Fila do INSS cai 50,5% em cinco meses e espera acima de 45 dias recua 80%

 



A fila de pedidos de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) caiu pela metade ao longo de 2026, segundo dados da Previdência Social. O estoque de solicitações passou de 3,13 milhões em fevereiro, maior patamar registrado no ano, para 1,55 milhão em julho, uma redução de 50,5%.

O avanço também aparece entre os segurados que aguardavam uma resposta há mais de 45 dias. O número caiu de 1,882 milhão em janeiro para 374 mil em julho, redução de 80,1%. O prazo acima de 45 dias está em desacordo com as regras previdenciárias e pode gerar custos adicionais para o governo.

De acordo com a Previdência, a melhora nos indicadores está relacionada a uma série de medidas adotadas para acelerar a análise dos processos. Entre as iniciativas estão o pagamento de bônus a servidores, a contratação de novos peritos médicos, alterações no sistema Atestmed e a realização de mutirões.

A quantidade de benefícios concedidos também aumentou. Entre janeiro e maio deste ano, a média mensal chegou a 683,8 mil concessões, 72,5% acima da média registrada em 2021, de 396,3 mil por mês. No mesmo intervalo, os indeferimentos passaram de uma média mensal de 401,5 mil para 668,6 mil, crescimento de 66,5%.

O tempo médio para concessão de benefícios apresentou queda significativa. Em 2021, a espera média era de 108 dias. No fim de junho deste ano, o prazo havia recuado para 50 dias.

Apesar da redução geral, os processos que dependem de avaliação médica continuam entre os que apresentam maior demora. Segundo a advogada Adriane Bramante, da área de Direito Previdenciário da OAB-SP, aposentadorias por idade e recursos administrativos contra negativas passaram a ser analisados com maior rapidez, enquanto casos que exigem perícia podem permanecer pendentes por meses.

A especialista também alerta que a redução quantitativa da fila precisa ser acompanhada pela qualidade das decisões. Negativas consideradas indevidas podem resultar em novos recursos administrativos ou ações judiciais, transferindo a demanda para outras etapas em vez de solucionar o problema.

Outro indicador acompanhado pela Previdência é o de pedidos que estão em fase de exigência, quando o segurado precisa apresentar documentos ou informações adicionais. O total caiu de 812 mil em janeiro para 777 mil em julho, redução de 4,13%. Em relação ao pico de 1,144 milhão registrado em fevereiro, a queda chega a 32,08%.

A Previdência também destaca que os resultados foram alcançados em um cenário de redução do quadro funcional. Segundo o órgão, INSS e perícia médica federal somavam 37,5 mil servidores em dezembro de 2015. Atualmente, são 22,2 mil trabalhadores ativos, uma diminuição superior a 40%.

Outro fator apontado pelo governo é o crescimento da demanda. Em 2025, foram registrados 13,682 milhões de pedidos, contra 7,55 milhões em 2020. Para evitar atrasos, o segurado deve manter atualizados os dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) e atender, dentro do prazo, eventuais exigências feitas durante a análise.

Quando documentos complementares são solicitados, o envio pode ser realizado pelo aplicativo ou site Meu INSS. O atendimento presencial é reservado para situações específicas ou quando o próprio instituto determina a apresentação de documentos originais.

 (Portal folha do vale)

(Foto: Reprodução)

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