Fim da escala 6x1 muda jornada de 254,7 mil trabalhadores no Ceará

 



O fim da escala 6x1 no Brasil, aprovado pelo Congresso Nacional na noite de quarta-feira (14), reduzirá a jornada de pelo menos 254,7 mil trabalhadores, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

De acordo com a pasta, o número representa 20,55% do total de empregos no Estado. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição de salário, e garante dois dias de descanso semanal, um deles preferencialmente aos domingos.

254.752

É o número de pessoas que trabalham seis dias por semana, com apenas um dia de folga, no Ceará, segundo o MTE.

Já 984.634 empregados atuam na escala 5x2, ou 79,45% da força de trabalho. Esses trabalhadores já têm dois dias de folga, mas também podem ter redução da jornada caso trabalhem mais de 40 horas por semana.

Em todo o Brasil, 14,8 milhões de trabalhadores atuam na escala 6x1 e devem ser diretamente impactados. A mudança do limite de horas trabalhadas vale para empregos formalizados no regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

O Ceará tem 1,4 milhão de trabalhadores com carteira assinada, que devem respeitar as novas regras.

A PEC estabelece um prazo para que as empresas se ajustem às mudanças. Dois meses após a publicação da medida, o limite de jornada cairá para 42 horas semanais. Em 14 meses, deve chegar ao teto de 40 horas.

Indústria no CE: 90,5% têm jornada acima de 40 horas

No setor industrial, cerca de 90,5% dos trabalhadores possuem atualmente jornadas superiores a 40 horas semanais, ou seja, terão reduções de carga horária, segundo o Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec).

A federação afirma que o ajuste nas operações, por contratações ou horas extras, pode representar custos adicionais anuais entre R$ 4,2 bilhões e R$ 6,3 bilhões.

"O setor calçadista aparece entre os mais impactados, com elevação potencial de 9,5% a 14,2% nas despesas com pessoal. Essas estimativas pressupõem a manutenção do volume de horas trabalhadas e evidenciam a necessidade de planejamento para reorganizar turnos e preservar a continuidade operacional", informou a federação em nota.

A Fiec afirma que são necessárias medidas estruturantes para reduzir os custos e preservar a competitividade da produção nacional. Um desafio enfrentado pelo setor, segundo a entidade, é a "falta ou alto custo de trabalhadores qualificados".

O setor defende uma transição equilibrada para as mudanças, com iniciativas de redução da carga tributária sobre a produção e o emprego, investimentos em infraestrutura e logística e melhoria do ambiente de negócios.

Já a Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec) afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que "ainda está avaliando os possíveis impactos da medida".

Comércio e serviços: fecomércio teme custo maior

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Ceará (Fecomércio-CE) afirma que a redução da jornada pode levar a novas contratações, reorganização das equipes ou mudanças nos horários de atendimento, a depender do segmento.

"Os efeitos dependerão das condições de cada atividade econômica, dos custos envolvidos e da capacidade de adaptação das empresas, especialmente dos pequenos negócios", afirmou o presidente da Fecomércio-CE, Luiz Fernando Bittencourt.

A negociação coletiva deve ter papel central, já que existem atividades que exigem atendimento em horários diferenciados, inclusive aos fins de semana e feriados, segundo a entidade.

Embora não tenha estimativa de impactos sobre os custos das empresas e o faturamento, a Fecomércio afirma que a mudança da jornada de trabalho exige "avaliação cuidadosa de suas consequências econômicas e sociais".

"A principal preocupação é o possível aumento dos custos operacionais e a necessidade de reorganização das equipes para manter o atendimento ao consumidor. No comércio e em boa parte dos serviços, o funcionamento depende diretamente da presença de trabalhadores", afirmou Bittencourt em nota.

Supermercados: ACESU prevê escalas rotativas

As empresas devem elaborar escalas rotativas, que mantenham a qualidade do serviço sem impactar a folha de pagamento, segundo a Associação Cearense de Supermercados (Acesu).

A tendência do setor ao final do prazo de transição é de aumento do quadro de colaboradores, com abertura de novas vagas formais ou contratos flexíveis.

"O repasse residual de custos ao consumidor final dependerá do comportamento inflacionário e do teto de absorção das margens de cada empresa", segundo a associação.

A Acesu afirma que o horário de funcionamento e o atendimento dos supermercados no Ceará permanecerão inalterados.

(Diário do Nordeste)

(Foto: Saulo Roberto)   

 

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