de um comunicado, a companhia lamentou o ocorrido.
"Assim
que tomou conhecimento do caso, acionou a Ouvidoria para a abertura de uma
investigação. O cliente também foi orientado a registrar a ocorrência no SAC e
será informado sobre os próximos passos após a conclusão da apuração",
finalizou o texto.
Caso foi levado às autoridades
Após sair
da farmácia, a vítima reportou toda a ocorrência à Polícia Civil por meio de um
boletim de ocorrência. Nele, afirma estar "apreensiva" com
o uso indevido das próprias informações, o acesso à conta da farmácia e a
criação de um cartão falso.
Em nota à
reportagem, a PCCE informou que a investigação está a cargo da 2ª
Delegacia de Polícia Civil de Fortaleza, unidade que realiza
"diligências e oitivas para elucidar o caso".
Além do
estelionato cometido contra a farmácia e furto mediante fraude contra a vítima,
a Polícia também vê no caso o crime de invasão de dispositivo
informático, quando há o acesso não autorizado a celulares, computadores
ou servidores, com o fim de obter, adulterar ou destruir dados.
Mounjaro: conheça as indicações e
riscos
O
Mounjaro, nome comercial da tizerpatida, age em dois hormônios: o GLP-1 e o
GIP, que regulam
a saciedade e o controle da glicose. Com isso, o medicamento reduz o
apetite, desacelera o esvaziamento do estômago e ajuda a pessoa a se sentir
saciada por mais tempo.
Esse
conjunto de efeitos leva, na maioria dos casos, à redução da ingestão calórica
e à perda de peso progressiva.
O
Mounjaro é indicado principalmente para pessoas com diabetes tipo 2 que precisam
melhorar o índice glicêmico. O uso pode ser feito por adultos, não recomendado
para menores de 18 anos.
Quais são os efeitos colaterais?
Os
efeitos colaterais mais comuns do medicamento incluem:
- Náuseas e dores abdominais:
principalmente no início do tratamento, à medida que o corpo se adapta;
- Alteração no apetite e perda de
peso: o medicamento reduz naturalmente a fome;
- Dores de cabeça e tontura podem
acontecer nos primeiros dias de uso;
- Prisão de ventre ou diarreia são
efeitos gastrointestinais frequentes, mas costumam melhorar com o tempo.
(Diário do Nordeste)
(Foto: Shutterstock
/ KK Stock)
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