Estudante vai para a UTI após beber mistura de álcool e medicamentos em escola particular de Fortaleza
Um adolescente de 15 anos foi internado em estado grave em uma Unidade de
Terapia Intensiva (UTI) após ingerir uma mistura de álcool com
medicamentos dentro de uma unidade do Colégio Antares, escola particular
de Fortaleza,
nesta quinta-feira, 21.
O
caso mobilizou equipes da Polícia Militar do Ceará (PMCE), familiares e
profissionais de saúde, além de reacender o alerta para os riscos do chamado “Purple
Drunk”, prática que combina bebidas alcoólicas com remédios de
efeito sedativo.
Apesar da gravidade, o adolescente apresentou evolução positiva após o
atendimento emergencial.
Segundo relatos obtidos pelo O POVO, o estudante teria
consumido um líquido preparado com gin e diferentes medicações diluídas. Pouco
tempo depois, começou a apresentar reações severas, como desorientação,
vômitos, tremores, alteração de comportamento e perda do controle do corpo.
Ele foi socorrido e encaminhado a uma unidade hospitalar, onde permanece sob
observação intensiva.
Bruno Cavalcante, clínico geral e médico responsável pelo primeiro
atendimento, afirmou que a rapidez da evolução do quadro foi um dos fatores que
mais chamaram atenção da equipe.
“O
que mais impressionou foi a velocidade. Em menos de uma hora após a ingestão, o
paciente já estava desorientado, com fala arrastada e incapaz de sustentar o
próprio raciocínio. Isso não é o comportamento de alguém que bebeu demais. É o
comportamento de um sistema nervoso central sendo suprimido por múltiplas
frentes ao mesmo tempo”, explicou.
De acordo com o profissional, a combinação entre álcool e medicamentos
anti-histamínicos pode provocar uma potencialização dos efeitos sedativos no
organismo, especialmente em adolescentes sem tolerância às substâncias.
"O álcool já é um depressor do sistema nervoso central. A
prometazina, princípio ativo do Fenergan, também é. Quando você combina os
dois, o efeito não é uma soma, é uma potencialização”, detalhou.
A
prática conhecida como “Purple Drunk” ganhou popularidade em
redes sociais e aplicativos de mensagens, muitas vezes apresentada entre
adolescentes como uma “brincadeira” ou desafio coletivo.
Para o médico, existe uma falsa sensação de segurança pelo fato de os
medicamentos envolvidos serem facilmente encontrados em farmácias ou dentro de
casa.
“O jovem pode não perceber que está se expondo a uma droga. Ele sente que
está tomando ‘remédio de alergia’. E remédio de alergia está na farmácia, está
na bolsa da mãe, está no armário de casa”, disse.
Segundo
ele, o perigo está justamente na banalização dessas substâncias. “Dose,
contexto e combinação mudam tudo. Um medicamento prescrito por um médico é uma
coisa. Vários comprimidos misturados com álcool dentro de um adolescente de 15
anos é outra completamente diferente.”
Para Brun Cavalcante, episódios como esse mostram a necessidade
de atualizar a forma como famílias e escolas abordam o consumo de substâncias
entre jovens.
“As escolas ainda trabalham com o repertório de prevenção do século
passado. Enquanto isso, adolescentes estão combinando remédios de farmácia com
gin e compartilhando receitas no WhatsApp”, afirmou.
Investigação
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará
(SSPDS) informou que equipes da PMCE foram acionadas para atender a
ocorrência em uma escola particular no bairro Papicu, em Fortaleza.
Pessoas presentes no local foram encaminhadas à Delegacia da Criança e do
Adolescente (DCA), que acompanha a ocorrência.
A instituição informou que identificou a situação, acionou as famílias
dos envolvidos, providenciou atendimento médico e registrou boletim de ocorrência.
A escola também declarou que está colaborando com as autoridades responsáveis
pela apuração dos fatos.
“Purple Drunk” : sinais de alerta
O médico também chamou atenção para sintomas que indicam risco real de
morte em casos de intoxicação desse tipo. Entre eles estão sonolência
extrema, dificuldade de acordar, respiração lenta ou irregular, vômitos e
coloração azulada nos lábios e dedos.
“O sinal mais traiçoeiro é a sonolência progressiva que parece ‘só estar
dormindo’. Muitos casos fatais aconteceram porque alguém achou que o jovem
estava dormindo, a bebedeira, e não foi verificar”, alertou.
Além dos sinais físicos, ele orienta que pais observem mudanças
de comportamento relacionadas ao desaparecimento de medicamentos em casa,
interesse incomum por remédios e intoxicações aparentemente desproporcionais à
quantidade de álcool ingerida.
“Quando o adolescente chega em casa ‘bêbado’ sem ter bebido muito, ou sem
cheiro forte de álcool, alguma coisa além do álcool pode estar envolvida”,
afirmou.
(O Povo- Online)
(Foto: Roberto Sorin/Unsplash)
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