Noivas denunciam suposto golpe de cerimonial em Aquiraz: 'Milhares de reais de prejuízo'
O sonho
da festa de casamento virou um pesadelo para noivas de Fortaleza e Região
Metropolitana. Isso porque mais de 50 mulheres
denunciaram, por meio de registros de Boletim de Ocorrência (BO),
que sofreram um suposto golpe de uma cerimonialista de eventos e de um buffet
de Aquiraz.
Segundo
as vítimas, a cerimonialista e o buffet se recusaram a entregar os eventos já
programados.
O caso,
que veio a público no fim de junho, aponta um prejuízo de milhares de reais,
estimado pelos contratantes, vindos de diferentes casais que teriam perdido os
valores antes de viverem a realização da festa tão sonhada. Até o momento, o
prejuízo total não foi contabilizado.
"Eu
falei com todos os fornecedores que ela tinha supostamente fechado e nada
estava certo. Então, pensei: 'Se nada estava pago, é claro que era um
golpe", relatou a técnica de enfermagem Angélica Ferreira, de 29 anos.
Segundo
ela, um grupo nas redes sociais reúne mais de 90
pessoas que teriam sido vítimas no caso.
As
vítimas afirmam ter registrado o caso em delegacias diferentes, tanto na
capital como em Maracanaú, Aquiraz e Itaitinga. Em nota, a Secretaria
de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou o registro de denúncias
diversas, tanto em Fortaleza como na RMF, sobre as denúncias de
uma série de estelionatos.
Empresas de cerimonial e buffet
Conforme
relatos das vítimas, as empresas apontadas são a GP Cerimonial, comandada
por Emanuela Ferreira de Oliveira Gomes, e a Angélica Buffet, administrada por
Ana Angélica Peixoto da Costa. As duas foram
questionadas sobre as denúncias, mas não retornaram até a publicação desta
matéria.
Segundo a
noiva Angélica, que se identifica como uma das clientes da GP Cerimonial, com
casamento marcado para novembro deste ano, o primeiro contato entre ela e a
empresa parecia normal.
No
entanto, tudo começou a desandar quando Emanuela passou a fechar contratos
diretamente com os fornecedores, recebendo
dinheiro dos clientes, mas sem repassar os contratos formalmente assinados
entre as partes.
"Em
janeiro, eu fechei com a Emanuela e, desde janeiro até março, eu vinha
fazendo pagamentos para ela de algumas coisas, como meu arco da cerimônia, DJ,
tablado, Story Maker. Há uma semana descobri que ela estava
desaparecida. Até então, fiquei preocupada, achando que tinha acontecido algo
com ela, mas, no final, não tinha. Quando fui olhar os comentários, vi que ela
não tinha entregado dois eventos, daí me preocupei", contou Angélica ao Diário
do Nordeste.
Assim
como ela, Hellen Santiago, de 25 anos, também tem cerimônia marcada, mas já
questiona se deve mesmo subir ao altar em outubro. Tudo isso porque tanto o
cerimonial como o buffet, também de Aquiraz, receberam várias quantias, mas
pararam de dar qualquer retorno sobre o evento.
"De
início, ela já tinha me cobrado R$ 8.000 por um
pacote, mas eu não tinha o dinheiro completo. Fechei um acordo
de pagar aos poucos, mas ela começou a me mandar várias mensagens depois
disso", explicou.
Hellen,
então, contratou um pacote, mas nunca recebeu um endereço exato de onde
Angélica (dona do Angélica Buffet) prestaria serviço. Até hoje, inclusive, não
sabe onde a mulher atende ou vive.
"Mesmo
eu tendo falado que não tinha como pagar tudo, ela ficava me cobrando, me
mandando mensagens. Cheguei a passar R$ 2.000, mas ela não me
dava paz", continuou.
Além de
fechar pacote com o Angélica Buffet, a noiva também contratou serviços com
outros fornecedores por meio de Emanuela Ferreira, da GP Cerimonial. No
entanto, nenhum fornecedor recebeu os valores dos contratos.
Segundo
Hellen, foi Angélica quem indicou a GP Cerimonial. "Ela me disse que a
Emanuela era parceira dela, que trabalhavam juntas", diz. Quando
soube dos supostos golpes, Hellen questionou as duas, mas não obteve qualquer
tipo de resposta.
Marido de cerimonialista se pronuncia
Em vídeo
nas redes sociais, Luiz Fernando Peixoto diz ser o marido de Emanuela e
justifica a situação como decorrente de um vício da mulher em jogos de azar.
"Todos
os valores que entravam na minha conta, a gente pagava os fornecedores, tudo
bem direitinho, mas, de um tempo para cá, ela não mandava mais nada para mim. Os
pagamentos não vinham mais para mim, ficou fora de controle. Eu
sabia que ela jogava, mas não tinha noção da proporção que estava
tomando", relatou ele.
Luiz
aponta ainda que Emanuela sumiu no dia 27 de junho em meio às preocupações pela
falta de recursos financeiros para entregar os eventos acordados com os
clientes.
"Emanuela
já estava bem doente psicologicamente, com depressão, ansiedade, burnout. E
tínhamos dois eventos nesse mesmo dia", disse.
Luiz
diz que Emanuela foi encontrada e encaminhada ao hospital.
Segundo ele, o breve sumiço foi resultado de uma crise psicológica ao ter que
lidar com os clientes.
"Os
eventos estavam programados para serem entregues, mas o caso repercutiu muito e
nós estamos passando por uma situação muito difícil", continuou.
A SSPDS
aponta que o caso está sendo apurado e incentiva outras vítimas a fazerem
denúncia por meio de Boletim de Ocorrência.
(Diário do Nordeste)
(Foto: jd8/Shutterstock)
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