Mulheres resgatadas de tráfico sexual eram forçadas a fazer 20 programas por dia, aponta investigação
A maioria das mulheres
resgatadas na semana passada de condições análogas à escravidão em
estabelecimentos de exploração sexual na Paraíba, Pernambuco e Rio Grande
do Norte, é do Ceará. Conforme a polícia, as vítimas eram forçadas a cumprir
várias metas, como consumir 40 doses de bebidas
alcoólicas por semana e a fazer 20 programas sexuais por dia.
Ao todo, 22
mulheres foram resgatadas durante uma operação que investiga tráfico
de pessoas e atuação interestadual de uma organização criminosa no Nordeste. A
ação aconteceu na última quarta-feira (10) e os dados foram consolidados nesta
terça-feira (16) pela Auditoria-Fiscal do Trabalho.
Uma operação
resgatou as mulheres de um grupo suspeito de exploração sexual em cidades da
Paraíba e de Pernambuco. A ação começou após denúncia feita pela Delegacia
da Mulher de Guarabira, no Agreste da Paraíba. A maioria das vítimas é do Ceará
e, segundo a investigação, elas foram aliciadas por estarem em situação de
vulnerabilidade.
De acordo com a
investigação, os locais onde as mulheres estavam eram comandados por uma mesma
mulher e por parentes dela. Ela é suspeita de chefiar uma quadrilha de
exploração sexual.
Operação
Segundo as
investigações, o controle das vítimas era mantido por meio de dívidas
impostas pelo grupo. As mulheres eram obrigadas a cumprir metas, como
consumir 40 doses de bebida alcoólica por semana e fazer 20 programas sexuais
por dia.
O Ministério Público do
Trabalho informou que as vítimas não podiam sair dos imóveis sem autorização.
Além disso, eram submetidas a trabalho sem descanso e a condições degradantes.
"As vítimas
trabalhavam e habitavam num mesmo incômodo. Era um quarto sem janela, sem
ventilação natural, com paredes mofadas, mau cheiro, lençóis em mau estado de
conservação, sem armários, guardavam todos os seus pertences no chão. Elas só
recebiam duas refeições por dia e só podiam sair do estabelecimento com
autorização dos exploradores e acompanhadas de alguém da casa", detalha
Tatiana Bivar Simonetti, procuradora do trabalho.
Ainda segundo Tatiana,
as vítimas trabalhavam 12 ou mais horas por dia, sem
intervalo para descanso, caracterizando uma jornada exaustiva.
Auditores-fiscais do
trabalho determinaram o fim imediato das irregularidades encontradas. Também
mandaram pagar indenizações trabalhistas e garantir assistência para que as
vítimas possam voltar às cidades de origem.
Os suspeitos poderão
responder por trabalho escravo, por exploração de casa de prostituição e por
rufianismo, crime que consiste em tirar proveito financeiro da prostituição de
outra pessoa.
(G1)
(Foto:
Reprodução)
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