De poço de água a petróleo: Tabuleiro do Norte mira nova fronteira econômica

 



O que começou com a busca por água em uma propriedade rural ganhou novos contornos após a confirmação da presença de petróleo e a inclusão de uma área de Tabuleiro do Norte no planejamento da ANP para futuros processos de exploração

Uma descoberta que começou de forma inesperada em uma propriedade rural de Tabuleiro do Norte pode abrir um novo capítulo na história econômica do município. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou a indicação de uma área do município para futuros processos de exploração de petróleo na Bacia Potiguar.

O bloco, identificado como POT-T-551, integra um conjunto de 24 novas áreas exploratórias terrestres aprovadas pela agência na sexta-feira, 4 de setembro. A decisão inclui a região de Tabuleiro do Norte onde foi confirmada recentemente a presença de petróleo.

A história ganhou repercussão depois que o agricultor Sidrônio Moreira encontrou um líquido escuro durante a perfuração de um poço em sua propriedade. A intenção inicial era encontrar água, mas o material encontrado chamou a atenção da família, que decidiu buscar ajuda para descobrir do que se tratava.

Com o apoio de um professor do Instituto Federal do Ceará (IFCE), o material foi analisado e a ocorrência comunicada à ANP. Em maio deste ano, análises realizadas pelo Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas da própria agência confirmaram que o fluido encontrado era petróleo.

Descoberta ainda não significa exploração

Apesar da confirmação e da inclusão da área entre os novos blocos, não há previsão imediata para o início da retirada de petróleo em Tabuleiro do Norte.

Antes de uma eventual licitação, as áreas ainda precisam passar por avaliação ambiental, manifestação conjunta dos Ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente e do Clima, além de audiência pública para receber contribuições das comunidades e demais interessados.

Somente depois dessas etapas os blocos poderão ser disponibilizados em futuros ciclos da Oferta Permanente de Concessão. Caso empresas do setor demonstrem interesse, as áreas poderão posteriormente ser disputadas em processo de licitação.

A ANP também esclarece que os limites das áreas podem sofrer ajustes técnicos durante o processo de avaliação.

Agricultor poderá receber compensação se houver produção

A confirmação da existência de petróleo não significa que Sidrônio Moreira poderá explorar diretamente o recurso. Pela legislação brasileira, os recursos minerais existentes no subsolo pertencem à União, que concede a empresas habilitadas o direito de realizar as atividades de exploração e produção.

O proprietário da terra, entretanto, pode ter direito a uma compensação financeira caso a produção comercial seja efetivamente realizada em sua propriedade.

Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, essa compensação corresponde a 1% do valor da produção. Em 2025, 2.606 propriedades brasileiras receberam pagamentos dessa natureza, que somaram R$ 173,3 milhões, uma média aproximada de R$ 5,5 mil mensais por propriedade.

Tabuleiro do Norte entra em uma nova perspectiva

A decisão da ANP coloca Tabuleiro do Norte em uma etapa preliminar de um processo que poderá levar anos até chegar à produção. Ainda não é possível afirmar se a região possui reservas economicamente viáveis ou qual seria o volume de petróleo que poderia ser produzido.

Mesmo assim, a confirmação da ocorrência e a criação do bloco exploratório colocam o município do Vale do Jaguaribe no radar do setor de petróleo e gás.

A Bacia Potiguar se estende pelos territórios do Ceará e do Rio Grande do Norte e possui histórico de exploração de óleo e gás em áreas terrestres.

Para Tabuleiro do Norte, a história que começou com a procura por água agora acompanha os primeiros passos de uma possível nova atividade econômica no município.

(Portal folha do vale)

(Foto: Reprodução)

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