Nova determinação proíbe celulares em áreas administrativas de presídios no CE

 



Uma nova determinação da Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP) do Ceará, que proíbe o ingresso de dispositivos eletrônicos nas unidades prisionais do Estado, incluindo áreas administrativas, provocou reações de entidades representativas.

Publicada na quarta-feira passada, 8, a ordem de serviço é alvo de pedido de revogação pelo Sindicato dos Policiais Penais (Sindppen-CE) e de ofício de questionamento pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Subsecção Sobral, após restrições repentinas no acesso dos equipamentos. 

A medida, assinada pela Coordenação Especial de Administração Prisional, veda terminantemente a entrada, posse ou utilização de aparelhos capazes de registrar, armazenar ou transmitir imagens e sons no interior dos complexos penitenciários.

O POVO obteve o documento com a lista oficial de equipamentos restritos inclui aparelhos celulares, relógios inteligentes (smartwatches), óculos com capacidade de gravação e gravadores dotados de inteligência artificial, com citação nominal ao dispositivo Plaud Note.

Conforme a ordem de serviço, a decisão é pautada pela necessidade permanente de resguardar a integridade do perímetro de segurança e prevenir a captação e o vazamento de informações sensíveis sobre a estrutura física e as rotinas operacionais do sistema. A norma alcança servidores sem autorização prévia, visitantes, prestadores de serviço e estagiários.

Na quinta-feira, 9, o Sindppen protocolou um requerimento administrativo exigindo a revogação da ordem de serviço argumentando que a diretriz, elaborada por uma coordenação, tenta anular o artigo 45 da Instrução Normativa SAP nº 03/2020, que teria sido assinada pelo próprio gestor da SAP há seis anos. A instrução permite o uso de telefones móveis por servidores lotados nas unidades, desde que restritos à área administrativa e previamente cadastrados.

Segundo o documento, a proibição total atinge os policiais em seus horários de descanso nos alojamentos durante plantões extenuantes, impedindo o contato com o núcleo familiar até mesmo em situações de emergência, o que impactaria diretamente a saúde mental dos policiais penais. A categoria sustenta ainda que não houve fato novo de segurança que motivasse a mudança abrupta.

Advogados impedidos de entrar com celulares na sala da OAB

A implementação da norma gerou atritos também fora das dependências internas de carceragem. A OAB subsecção Sobral relatou que, na manhã de quinta-feira, 9, advogados foram surpreendidos ao serem impedidos de ingressar seus celulares na sala da Ordem, que fica localizada na área externa da unidade prisional do município.

Por meio de nota oficial, a instituição criticou "ausência de diálogo institucional e a falta de comunicação prévia sobre a alteração de uma prática até então regular".

A subsecção encaminhou ofício à direção da unidade cobrando a fundamentação legal do ato e solicitando explicações sobre uma aparente distinção de tratamento, uma vez que o ingresso com celulares continuaria sendo autorizado a outras autoridades mediante registro.

A OAB informou que aguarda resposta e não descarta adotar novas medidas cabíveis para garantir a defesa das prerrogativas da profissão.

(O Povo - Online)

(Foto: Fortes em 9/1/2017)

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