Senado aprova MP que acaba com taxa das blusinhas; texto vai à sanção presidencial

 



O Senado aprovou nesta quinta-feira, 3, por votação simbólica, o projeto de lei que se originou da Medida Provisória 1.357 de 2026, que zera a chamada "taxa das blusinhas" para remessas de até US$ 50 e reduz para 30% o imposto de importação para remessas de até US$ 3 mil. O texto vai à sanção.

A votação foi feita em minutos. Não foram feitas alterações ao texto aprovado pela Câmara. O resultado representa uma vitória para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O projeto zera o imposto de importação e afasta limites do regime de tributação simplificado para "medicamentos sem similar nacional importados por pessoa física, para uso próprio ou individual no tratamento de doenças raras ou negligenciadas".

Segundo o texto, também fica permitida a utilização da taxa de câmbio vigente na data da compra para a nacionalização de mercadorias adquiridas em plataformas de comércio eletrônico habilitadas em programa de conformidade da Receita Federal.

A MP ainda delega ao Poder Executivo a responsabilidade de estabelecer limites quantitativos e de frequência para a fruição do benefício, bem como mecanismos para prevenir fraudes e usos indevidos.

Avaliações periódicas

O texto traz também a previsão de avaliações periódicas pelo Ministério da Fazenda dos efeitos econômicos da medida. A primeira deve ser concluída e publicada em site público em até três meses após a publicação da lei. Depois, o prazo de análise passa a ser de até seis meses.

O documento deverá conter os seguintes critérios:

  • Impacto sobre o emprego e a renda no Brasil, com destaque para os setores intensivos em mão de obra;
  • Competitividade da indústria e do comércio varejista nacionais para o consumo interno e para as exportações;
  • Garantia de preços acessíveis a bens, com ênfase nos bens de consumo popular de baixo valor;
  • Evolução do volume, do valor e da origem das remessas internacionais, por faixa de tributação e por adesão a programa de conformidade;
  • Assimetria concorrencial entre bens importados por remessa e bens equivalentes produzidos ou comercializados no País ou importados pelas vias ordinárias;
  • Os efeitos sobre a arrecadação federal e estadual.

Essa avaliação ainda deverá considerar setores específicos, como têxtil e vestuário, calçados e partes de calçados, acessórios, brinquedos e cosméticos. Além desse documento semestral, haverá uma análise anual a cargo do próprio Congresso Nacional.

De acordo com a MP, os deputados e senadores vão se basear na avaliação de impacto fiscal e econômico do governo federal a ser enviada ao Legislativo até 30 de abril de cada ano.

Obrigações das plataformas

A redação aprovada também estabelece obrigações para adotar mecanismos que permitam identificar "indícios de subfaturamento, fracionamento artificial de remessas e ocultação de remetente".

As plataformas precisarão implementar medidas preventivas para evitar a comercialização de produtos de origem ilícita ou que infrinjam os direitos de propriedade intelectual.

Além disso, deverão "cooperar com as autoridades competentes, fornecendo informações relevantes para a identificação dos responsáveis pela venda de produtos ilegais, incluindo dados cadastrais e histórico de transações dos vendedores".

Caso não sigam as regras, as plataformas poderão sofrer sanções que vão desde advertência até a proibição de atuar no mercado brasileiro ou a obrigação de implementar sistemas automáticos para identificar e remover ofertas de produtos ilegais de forma proativa.

Repercussão

A aprovação do fim da “taxa das blusinhas” gerou repercussão no setor produtivo. De acordo com o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Ricardo Cavalcante, a medida traz um problema para a economia nacional.

“Quando você bota US$ 50 são R$ 250. Se você ficar na porta de um shopping e pegar mil pessoas que estão saindo de lá, olhe se elas consomem R$ 250, em média? É muito dinheiro para ter uma legislação em que o concorrente, uma loja ou alguém que está vendendo produto nacional, não consiga vender sem pagar imposto”, avalia.

Ele acrescentou que é preciso olhar quais serão os setores mais abalados. “Não adianta a gente querer crescimento na indústria batendo em cima dela. Então, isso aí é uma coisa com que a gente precisa se preocupar e cuidar”, pontua. (Colaboraram Adriano Queiroz e Samuel Pimentel)

(O Povo - Online)

(Foto: Ton Molina/Agência Senado)

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