Governo bloqueia 2,8 milhões de beneficiários do Bolsa Família em apostas

 



O governo federal bloqueou o acesso de aproximadamente 2,8 milhões de beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) às plataformas de apostas esportivas autorizadas no Brasil. A medida foi implementada pelo Ministério da Fazenda em cumprimento a uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu a utilização de recursos provenientes de programas sociais em apostas de quota fixa.

Levantamento do Ministério da Fazenda aponta que os usuários bloqueados representam 10,4% dos cerca de 27 milhões de beneficiários dos dois programas sociais. O grupo também corresponde a 11,2% dos aproximadamente 25 milhões de brasileiros que realizaram ao menos uma tentativa de aposta em 2025.

Além de impedir novos cadastros de beneficiários do Bolsa Família e do BPC, a restrição alcançou aqueles que já possuíam contas ativas em plataformas de apostas regulamentadas. Para garantir o cumprimento da decisão judicial, as empresas licenciadas devem realizar verificações quinzenais de seus cadastros por meio do Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), desenvolvido pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).

Durante a consulta, o sistema verifica o CPF do usuário e informa apenas se ele está “impedido” ou “não impedido” de utilizar os serviços de apostas, sem revelar informações sobre benefícios sociais. Segundo o Ministério da Fazenda, esse procedimento assegura o cumprimento da determinação do STF e preserva a privacidade dos cidadãos.

A legislação brasileira também proíbe a participação em apostas de agentes públicos responsáveis pela regulação do setor, atletas profissionais, árbitros, dirigentes, fiscais, técnicos esportivos e pessoas diagnosticadas com ludopatia, transtorno caracterizado pelo vício em jogos. Nesses casos, porém, o impedimento depende da autodeclaração do usuário durante o cadastro, não havendo bloqueio automático.

Como medida adicional de prevenção, o governo mantém uma plataforma nacional de autoexclusão, administrada pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). O sistema já conta com mais de 925 mil adesões e permite que qualquer cidadão bloqueie voluntariamente o acesso às casas de apostas autorizadas por prazo determinado ou de forma permanente. No caso da exclusão definitiva, a retirada da restrição só pode ser solicitada após 12 meses.

Representantes do setor de apostas alertam, no entanto, que a restrição vale apenas para empresas autorizadas pelo governo federal. Segundo as entidades, usuários bloqueados ainda podem recorrer a plataformas clandestinas, que operam sem licença, não seguem as normas de publicidade responsável, não participam do sistema de autoexclusão e deixam de recolher os tributos exigidos pela legislação brasileira.

 (Portal folha do vale)

(Foto: Reprodução)

 

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