Vale do Jaguaribe lidera expansão da aquicultura no Ceará com produção recorde

 



O crescimento da aquicultura cearense tem fortalecido a economia de diversas regiões do Estado, especialmente no Vale do Jaguaribe, que concentra alguns dos principais polos de produção de camarão e tilápia. Dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) mostram que o Ceará encerrou 2025 com 16,2 mil hectares destinados à atividade, uma expansão de 6,1% em relação ao ano anterior.

O avanço confirma a trajetória de crescimento do setor nos últimos anos. Em 2022, o Estado possuía pouco mais de 14,6 mil hectares voltados à aquicultura. Atualmente, cerca de 40% dos municípios cearenses contam com áreas destinadas à criação de organismos aquáticos, com destaque para localidades do litoral e do Vale do Jaguaribe.

A região jaguaribana abriga os maiores municípios produtores do Ceará. Jaguaruana lidera o ranking estadual com 2.631 hectares dedicados à atividade, seguida por Aracati, com 2.591 hectares. Juntos, os dois municípios concentram aproximadamente um terço de toda a área aquícola do Estado. Também figuram entre os principais produtores Limoeiro do Norte, com 921 hectares, e Russas, com 790 hectares.

A produção cearense é impulsionada principalmente pela carcinicultura e pela piscicultura. O camarão cultivado representa a maior parcela da atividade, enquanto a tilápia se destaca nos reservatórios e açudes, incluindo importantes mananciais como Castanhão e Orós.

Segundo representantes do setor, fatores como clima favorável, disponibilidade hídrica e experiência dos produtores contribuíram para consolidar o Ceará como líder nacional na produção de camarão cultivado. O Estado responde por mais da metade da produção brasileira e tem em Aracati o município com maior volume de produção do país.

A força da atividade também se reflete nos resultados econômicos. Dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do IBGE, apontam que a aquicultura cearense movimentou R$ 1,97 bilhão em 2024, crescimento de cerca de 25% em comparação ao ano anterior. Desse total, R$ 1,68 bilhão foram gerados pela produção de camarão, equivalente a 85% do faturamento do setor.

Além do mercado interno, a produção cearense abastece estados vizinhos e mercados internacionais. Os Estados Unidos figuram como principal destino das exportações de pescados do Ceará, seguidos por países da Ásia e do Caribe.

Para os produtores, a futura operação da Ferrovia Transnordestina também poderá fortalecer a cadeia produtiva ao reduzir os custos logísticos, principalmente no transporte de grãos utilizados na fabricação de ração, item que representa a maior parcela dos custos de produção do camarão.

(Portal folha do vale)

(Foto: Reprodução)

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