Justiça demanda que Enel ligue energia em comunidade de Quixadá após prisões

 



A Justiça determinou que a Enel Distribuição Ceará inicie, em até 72 horas após ser formalizada, os procedimentos para ligar a energia elétrica nas residências da comunidade Planalto Jerusalém, em Quixadá.

A decisão foi proferida na terça-feira, 11, após a prisão em flagrante de 15 moradores por suspeita de furto de energia elétrica e uma visita da Defensoria Pública do Ceará à localidade. Segundo a instituição, famílias da comunidade conviviam há cerca de sete anos sem acesso regular ao serviço.

A decisão estabelece que o fornecimento seja efetivado em até 15 dias. Caso sejam necessários novos postes ou a ampliação da rede elétrica, a própria concessionária deverá realizar o serviço e arcar com os custos. A Justiça também proibiu a Enel de exigir escritura pública, título de propriedade ou habite-se como condição para efetuar as ligações. Para o atendimento, será suficiente a comprovação da posse e a identificação dos ocupantes.

A situação da comunidade é acompanhada pela Defensoria Pública por meio de uma Ação Civil Pública que tramita cerca de sete anos e envolve a regularização fundiária e o acesso a serviços públicos essenciais. A ação foi movida contra o Município de Quixadá, a Enel e a Cagece.

Segundo a defensora pública Taiane Ferreira, titular da 1ª Vara Cível de Quixadá, o processo tem como objetivo garantir a regularização das moradias e a chegada dos serviços básicos à população.

“A comunidade precisava de uma segurança jurídica em relação à posse e propriedade dessas casas, e precisava também que o poder público chegasse com os serviços públicos essenciais”, explicou.

No início da ação, a Justiça determinou que Enel e Cagece informassem se havia viabilidade técnica para a instalação dos serviços na comunidade. Conforme Taiane, a Cagece informou que era possível atender à localidade e o fornecimento de água foi regularizado durante o andamento do processo. Já a Enel, segundo a Defensoria, não apresentou o relatório sobre a viabilidade da instalação do serviço.

Quinze moradores do Planalto Jerusalém foram presos em flagrante no dia 23 de julho por suspeita de furto de energia elétrica. A prisão em flagrante não foi convertida em preventiva e os moradores não permaneceram detidos. Segundo Taiane, muitos pagaram fiança e foram liberados. O processo criminal segue em andamento e é acompanhado por outro defensor da instituição.

A Defensoria tomou conhecimento das prisões por meio de portais de notícias da cidade e de colaboradores. A partir disso, Taiane e outra defensora pública decidiram realizar uma visita presencial à comunidade para atualizar o cadastro das famílias e verificar as condições do local.

Durante a vistoria, as defensoras encontraram propriedades próximas com postes e fornecimento regular de energia, enquanto famílias da comunidade permaneciam sem acesso ao serviço. “Propriedades muito próximas com posteamento e com luz regular, e essa comunidade, que era uma comunidade bem carente, estava sem luz”, relatou Taiane.

Segundo a defensora, havia moradores com protocolos e pedidos de ligação registrados junto à Enel. Ela também afirmou que algumas pessoas que possuíam título de propriedade conseguiram regularizar o fornecimento após as prisões, enquanto outras, em situação semelhante, continuaram sem energia.

“Um lado da rua tem luz, e o outro lado da rua não tem. É uma questão de menos de 50 metros de distância”, afirmou.

Crianças, idosos e pessoas enfermas vivem na comunidade

Durante a visita, a Defensoria realizou um cadastro das famílias e verificou a presença de idosos, pessoas enfermas e crianças.

A ausência de eletricidade compromete necessidades básicas das famílias, como iluminação, conservação de alimentos e refrigeração de medicamentos e outros insumos de saúde. Esses fatores foram considerados pela Justiça na análise do pedido de urgência.

Prefeitura acompanha famílias

A Prefeitura de Quixadá informou, por meio da Secretaria de Assistência Social, que acompanhou a visita realizada à comunidade e a Defensoria Pública está prestando apoio às famílias.

Segundo o Município, os moradores são acompanhados pela rede municipal de assistência social e recebem atendimento por meio dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).

A Prefeitura informou ainda que duas das famílias inicialmente cadastradas já não residem mais na comunidade. As demais continuam sendo acompanhadas pela rede de assistência. Conforme a gestão municipal, todas as famílias identificadas são beneficiárias de programas de transferência de renda, como Bolsa Família ou Benefício de Prestação Continuada (BPC).

A decisão judicial também determinou que o Município realize, no prazo de 30 dias, uma nova inspeção cadastral e socioeconômica das famílias residentes no Planalto Jerusalém, atualizando os dados utilizados no processo de regularização fundiária.

Enel ainda não foi intimada

Em nota, a Enel Distribuição Ceará informou que ainda não foi formalmente notificada da decisão.

“A distribuidora esclarece que aguarda a intimação para dar seguimento ao processo dentro dos limites do que foi determinado”, informou a empresa.

Segundo Taiane, a Defensoria busca agilizar a intimação da concessionária para que a determinação seja cumprida com urgência. A defensora explicou que o prazo de 72 horas para o início dos procedimentos passa a contar somente após a Enel receber a decisão.

A decisão prevê multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento.

(O Povo - Online)

(Foto: Thais Mesquita em 25/04/2022)

 

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