Estudantes gêmeos do CE viajam de avião pela 1ª vez e vencem torneio na China
Pela
honra de representar o Brasil em um intercâmbio cultural na China, que teve
como pano de fundo um campeonato esportivo, os gêmeos cearenses
Matheus e Filipe Vilaça, de 20 anos, enfrentaram neste mês o medo de altura e
viajaram de avião pela primeira vez. Estudantes do Instituto
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), eles saíram da Serra
da Ibiapaba para retornar vitoriosos.
Residentes
de Ubajara, os alunos do curso de Agronomia e membros do time de futsal do campus de Tianguá voaram por mais de 30
horas para chegar ao destino: a província de Fujian, no sudeste chinês,
onde aconteceu o Torneio Internacional Juvenil de Cidades-Irmãs da Província de
Fujian. Ao todo, o evento reuniu 12 equipes, de 10 países, entre os dias 4 e 6
de agosto.
Ao Diário
do Nordeste, os dois contam que a jornada cansativa até a
nação asiática, que incluiu conexão em Amsterdã, na Holanda, superou
o temor de altura. “Confesso que até me surpreendi, não fiquei
com tanto medo como achava que ficaria”, detalha Matheus.
Sob um calor superior a 32°C, mas sensação térmica de até
40°C, os dois integraram a única equipe
participante com apenas cinco atletas e um reserva — formada
por estudantes de diferentes campi do IFCE —, enquanto as demais eram compostas
por 10 membros, divididos igualmente em titulares e reservas.
A
gente ficou meio receoso, mas teve uma frase que impactou muito: ‘o
qualitativo, às vezes, supera o quantitativo’, e isso foi posto em prática.”
Irmãos enfrentaram lesões antes de viajar
Apesar
do time reduzido, permaneceram invictos no torneio de futsal adaptado à grama
e conquistaram o troféu ao derrotar a equipe argentina.
O
resultado surpreendeu os gêmeos cearenses, que, além de estarem em menor número
comparado aos outros times, ainda se recuperavam de lesões diagnosticadas no
mês anterior, que os fizeram temer não conseguir participar do
campeonato.
À
reportagem, o chefe do Departamento de Educação Física e Esporte da instituição
do IFCE, Emmanuel Carneiro, explica que a modalidade do campeonato usa
dimensões de quadra, bola e regras do futsal, mas, em
vez da quadra, é praticada sobre a vegetação e com chuteira de trava,
itens tradicionais do futebol. O profissional foi um dos que acompanhou o time
cearense no torneio.
"Era
aquele espírito cearense, espírito brasileiro: ‘a gente vai ter que ganhar essa
aqui, dá pra ganhar e a gente vai lutar pra ser campeão", conta Matheus.
Antes de viajar, ele tratava de uma pubalgia, condição comum entre atletas que
causa dores na virilha e no abdômen, enquanto o irmão se recuperava de um
trauma no joelho — o mesmo que havia operado um ano antes.
Troca cultural
Para além
das quadras, Filipe e Matheus aproveitaram a
experiência para fazer amizades com os atletas de outras nações,
com quem trocaram uniforme e informações de contato, superando a barreira da
língua.
Para
mim, a interação com os outros países foi a melhor coisa da viagem. A gente se
tornou muito amigo dos italianos. Eles tentando falar brasileiro [português],
nós tentando falar italiano. Com os japoneses, da mesma forma. A gente tentava
se comunicar ali, meio que na mímica, usava um pouquinho de tradutor.”
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