Entre as
10 cidades com maiores médias de chuva no Ceará em 2026, sete
estão situadas na Região do Cariri. O balanço é da Fundação
Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) até esta sexta-feira
(10) e demonstra uma particularidade na lista, que, em 2025, no mesmo período,
apresentava outros municípios como protagonistas.
Apesar de
não ter concluído o período da quadra chuvosa —
que compreende os meses de fevereiro a maio — alguns municípios do Cariri já
têm se destacado pelas fortes chuvas durante estes primeiros meses do ano.
Dez cidades com maiores médias de chuvas no Ceará em
2026:
Moraújo - 961 mm (Litoral Norte);
Baixio - 916.5 mm (Cariri);
Caririaçu - 889.3 mm (Cariri);
Crato - 887.4 mm (Cariri);
Granja - 864.3 mm (Litoral Norte);
Missão Velha - 840.3 mm (Cariri);
Abaiara - 834 mm (Cariri);
Maracanaú - 829.5 mm (Litoral de Fortaleza);
Várzea Alegre - 827.4 mm (Cariri);
Ipaumirim - 810 mm (Cariri).
Com médias
de precipitações entre 810 e 916 milímetros,
os sete municípios do Cariri na lista dos mais chuvosos são:
Caririraçu;
Crato;
Missão Velha;
Abaiara;
Várzea Alegre;
Baixio;
Ipaumirim.
O mais
chuvoso da região é o município de Baixio, que ocupa o 2º
lugar geral do ranking do Estado.
No
ano passado, o município mais chuvoso do Cariri foi Cariús, que
só apareceu na lista em 25º no Ceará. Atualmente, ele está
em 11º da lista, com 806.4 milímetros de média de precipitação.
Por que a Região do Cariri concentrou mais
chuvas?
O volume
expressivo de chuvas na Região do Cariri neste começo de ano já era esperado.
"Ao analisar os dados da série histórica, de 1981 até 2023, a gente consegue
perceber que a tendência para a região é de aumento da precipitação",
explica o professor e coordenador do Laboratório de Climatologia e Estudos
Ambientais (Climas), da Universidade Federal do Ceará (UFC), Antônio
Júnior.
Por isso,
para o especialista, nenhum fenômeno anormal pode ser
apontado como causador do protagonismo do Cariri no
ranking estadual.
Mesmo que
o ano de 2025 tenha sido menos chuvoso na região, "com a análise dos dados
estatísticos, a gente consegue identificar que o
desvio para os próximos anos é que as tendências aumentem em toda a Região do
Cariri", diz o especialista.
O
professor aponta que estudo realizado neste ano no Laboratório de Climatologia
da UFC observou diversos fatores climáticos, oceânicos e geográficos que
revelaram uma probabilidade de 1,2% de
aumento de chuvas para o Cariri. "A partir de 1,9%
essa taxa significa um valor forte, mas 1,2% já pode
representar uma tendência de que as precipitações vão aumentar no
decorrer dos anos naquela região", diz.
Início do ano favorece o Sul do Estado com chuvas
Para além
do que mostrou o estudo, entender o calendário de chuvas do Ceará é
imprescindível para compreender o protagonismo do Cariri na lista. A região
está localizada no sul do estado do Ceará e, "nos primeiros meses do ano,
a ZCIT (Zona de Convergência Intertropical), que é o nosso principal sistema
atmosférico, atua com mais força no sul do Estado", explica o
especialista.
A
Zona de Convergência Intertropical é uma faixa de nuvens carregadas que circula
a região equatorial do globo. Esse é o principal sistema meteorológico causador
de chuvas intensas no norte e nordeste do Brasil durante o primeiro semestre.
Na
chamada pré-estação chuvosa,
que são aqueles meses que antecedem fevereiro, um outro
sistema atmosférico também beneficia o sul do Ceará: "O
chamado Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN) é um sistema que atua mais
intensamente no final e no comecinho do ano, principalmente até o mês de
janeiro, e ele causa mais chuvas no sul do Estado", explica Antônio.
Segundo o
professor, é "por isso que as precipitações lá na região do Cariri iniciam
até um pouco antes do que no restante do estado do Ceará".
O
Vórtice Ciclônico de Altos Níveisé um sistema de baixa pressão situado a cerca
de 10 km de altitude. Ele causa tempo seco no centro devido à descida de ar
seco (subsidência), mas gera fortes chuvas, ventos e granizo nas suas bordas,
comum no Nordeste e Sudeste.
Em
2026, esse fenômeno atuou por mais tempo no
Ceará, trazendo chuvas fortes até o mês de fevereiro.
"Isso causou mais precipitações significativas no sul do Estado e um pouco
menos no norte, onde esse vórtice normalmente não tem tanta força".
A
permanência do Cariri na lista de maiores médias de chuvas, porém, pode não se
sustentar por muito tempo. "O mês de abril é habitualmente o mês mais
chuvoso no Litoral Norte. Então, ainda não dá pra saber se a lista pode ficar
mais equilibrada entre norte e sul", aponta o professor da UFC.
Primeiro lugar da lista está em região oposta ao
Cariri
Localizado
no Noroeste do Ceará, Moraújo, a mais de 600
km da Região do Cariri, é o município com a maior
média anual de chuva do Estado em 2026, com 961
milímetros.
Apesar de
não estar em uma região favorecida pelas chuvas nos primeiros meses do ano,
"esse município fica próximo de áreas serranas, fato que favorece o
aumento da nebulosidade e faz com que, em alguns períodos, principalmente da
tarde, chuvas intensas aconteçam", conforme explicação do meteorologista
da Funceme, Bruno Rodrigues.
As chuvas
na cidade, inclusive, foram suficientes para fazer sangrar
o único açude do Município, o açude Várzea da Volta, que
abastece a região e é importante ponto turístico.
Onde
aconteceram as maiores chuvas no ano passado?
Em 2025,
os municípios de Fortaleza, Eusébio, Caucaia, Paracuru,
Maracanaú, Pindoretama, Paraipaba, Palmácia, Aquiraz e Ubajara foram
os 10 com as maiores médias de chuvas do ano.
Dentre as
oito macrorregiões utilizadas pela Funceme para divisão das médias, três
estiveram à frente do Cariri no ano anterior: Litoral de
Fortaleza, com média de 1271.7 milímetros, Litoral Norte, com 1009.5 milímetros
e Litoral do Pecém, com 999.8 milímetros.
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