Operação contra secretário municipal e empresário apreende mais de R$ 430 mil em espécie
Três homens são investigados por
participação em um esquema de fraude milionária com uma empresa de
eventos no Ceará. Entre eles, estão um empresário e um secretário
municipal de Paracuru, na região metropolitana de Fortaleza. O
Ministério Público do estado cumpriu, na última segunda-feira (14) e nesta
quarta (16), seis mandados de busca e apreensão contra os três alvos. Com eles,
foram apreendidos mais de R$ 430 mil em espécie. A
identidade dos suspeitos não foi divulgada.
Somente
nos exercícios de 2024 e 2025, os contratos firmados pela empresa
somaram mais de R$ 79 milhões. Conforme o MP, o montante é
incompatível com a estrutura física e operacional do empreendimento, instalado
em imóvel de “porte praticamente residencial”. Nos últimos meses, foram
realizados saques de mais de R$ 4 milhões em espécie.
Em
nota, a Prefeitura de Paracuru argumentou que a operação do Ministério Público
não possui relação com o exercício do cargo de secretário municipal ou com atos
praticados no âmbito da administração municipal.
“O
processo tramita em segredo de Justiça e, por essa razão, a Prefeitura não
possui acesso aos maiores detalhes da investigação. O Município segue
acompanhando o caso e aguardando novos desdobramentos por parte das autoridades
competentes, permanecendo à disposição para prestar os esclarecimentos que
estiverem ao alcance da Administração Municipal”, reforçou a nota.
Operação Saque a Descoberto
Os
mandados foram cumpridos pelo MP em Fortaleza, Paraipaba e Trairi. Foram
apreendidos dispositivos eletrônicos, além de R$ 254 mil, € 26 mil (euros) e
US$ 6 mil (dólares) em espécie - que totalizaram mais de 430 mil reais.
A
ação do MP, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações
Criminosas (Gaeco), faz parte da Operação Saque a Descoberto, que apura um
possível esquema de fraude em licitações e lavagem de dinheiro
praticadas por uma organização criminosa em vários municípios do
estado. A ação contou com apoio da Polícia Civil.
A
investigação começou a partir de um Relatório de Inteligência Financeira do
Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), que apontou movimentação
atípica da empresa do ramo de eventos sediada no interior do estado — o MP não
informou o município.
O
faturamento anual declarado pelo proprietário do estabelecimento era de R$ 12
mil, mas em apenas oito meses a empresa movimentou cerca de R$ 8,9 milhões.
Um
levantamento junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) revelou que, entre
2020 e o primeiro semestre de 2026, a empresa firmou contratos com
dezenas de municípios cearenses e de outros estados do Nordeste.
(G1)
(Foto: MPCE/Reprodução)
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