Justiça decreta falência da Oi em meio a dívida de R$ 1,7 bilhão
Após
quase dez anos de recuperação judicial, a 7ª Vara Empresarial do Tribunal de
Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) decretou nesta segunda-feira (10) a falência
do Grupo Oi. A
decisão foi proferida pela juíza Simone Gastesi Chevrand, que apontou a
insolvência técnica e patrimonial da companhia de telecomunicações.
De
acordo com a magistrada, a empresa acumula dívidas de aproximadamente R$ 1,7
bilhão e tem receita mensal de cerca de R$ 200 milhões, com patrimônio
considerado “esvaziado”. Na
decisão, a juíza afirmou que “a Oi é tecnicamente falida” e que não há mais
viabilidade econômica para o cumprimento de suas obrigações.
A
sentença determina a convolação do processo de recuperação judicial em falência
e a liquidação ordenada dos ativos da companhia, com o objetivo de maximizar os
valores destinados ao pagamento dos credores.
As
atividades da Oi continuarão provisoriamente até que os serviços sejam
assumidos por outras empresas, para garantir a continuidade da conectividade e
a manutenção de serviços essenciais.
Histórico
A
companhia entrou em recuperação judicial pela primeira vez em 2016,
com R$ 65 bilhões em dívidas, em meio a uma grave crise de liquidez. O plano foi concluído em 2022,
mas a empresa voltou a pedir proteção judicial no início de 2023, com
passivo superior a R$ 44 bilhões.
“O
processo começou na Europa, quando a empresa Telefônica [espanhola] comprou a
parte da Portugal Telecom da Vivo, em 2010. Para que a Portugal Telecom não
saísse do Brasil, o governo autorizou a entrada da companhia na Oi. O problema
é que o Banco Espírito Santo [instituição financeira portuguesa], um dos
principais controladores da Oi, quebrou em 2014, prejudicando uma das
principais empresas de telecomunicações do Brasil”, explicou em
2023 o professor emérito da Faculdade de Comunicação da Universidade de
Brasília (UnB) Murilo César Ramos.
A
Oi, que já foi uma das maiores empresas de telecomunicações do país, chegou a
concentrar parte significativa dos serviços públicos de telefonia e
conectividade, incluindo contratos com órgãos de segurança, defesa e
administração federal.
Hoje,
é a única operadora presente em cerca de 7 mil localidades brasileiras, além de
ser responsável pela operação de serviços de emergência como os números 190
(polícia), 192 (Samu) e 193 (bombeiros).
Nos
últimos anos, a empresa vendeu seus principais ativos, incluindo a operação
móvel, adquirida por Claro, TIM e Vivo, e sua rede de fibra óptica, repassada à
V.tal. Segundo a decisão judicial, os resultados positivos da companhia não
vieram da atividade operacional, mas da “alienação de ativos e contratação de empréstimos”.
Com
a falência decretada, a Justiça busca assegurar a continuidade dos serviços e a
preservação de parte do valor remanescente da companhia, encerrando o ciclo da
antiga “supertele nacional”.
(Foto: Reprodução)
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